Anvisa proíbe “Ozempic Natural”: veja os produtos atingidos e o que fazer se você comprou
Produto não tem registro sanitário e não é uma versão natural, genérica ou equivalente ao Ozempic original; decisão também alcança emagrecedores irregulares e um lote falsificado de Nebido.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu, em , a fabricação, importação, distribuição, venda, divulgação e utilização do produto chamado “Ozempic Natural”. A medida atinge o produto atribuído à empresa Nelson Aparecido Granzioli porque ele não possui registro sanitário na Agência.
- O “Ozempic Natural” proibido não é uma versão natural, genérica ou equivalente ao Ozempic original.
- A decisão também atingiu todos os lotes de Slim Turbo Premium e Slim CPS Dourado Gold e o lote falsificado KT0S5T4 de Nebido.
- Quem comprou um dos produtos deve interromper o uso, guardar embalagem e comprovantes e denunciar o anúncio à Anvisa e ao marketplace.
Nota sobre a imagem: a fotografia mostra o Ozempic original somente para esclarecer a diferença entre o medicamento regularizado e o produto irregular chamado “Ozempic Natural”. Ela não representa o item apreendido nem registra a ação de fiscalização.
Qual “Ozempic Natural” foi proibido pela Anvisa?
A medida divulgada pela Anvisa alcança o produto denominado Ozempic Natural, atribuído à empresa Nelson Aparecido Granzioli, inscrita no CNPJ 55.220.152/0001-91.
Como a decisão não identifica um lote específico, a proibição vale para todos os lotes do produto. Estão impedidas as seguintes atividades:
- fabricação;
- importação;
- distribuição;
- comercialização;
- divulgação e propaganda;
- utilização pelo consumidor.
A ação foi formalizada pela Resolução-RE nº 3.055, de 5 de agosto de 2026, publicada no Diário Oficial da União em 6 de agosto.
O comunicado oficial não apresenta uma análise laboratorial completa da composição do “Ozempic Natural”. Portanto, não é correto afirmar que o produto contém determinada substância sem que isso tenha sido comprovado. O fato confirmado é que ele não possui o registro sanitário necessário.
O Ozempic original também foi proibido?
Não. A decisão não proíbe o Ozempic original regularmente comercializado em farmácias brasileiras. O produto atingido usa a expressão “Ozempic Natural”, mas não é fabricado pela Novo Nordisk e não deve ser confundido com o medicamento registrado.
O Ozempic original é um medicamento injetável que contém semaglutida, substância pertencente à classe dos agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon 1, conhecido pela sigla GLP-1. Seu registro, indicações, contraindicações, dosagens e condições de fabricação foram avaliados pelas autoridades sanitárias.
O medicamento é de venda sob prescrição e deve ser utilizado com acompanhamento profissional. Sua popularidade no tratamento do diabetes tipo 2 e sua associação com perda de peso fizeram com que diferentes vendedores passassem a empregar nomes como “Ozempic natural” para promover cápsulas, compostos ou suplementos.
Compartilhar parte do nome comercial não cria qualquer equivalência farmacêutica. Para ser considerado genérico, similar ou intercambiável, um medicamento precisa cumprir requisitos regulatórios específicos, possuir registro e demonstrar as características exigidas pela legislação.
“Ozempic Natural” é uma versão natural da semaglutida?
Não existe base para tratar o produto proibido como uma versão natural da semaglutida. A Anvisa não o reconheceu como medicamento equivalente, genérico ou substituto do Ozempic.
A expressão “natural” é apenas parte do nome utilizado na comercialização do produto. Ela não comprova origem vegetal, composição, eficácia, segurança ou ausência de efeitos adversos.
Mesmo quando um produto contém plantas, fibras, vitaminas ou extratos, isso não significa que ele reproduza o mecanismo de ação de um medicamento. Também não significa que possa ser usado para tratar diabetes, obesidade ou qualquer outra doença.
Produtos naturais podem causar reações alérgicas, interagir com medicamentos, alterar a glicemia, afetar o fígado ou os rins e apresentar riscos para gestantes, idosos e pessoas com doenças crônicas. Sem regularização, não há garantia oficial de que o conteúdo corresponda ao rótulo.
Por que o produto foi proibido?
Segundo a Anvisa, o “Ozempic Natural” não possui registro sanitário. Isso significa que o produto não passou pelo procedimento regulatório necessário para demonstrar sua identidade, finalidade e condições de qualidade, segurança e eficácia.
O registro sanitário permite que a autoridade avalie aspectos como:
- composição declarada;
- origem e qualidade das matérias-primas;
- condições de fabricação;
- controle de contaminação;
- estabilidade e prazo de validade;
- indicações e contraindicações;
- riscos e possíveis reações adversas;
- correção da embalagem e das informações fornecidas ao consumidor.
Quando um produto é vendido sem registro, a Anvisa não possui elementos suficientes para assegurar que ele contém o que está declarado, que foi fabricado em condições apropriadas ou que produz os efeitos prometidos.
A ausência de registro não prova, isoladamente, que todas as unidades estejam contaminadas ou que causarão intoxicação. O problema é justamente a falta das garantias e verificações exigidas para que o produto possa ser legalmente oferecido ao público.
Quais produtos foram atingidos pela decisão?
| Produto | Lotes atingidos | Irregularidade informada | Medida principal |
|---|---|---|---|
| Ozempic Natural | Todos os lotes | Ausência de registro sanitário na Anvisa | Proibição de fabricar, importar, distribuir, vender, divulgar e utilizar |
| Slim Turbo Premium | Todos os lotes | Produto sem registro e relacionado a empresa sem autorização para a atividade informada | Apreensão e proibição de fabricação, distribuição, venda, divulgação e uso |
| Slim CPS Dourado Gold | Todos os lotes | Produto sem registro e relacionado a empresa sem autorização para a atividade informada | Apreensão e proibição de fabricação, distribuição, venda, divulgação e uso |
| Nebido | Somente o lote KT0S5T4 identificado como falsificado | Detentora do registro informou desconhecer o lote e apontou divergências na impressão da embalagem | Apreensão e proibição de venda, distribuição e utilização do lote |
| Produtos de cannabis da Associação Canábica Nordeste (Acanne) | Todos os produtos da associação | Suspeita de funcionamento sem autorização válida, endereço não confirmado e comercialização sem registro | Proibição dos produtos |
Os produtos Slim Turbo Premium e Slim CPS Dourado Gold foram associados no comunicado à Ebazar.com.br Ltda., CNPJ 03.007.331/0001-41. A Anvisa informou que eles não possuem registro e que a empresa não dispõe da autorização necessária para a atividade descrita.
O que aconteceu com o lote falsificado de Nebido?
A Anvisa determinou a apreensão do lote KT0S5T4 do medicamento Nebido. A Grünenthal do Brasil Farmacêutica Ltda., detentora do registro do produto, informou que não reconhece esse lote como original.
A empresa também identificou divergências no padrão de impressão dos dados variáveis da embalagem analisada. Com base nessas informações, o lote foi classificado como falsificado e não pode ser vendido, distribuído ou utilizado.
A medida não atinge todos os lotes legítimos de Nebido. O alerta está restrito ao código KT0S5T4. Quem possuir uma embalagem com essa identificação não deve utilizar o produto.
Quais são os riscos de usar um medicamento sem registro?
Produtos irregulares não oferecem as mesmas garantias de qualidade, segurança e eficácia exigidas de medicamentos registrados. Entre os riscos possíveis estão:
- ingredientes diferentes dos declarados no rótulo;
- dose maior, menor ou inexistente da substância anunciada;
- contaminação química ou microbiológica;
- mistura com substâncias farmacológicas não informadas;
- interações com medicamentos de uso contínuo;
- reações alérgicas ou intoxicações;
- atraso no diagnóstico e no tratamento de uma doença;
- agravamento do diabetes ou de outra condição por abandono do tratamento prescrito.
Não é possível prever um conjunto específico de sintomas para o “Ozempic Natural” porque a Anvisa não divulgou uma composição confirmada por análise laboratorial. A conduta deve considerar o produto utilizado, a quantidade, o tempo transcorrido e o estado de saúde do consumidor.
O que fazer se você comprou o “Ozempic Natural”?
- Não utilize o produto: mesmo que a embalagem esteja fechada, a determinação proíbe seu uso.
- Não repasse para outra pessoa: não venda, doe ou anuncie a unidade.
- Guarde a embalagem: preserve rótulo, lote, validade, nome do vendedor e demais informações de identificação.
- Salve as provas da compra: mantenha nota fiscal, recibo, comprovante de Pix, confirmação do pedido, mensagens e capturas do anúncio.
- Solicite o cancelamento ou reembolso: entre em contato com o vendedor e utilize o canal de contestação do marketplace.
- Denuncie a venda: informe a Anvisa e, quando aplicável, a vigilância sanitária municipal ou estadual.
- Não descarte imediatamente: aguarde a orientação da vigilância sanitária, do estabelecimento ou do fabricante sobre o recolhimento.
Medicamentos e produtos suspeitos não devem ser descartados no vaso sanitário, na pia ou no lixo comum. Quando a unidade não precisar ser preservada para fiscalização, o descarte deve ser realizado em ponto de coleta de medicamentos, normalmente disponível em determinadas farmácias e drogarias.
O que fazer se você já utilizou o produto?
Interrompa o uso e procure orientação de um médico ou farmacêutico. Informe o nome do produto, a quantidade consumida, os horários de uso, os medicamentos que utiliza regularmente e eventuais sintomas.
Não provoque vômito e não tome outro medicamento para tentar neutralizar o produto sem orientação profissional.
Procure atendimento de urgência se houver sinais como dificuldade para respirar, desmaio, convulsão, confusão, reação alérgica intensa, dor forte, vômitos persistentes, alteração importante da consciência ou piora rápida do estado geral. Em uma emergência, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pode ser acionado pelo número 192.
Para orientação toxicológica, o consumidor pode ligar gratuitamente para o Disque-Intoxicação, no 0800 722 6001. Sempre que possível, leve a embalagem ou uma fotografia nítida do rótulo ao atendimento.
Pessoas que utilizam tratamento para diabetes ou obesidade não devem abandonar o medicamento prescrito nem substituí-lo por outro produto por conta própria. A interrupção ou troca deve ser discutida com o profissional que acompanha o caso.
Como consultar se um medicamento tem registro na Anvisa?
A consulta pode ser feita gratuitamente no sistema oficial da Agência:
- acesse a página de consulta a registro de medicamentos da Anvisa;
- entre na opção “Medicamentos registrados”;
- pesquise pelo nome comercial, princípio ativo, número do registro ou empresa;
- confira se o registro está válido;
- compare nome, apresentação, fabricante e número do registro com a embalagem.
O consumidor também pode pesquisar medidas de apreensão, suspensão e proibição na página de consulta de produtos irregulares. A página oferece uma busca geral e uma lista específica de emagrecedores irregulares.
A ausência de resultado exige cautela. O produto pode estar registrado em outra categoria, ter nome diferente ou ser irregular. Em caso de dúvida, não utilize até confirmar a situação com a Anvisa ou com um farmacêutico.
Como denunciar a venda em marketplace ou rede social?
Primeiro, utilize a função de denúncia da própria plataforma. Selecione a categoria relacionada a produto proibido, medicamento irregular, falsificação ou risco à saúde.
Antes de o anúncio ser retirado, registre:
- endereço completo da página;
- nome e identificação do vendedor;
- nome do produto;
- fotografias da embalagem;
- número do lote, quando disponível;
- preço e promessas apresentadas;
- data e horário em que o anúncio foi acessado;
- comprovantes do pedido e do pagamento.
A denúncia sanitária pode ser encaminhada pelo Fala.BR, plataforma oficial utilizada para manifestações dirigidas à Anvisa. O cidadão também pode buscar orientação pela Ouvidoria da Anvisa ou pela Central de Atendimento, no telefone 0800 642 9782.
A Agência recomenda que a denúncia contenha todas as informações disponíveis, como produto, lote, fabricante, CNPJ, fotografias e endereço do anúncio. Quanto mais concreta for a documentação, maior será a possibilidade de localizar o vendedor e verificar a irregularidade.
Se o anúncio continuar ativo, o consumidor também pode comunicar a vigilância sanitária local e o Procon. Quando houver suspeita de fraude, falsificação ou uso indevido de dados empresariais, poderá ser necessário registrar ocorrência policial.
Como reconhecer uma promessa suspeita de emagrecimento?
Alguns sinais exigem desconfiança:
- uso de nomes parecidos com medicamentos conhecidos;
- promessa de substituir Ozempic, Mounjaro ou outro tratamento;
- afirmação de emagrecimento rápido sem dieta ou acompanhamento;
- garantia de resultado para todas as pessoas;
- expressões como “100% seguro”, “sem contraindicações” ou “sem efeitos colaterais”;
- venda de medicamento sem exigir a receita aplicável;
- falta de fabricante, CNPJ, lote ou número de registro;
- pagamento direcionado a pessoa diferente do vendedor anunciado;
- perfil recém-criado ou que impede comentários e avaliações;
- pressão para pagamento imediato por Pix.
O termo “natural” não funciona como certificação sanitária. Produtos naturais também precisam respeitar as regras correspondentes à categoria em que são fabricados e comercializados.
Perguntas frequentes
A Anvisa proibiu o Ozempic verdadeiro?
Não. A medida de 6 de agosto de 2026 atingiu o produto chamado “Ozempic Natural”, que não possui registro sanitário. O Ozempic original regularmente comercializado não foi proibido por essa decisão.
O “Ozempic Natural” contém semaglutida?
A Anvisa não divulgou análise que confirme sua composição. Por isso, não é possível afirmar que contenha semaglutida ou qualquer outra substância específica. O produto não é reconhecido como equivalente ao Ozempic.
A proibição vale para qual lote?
A decisão não restringiu a medida a um lote do “Ozempic Natural”. Portanto, todos os lotes estão abrangidos. Para o Nebido falsificado, a medida atinge especificamente o lote KT0S5T4.
Posso continuar usando se não tive reação?
Não. A ausência de sintomas até o momento não comprova segurança. A Anvisa proibiu a utilização do produto.
Devo jogar o produto fora?
Não o utilize nem o entregue a outra pessoa. Preserve embalagem e comprovantes para a denúncia e peça orientação sobre recolhimento ou descarte. Medicamentos não devem ser despejados na pia, no vaso sanitário ou no lixo comum.
Posso pedir o dinheiro de volta?
O consumidor pode solicitar o cancelamento e o reembolso ao vendedor ou ao marketplace, apresentando a decisão da Anvisa e os comprovantes da compra. Se não houver solução, pode procurar o Procon ou utilizar os demais canais de defesa do consumidor.
Onde verifico se um emagrecedor foi proibido?
A Anvisa mantém uma página de consulta de produtos irregulares, incluindo uma lista específica de emagrecedores. A pesquisa deve ser feita pelo nome do produto, empresa e demais dados disponíveis.
Fontes consultadas
- Anvisa — Ações fiscais contra medicamentos e produtos irregulares, incluindo “Ozempic Natural”
- Diário Oficial da União — Resolução-RE nº 3.055, de 5 de agosto de 2026
- Anvisa — Consulta a registro de medicamentos
- Anvisa — Consulta de produtos irregulares e lista de emagrecedores irregulares
- Anvisa — Canais oficiais de atendimento ao público
- Anvisa — Ouvidoria e registro de denúncias
- Anvisa — Informações que devem acompanhar uma denúncia sobre produto irregular
- Anvisa — Riscos de produtos naturais e suplementos irregulares
- Wikimedia Commons — autoria, origem e licença CC0 da imagem ilustrativa
Nota editorial: esta matéria foi apurada em 9 de agosto de 2026 com base no comunicado da Anvisa, na Resolução-RE nº 3.055/2026 e nos canais oficiais de consulta e denúncia. A Agência não divulgou, no comunicado consultado, uma análise laboratorial completa da composição do “Ozempic Natural”; por isso, o texto não atribui ingredientes ou reações específicas ao produto. As orientações são gerais e não substituem avaliação médica, farmacêutica ou toxicológica individual.