Mário Pereira, o Azulão, morreu aos 95 anos e deixa uma história pouco comum na televisão brasileira: a de um funcionário veterano que saiu dos bastidores e, por força do improviso, virou personagem de um dos programas mais populares do país. A morte ocorreu em 17 de julho, na cidade de São Paulo, segundo reportagem publicada pelo Metrópoles.
Sua trajetória ajuda a explicar uma fase da TV aberta em que a transmissão ao vivo, o humor espontâneo e a convivência entre apresentadores e equipes técnicas frequentemente produziam figuras inesperadas. Azulão não foi construído por uma campanha de lançamento. Ele surgiu diante das câmeras depois de anos de trabalho anônimo — e foi justamente essa autenticidade que o tornou memorável.
Quem era Azulão
- Nome verdadeiro
- Mário Pereira
- Nome artístico
- Azulão
- Idade
- 95 anos
- Falecimento
- 17 de julho de 2026, em São Paulo
- Conhecido por
- Participação no Ratinho Livre e pela música “Solta o Azulão”
- Atuação profissional
- Funcionário veterano da Record, assistente de palco e cantor
Uma vida construída nos bastidores da Record
Antes de o público conhecer o apelido Azulão, Mário Pereira já acumulava décadas de trabalho na televisão. Em uma reportagem da própria Record, exibida em 2014, ele foi apresentado como um dos funcionários mais antigos da emissora e afirmou-se que já trabalhava ali havia 54 anos. Na ocasião, aos 83, seguia exercendo sua função com dedicação e realizou o desejo de conhecer o apresentador Marcelo Rezende. O registro está disponível no portal R7.
O dado muda a dimensão de sua história. Azulão não foi apenas um integrante passageiro de um programa de auditório. Ele pertenceu à geração de profissionais que ajudou a televisão brasileira a funcionar diariamente — gente de contrarregra, apoio de palco e operação, quase sempre invisível para o público, mas indispensável para colocar uma atração no ar.
O que tornou Azulão especial foi a passagem improvável do anonimato técnico para a memória afetiva do público, sem que ele deixasse de parecer o mesmo homem simples dos bastidores.
O improviso no Ratinho Livre que mudou tudo
No fim dos anos 1990, Mário Pereira passou a aparecer no Ratinho Livre, programa comandado por Carlos Roberto Massa na Record. A atração era conhecida pelo ritmo acelerado, pela participação popular e por situações que escapavam do roteiro — características que abriram espaço para personagens espontâneos.
De acordo com a notícia do Metrópoles, um episódio decisivo ocorreu quando uma gravadora não enviou o artista prometido para uma apresentação. Sem a atração musical prevista, Ratinho colocou o próprio assistente de palco para cantar. A solução de emergência, típica da televisão ao vivo, transformou-se em oportunidade: Azulão conquistou espaço diante das câmeras e passou a ser lembrado pelo público.
O episódio resume bem a lógica daquela fase da TV popular. Em vez de uma estreia cuidadosamente calculada, houve um vazio na programação, uma decisão de última hora e uma figura com presença suficiente para sustentar o momento. O acaso abriu a porta; a personalidade de Azulão fez o restante.
“Solta o Azulão”: do bordão ao disco
A exposição no programa levou Mário Pereira a uma breve carreira fonográfica. Em 1998, ele lançou o álbum Azulão, associado à canção “Solta o Azulão”. O refrão simples e repetitivo funcionava como bordão e combinava com a comunicação direta do programa de Ratinho.
Um registro do programa de rádio Garagem, publicado pelo Acervo Garagem, informa que Azulão participou da atração em agosto de 2000, relembrou mais de 40 anos de trabalho na Record e cantou músicas do disco gravado em 1998 pela Paradox Music. O documento preserva um retrato de sua fama naquele período, quando o antigo funcionário de bastidores já era reconhecido como personalidade televisiva.
Por que Azulão permaneceu na memória da televisão
A fama de Azulão não se explica por virtuosismo musical nem por uma personagem sofisticada. Sua força estava na combinação de três elementos: uma história real de trabalho, um momento espontâneo diante das câmeras e um bordão fácil de reconhecer. Essa mistura produziu algo que campanhas publicitárias tentam fabricar, mas raramente conseguem: familiaridade.
Para parte do público, ele representava a ideia de que qualquer pessoa da equipe poderia, por alguns minutos, ocupar o centro do palco. Para a história da televisão, sua trajetória registra um tempo em que os limites entre produção, elenco e plateia eram mais porosos, e o improviso ainda tinha poder para alterar destinos profissionais.
Também há um contraste importante. A televisão costuma celebrar apresentadores e artistas, mas depende de milhares de trabalhadores que permanecem fora do enquadramento. Ao se tornar conhecido, Azulão deu rosto — ainda que de forma informal — a essa categoria de profissionais que sustentam a rotina de uma emissora.
Linha do tempo de Mário Pereira, o Azulão
| Período | Marco |
|---|---|
| Décadas anteriores aos anos 1990 | Constrói uma longa carreira profissional nos bastidores da Record. |
| Fim dos anos 1990 | Ganha projeção nacional como assistente de palco e cantor no Ratinho Livre. |
| 1998 | Lança o álbum Azulão, ligado à música “Solta o Azulão”. |
| 2000 | Participa do programa de rádio Garagem e relembra sua trajetória na televisão. |
| 2014 | Reportagem da Record informa que ele acumulava 54 anos de trabalho na emissora. |
| 17 de julho de 2026 | Morre aos 95 anos, em São Paulo. |
A despedida de um personagem improvável
A causa da morte não foi informada nas fontes consultadas. Mais do que a circunstância de sua despedida, porém, a repercussão recupera uma trajetória que atravessou diferentes períodos da televisão brasileira: dos trabalhos silenciosos na emissora à exposição nacional, do improviso ao disco, da fama momentânea à permanência na memória de quem acompanhou o Ratinho Livre.
Azulão deixa como legado uma história simples e, por isso mesmo, singular. Ele mostrou que a televisão também é feita por quem monta, apoia, espera e resolve problemas atrás das câmeras — e que, às vezes, um desses profissionais encontra a luz do palco sem ter passado a vida inteira procurando por ela.
Perguntas frequentes sobre Azulão
Quem era Azulão do programa do Ratinho?
Azulão era Mário Pereira, profissional com décadas de trabalho na Record que ganhou projeção nacional como assistente de palco e cantor no Ratinho Livre, no fim dos anos 1990.
Quantos anos tinha Mário Pereira, o Azulão?
Ele morreu aos 95 anos, em 17 de julho de 2026, na cidade de São Paulo.
Qual música deixou Azulão conhecido?
Azulão ficou associado à música “Solta o Azulão”, lançada em disco em 1998 após sua participação no Ratinho Livre.
Quanto tempo Azulão trabalhou na Record?
Uma reportagem da Record publicada em 2014 informou que ele já acumulava 54 anos de trabalho na emissora.
Qual foi a causa da morte de Azulão?
A causa não foi informada nas fontes jornalísticas consultadas para esta matéria.
Fontes e metodologia
Esta matéria foi produzida por cruzamento de fontes públicas. Informações não confirmadas foram excluídas, e a causa da morte não foi presumida. Links consultados em 23 de julho de 2026: