Ouro volta aos holofotes após alta de 7% na semana, mas ainda está abaixo do recorde de 2026
Metal recuperou parte das perdas depois de dados fracos do emprego nos Estados Unidos; compras de bancos centrais, entrada de recursos em ETFs e incertezas geopolíticas sustentam o interesse, mas não eliminam o risco de novas quedas.
O ouro voltou a ganhar destaque nos mercados depois de subir mais de 7% na semana encerrada em 7 de agosto de 2026, alcançando US$ 4.336,02 por onça-troy. A recuperação foi impulsionada pela redução das expectativas de alta dos juros nos Estados Unidos, mas o metal ainda permanece aproximadamente 22% abaixo do recorde de US$ 5.594,82 registrado em janeiro.
- O ouro teve sua maior alta semanal desde janeiro, após dados mostrarem perda inesperada de empregos nos Estados Unidos.
- Bancos centrais compraram 289 toneladas no segundo trimestre, enquanto ETFs de ouro receberam US$ 3 bilhões em julho.
- O metal pode voltar a testar níveis mais altos, mas não paga juros e enfrenta a concorrência da renda fixa, especialmente no Brasil.
Nota sobre a imagem: a fotografia é ilustrativa e não representa as reservas de um banco central, fundo de investimento ou instituição mencionada na matéria.
Por que o ouro voltou a subir em agosto de 2026?
O movimento mais recente começou a ganhar força depois que o relatório de emprego dos Estados Unidos mostrou a eliminação de 23 mil vagas em julho. Economistas consultados pela Reuters esperavam a criação de aproximadamente 80 mil postos.
O resultado enfraqueceu a hipótese de que o Federal Reserve, o banco central norte-americano, elevaria novamente os juros em setembro. Com isso, os rendimentos dos títulos públicos dos Estados Unidos recuaram e o dólar perdeu força em parte das negociações.
Esse cenário costuma favorecer o ouro por dois motivos:
- o metal é cotado internacionalmente em dólar e fica relativamente mais barato para compradores que utilizam outras moedas quando a divisa norte-americana perde valor;
- como o ouro não paga juros, ele se torna comparativamente mais atraente quando diminui o rendimento esperado dos títulos públicos.
Em 7 de agosto, o ouro à vista avançou 2,3% em uma única sessão, para US$ 4.336,02 por onça-troy, depois de chegar ao maior nível em sete semanas. A valorização semanal ultrapassou 7%, a maior desde janeiro de 2026.
A alta atual significa que o ouro voltou ao recorde?
Não. A recuperação de agosto foi expressiva, mas o preço permanece distante da máxima histórica.
Em 29 de janeiro de 2026, o ouro à vista chegou a US$ 5.594,82 por onça-troy. A disparada ocorreu depois de uma valorização de 64% em 2025 e em meio a tensões geopolíticas, ameaças de novas tarifas, procura por proteção e forte entrada de investidores.
Comparado com esse recorde, o valor de US$ 4.336,02 registrado em 7 de agosto representa uma queda aproximada de 22,5%. Portanto, quem comprou perto da máxima de janeiro ainda acumula perda em dólar, apesar da recuperação recente.
| Período | Preço ou variação | O que aconteceu |
|---|---|---|
| 2025 | Alta de aproximadamente 64% | Compras de bancos centrais, procura por proteção, queda do dólar e entrada em ETFs |
| 29 de janeiro de 2026 | Recorde de US$ 5.594,82 por onça-troy | Corrida por ativos considerados seguros e intensa movimentação especulativa |
| Segundo trimestre de 2026 | Média de US$ 4.506,29 | Correção após os recordes, juros elevados e realização de lucros |
| Julho de 2026 | Alta mensal aproximada de 2% | Fim de uma sequência de quatro meses de queda e retorno de recursos aos ETFs |
| 7 de agosto de 2026 | US$ 4.336,02; alta semanal superior a 7% | Dados fracos do emprego nos Estados Unidos reduziram as apostas em nova alta de juros |
Os dados deixam claro que o ouro pode funcionar como proteção em determinados períodos, mas também sofre correções fortes. A expressão “porto seguro” não significa preço estável nem ausência de prejuízo.
O ouro está voltando a ser um dos investimentos mais procurados?
Existem sinais concretos de renovação do interesse. Segundo o Conselho Mundial do Ouro, os ETFs lastreados no metal receberam US$ 3 bilhões líquidos em julho de 2026, revertendo dois meses consecutivos de retirada de recursos.
O patrimônio desses fundos alcançou US$ 530 bilhões, enquanto a quantidade de ouro mantida por eles subiu 23 toneladas, para 4.068 toneladas. O volume ainda ficou abaixo do recorde de 4.176 toneladas registrado em 27 de fevereiro.
No acumulado de 2026 até julho, os ETFs globais receberam US$ 11 bilhões líquidos. Fundos asiáticos foram os maiores responsáveis pelo resultado, seguidos pelos europeus. Os produtos listados na América do Norte ainda apresentavam retirada líquida no ano.
Isso mostra uma recuperação do interesse, mas não uma unanimidade. Investidores de diferentes regiões continuam reagindo de maneira distinta aos juros, ao dólar e aos riscos políticos.
Bancos centrais também voltaram a comprar mais ouro
Os bancos centrais são outra fonte importante de demanda. Depois de uma desaceleração no primeiro trimestre, essas instituições adquiriram, em termos líquidos, 289 toneladas de ouro no segundo trimestre de 2026.
Nos quatro anos anteriores, as compras anuais dos bancos centrais ficaram próximas de uma média de mil toneladas, aproximadamente o dobro da média observada na década precedente.
Uma pesquisa realizada pelo Conselho Mundial do Ouro com 76 bancos centrais mostrou que:
- 89% acreditam que as reservas oficiais globais de ouro aumentarão nos 12 meses seguintes;
- 45% esperam ampliar as reservas de sua própria instituição;
- 74% acreditam que a participação do dólar nas reservas mundiais será moderadamente ou significativamente menor dentro de cinco anos.
Entre os motivos mencionados estão diversificação, proteção em crises, preservação contra a inflação e redução da exposição a riscos geopolíticos e sanções.
O Fundo Monetário Internacional observa que o ouro pode ser armazenado no próprio país e não depende da promessa de pagamento de outro governo. Por outro lado, é menos prático para financiar operações diárias e realizar pagamentos internacionais do que moedas e títulos de alta liquidez.
Isso significa que o ouro substituirá o dólar?
Não há evidência de que o ouro esteja prestes a substituir o dólar como principal instrumento do sistema financeiro internacional.
O dólar continua representando perto de 60% das reservas cambiais informadas ao Fundo Monetário Internacional e permanece dominante no comércio, no financiamento internacional e nos mercados de títulos.
O que está ocorrendo é uma diversificação gradual. Alguns bancos centrais estão reduzindo a concentração em ativos denominados em dólar e aumentando a participação de ouro, euro, renminbi e outras moedas.
O metal pode voltar a ocupar uma posição mais importante nas reservas, mas isso é diferente de restabelecer o antigo padrão-ouro ou abandonar as moedas nacionais. Um retorno amplo ao padrão-ouro limitaria a capacidade dos bancos centrais de responder a crises, ajustar juros e fornecer liquidez ao sistema financeiro.
O ouro pode voltar a subir até US$ 5 mil?
É possível, mas depende de novos acontecimentos econômicos e políticos. Não existe garantia de que o recorde será recuperado.
Em uma análise publicada em julho, o Conselho Mundial do Ouro estimou que, caso as condições econômicas permanecessem próximas às expectativas existentes naquele momento, o preço poderia oscilar aproximadamente 5% para cima ou para baixo ao redor de US$ 4.100 no segundo semestre.
O estudo considerava que uma retomada mais consistente poderia levar o metal para perto de US$ 4.500. Para alcançar novamente a região dos US$ 5 mil, seria necessário um estímulo mais forte, como:
- agravamento de conflitos ou das tensões comerciais;
- reversão das expectativas de juros nos Estados Unidos;
- queda mais intensa do dólar;
- nova entrada prolongada de investidores e fundos;
- aumento das compras realizadas por bancos centrais.
Depois dos dados de emprego de agosto, o UBS projetou que o ouro poderia alcançar US$ 5 mil no primeiro semestre de 2027. Trata-se de uma previsão de mercado, e não de um preço garantido.
O que poderia fazer o preço do ouro cair novamente?
Os mesmos fatores que impulsionam o ouro podem mudar de direção. O metal poderá perder valor se os juros permanecerem elevados por mais tempo, o dólar se fortalecer ou os conflitos internacionais forem reduzidos.
Os principais riscos são:
- juros reais mais altos: aumentam a atratividade dos títulos que pagam rendimento;
- dólar fortalecido: encarece o ouro para investidores que utilizam outras moedas;
- redução das compras oficiais: retira uma fonte importante de demanda;
- saques em ETFs: vendas realizadas por fundos podem ampliar movimentos de queda;
- realização de lucros: investidores que compraram antes da alta podem decidir vender;
- preço elevado: reduz a procura por joias e limita a capacidade de compra das famílias.
No segundo trimestre de 2026, o consumo de joias caiu para 278 toneladas, o menor volume trimestral desde a pandemia. O resultado demonstra que preços muito altos também destroem parte da demanda.
Vale a pena investir em ouro agora?
O ouro pode fazer sentido como uma parcela de diversificação e proteção de longo prazo, mas não deve ser tratado como substituto automático de toda a carteira.
O metal não distribui juros, dividendos ou aluguéis. O retorno depende exclusivamente da valorização do preço e, para o investidor brasileiro, da estrutura cambial do produto escolhido.
No Brasil, a taxa Selic estava em 14% ao ano após a reunião do Comitê de Política Monetária de 5 de agosto. Esse nível elevado aumenta o custo de oportunidade de manter dinheiro em um ativo que não produz renda periódica.
Uma decisão responsável deve considerar:
- se a reserva de emergência já está formada em aplicação líquida e de baixo risco;
- quanto da carteira já está exposto ao dólar e a ativos internacionais;
- o prazo do investimento e a capacidade de suportar quedas superiores a 20%;
- taxas de administração, corretagem, custódia, spread e tributação;
- se a compra está sendo feita para diversificação ou apenas por medo de perder a alta.
Comprar somente porque o preço subiu na semana pode levar o investidor a entrar depois de uma valorização e vender durante a correção. Para quem decidiu manter uma parcela em ouro, aportes graduais reduzem o risco de concentrar toda a compra em um único preço.
Como investir em ouro no Brasil?
| Modalidade | Vantagens | Riscos e cuidados |
|---|---|---|
| ETFs de ouro | Negociação pela B3, liquidez e ausência de armazenamento físico | Oscilação da cota, taxa de administração, risco cambial e Imposto de Renda |
| BDRs de ETFs internacionais | Acesso em reais a fundos negociados no exterior | Variação do dólar, liquidez, custos e regras tributárias |
| Fundos de investimento | Gestão profissional e aplicação por plataformas bancárias | Taxas, prazo de resgate e estratégia que pode não acompanhar exatamente o ouro |
| Ouro físico | Posse direta de um ativo tangível | Risco de roubo, falsificação, custo de custódia, diferença entre compra e revenda e necessidade de nota fiscal |
| Contrato futuro de ouro | Permite proteção, negociação e estratégias de curto prazo | Alavancagem, ajustes diários e possibilidade de perdas elevadas; não é indicado para iniciantes |
| Ações de mineradoras | Possibilidade de dividendos e valorização empresarial | Não replica o ouro; depende de custos, dívidas, gestão, produção e riscos operacionais |
Entre os produtos disponíveis na B3 estão os ETFs GOLD11 e GLDX11 e os BDRs de ETFs BIAU39 e ABGD39. Também existe o contrato futuro GLD, com liquidação financeira e tamanho equivalente a uma onça-troy.
Os produtos não são idênticos. Alguns possuem exposição conjunta ao ouro e ao dólar, enquanto outros utilizam mecanismos para reduzir a variação cambial. Antes de comprar, o investidor deve ler o regulamento, conferir o índice de referência, a taxa de administração, o patrimônio, a liquidez e a política de proteção cambial.
O dólar pode mudar o resultado do ouro para o brasileiro
A cotação internacional do ouro é expressa em dólares. Por isso, o resultado em reais pode ser diferente da variação observada no mercado internacional.
- Se o ouro subir e o dólar também subir, a valorização em reais tende a ser ampliada.
- Se o ouro subir, mas o real se fortalecer, parte do ganho poderá ser anulada.
- Se o ouro cair e o dólar subir, a moeda norte-americana poderá reduzir a perda em reais.
- Produtos com proteção cambial podem apresentar comportamento diferente dos fundos expostos ao dólar.
Em 7 de agosto, a taxa de referência PTAX estava próxima de R$ 5,09 por dólar. Usando o preço internacional daquele dia, o valor teórico do metal equivalia a aproximadamente R$ 710 por grama, antes de taxas, impostos, custos de transformação, custódia e margem do vendedor.
Quais são os impostos sobre ETFs de ouro?
Nos ETFs de ouro de renda variável, o lucro obtido em operações comuns está sujeito, em geral, à alíquota de 15% de Imposto de Renda. Em operações de compra e venda realizadas no mesmo dia, a alíquota é de 20%.
Não existe a isenção mensal de R$ 20 mil para a venda de cotas de ETFs. Quando houver lucro tributável, o próprio investidor normalmente deverá calcular o resultado e pagar o Documento de Arrecadação de Receitas Federais, o DARF, até o último dia útil do mês seguinte.
A Receita Federal prevê uma regra distinta de isenção para determinadas operações com ouro classificado diretamente como ativo financeiro quando o total vendido no mês não ultrapassa R$ 20 mil. Essa regra não deve ser aplicada automaticamente a ETFs, joias, barras compradas fora do mercado financeiro ou outros produtos.
Como a tributação depende do veículo, da forma de negociação e da situação do contribuinte, é recomendável consultar o regulamento do investimento, os materiais da corretora e um profissional tributário.
Perguntas frequentes sobre a alta do ouro
Por que o ouro subiu em agosto de 2026?
A alta ganhou força depois que os Estados Unidos divulgaram uma perda inesperada de empregos. O resultado reduziu as expectativas de nova alta de juros, pressionou os rendimentos dos títulos e favoreceu o ouro.
Qual foi o preço do ouro em 7 de agosto?
O ouro à vista estava em US$ 4.336,02 por onça-troy no fim da tarde de 7 de agosto, depois de avançar mais de 7% na semana.
O ouro já recuperou o recorde de janeiro?
Não. O metal ainda estava aproximadamente 22,5% abaixo da máxima de US$ 5.594,82 registrada em 29 de janeiro de 2026.
O ouro pode chegar novamente a US$ 5 mil?
É possível, mas dependerá de juros, dólar, conflitos, compras de bancos centrais e entrada de investidores. Projeções de instituições financeiras não representam garantia de retorno.
O ouro sempre sobe durante crises?
Não. Em algumas crises, investidores vendem ouro para cobrir perdas ou obter dinheiro, provocando quedas temporárias. O comportamento também depende dos juros e do dólar.
O ouro protege contra a inflação?
O metal pode preservar poder de compra em horizontes longos e durante determinados períodos inflacionários, mas sua cotação pode cair no curto e no médio prazo mesmo quando os preços ao consumidor estão subindo.
É melhor comprar ouro físico ou ETF?
O ETF costuma oferecer maior facilidade de negociação e dispensa armazenamento. O ouro físico oferece posse direta, mas envolve segurança, autenticidade, nota fiscal, custódia e diferença maior entre compra e revenda.
O ouro substitui a reserva de emergência?
Não é recomendável. A reserva de emergência exige estabilidade e liquidez imediata, enquanto o ouro pode sofrer oscilações fortes justamente quando o dinheiro for necessário.
O ouro pode substituir o dólar nas reservas internacionais?
O ouro deverá ganhar participação em algumas reservas, mas o dólar continua dominante no comércio e nas finanças globais. Diversificação não significa substituição completa da moeda norte-americana.
Fontes consultadas
- Reuters — alta do ouro em 7 de agosto, emprego nos Estados Unidos e expectativa de juros
- Reuters — recorde do ouro em janeiro de 2026 e posterior realização de lucros
- London Bullion Market Association — preço de referência dos metais preciosos
- Conselho Mundial do Ouro — demanda, oferta, compras de bancos centrais e preço médio no segundo trimestre
- Conselho Mundial do Ouro — entradas, patrimônio e quantidade mantida por ETFs em julho de 2026
- Conselho Mundial do Ouro — pesquisa de 2026 com bancos centrais
- Conselho Mundial do Ouro — cenários para o preço no segundo semestre de 2026
- Fundo Monetário Internacional — ouro, dólar, reservas e riscos geopolíticos
- B3 — crescimento dos investimentos ligados ao ouro e produtos disponíveis no Brasil
- B3 Bora Investir — alternativas para investir em ouro e diferenças entre metal físico e fundos
- Banco Central — redução da taxa Selic para 14% em 5 de agosto de 2026
- Banco Central — histórico oficial das taxas de câmbio PTAX
- B3 Bora Investir — tributação e declaração de ETFs
- Receita Federal — isenções aplicáveis a ações e ouro classificado como ativo financeiro
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Nota editorial: matéria apurada e verificada em 9 de agosto de 2026 com dados de mercado referentes ao fechamento de 7 de agosto, informações do Conselho Mundial do Ouro, Banco Central, Fundo Monetário Internacional, B3 e Receita Federal. Cotações, projeções, juros e regras tributárias podem mudar. O conteúdo é informativo e não constitui recomendação individual de investimento.