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Nesta matéria
  1. A “loja aluga-se” espalha-se pelos centros comerciais
  2. Brasil bate recorde de empresas inadimplentes
  3. Recuperações judiciais também alcançam nível recorde
  4. Recuperação extrajudicial quase dobrou em dois anos
  5. Oi, Habib’s, Marabraz, Braskem e Casas Bahia mostram diferentes faces da crise
  6. Qual é a diferença entre recuperação, falência e fechamento?
  7. Endividamento e inadimplência dos CPFs diminuem o consumo
  8. Por que tantas empresas chegaram ao limite?
  9. Qual é a responsabilidade do governo atual?
  10. A crise empresarial não significa recessão uniforme
  11. Como a crise termina em uma placa de “aluga-se”?
  12. Perguntas frequentes
  13. Fontes consultadas

A expansão da loja “aluga-se”: recordes de dívidas e recuperações expõem empresas no limite

Lojas fechadas avançam em diferentes centros comerciais enquanto o Brasil registra recordes de CNPJs inadimplentes, consumidores negativados e empresas em recuperação.

As placas de “aluga-se” tornaram-se mais frequentes em diferentes corredores comerciais do Brasil, acompanhadas pelo fechamento de estabelecimentos tradicionais e pela redução de unidades de grandes redes. Embora não exista um índice nacional capaz de medir todos os imóveis comerciais vazios, levantamentos locais e recordes financeiros confirmam um período de forte pressão sobre empresas e consumidores.

Principais informações:
  • O Brasil chegou ao recorde de mais de 9,1 milhões de CNPJs inadimplentes em junho de 2026, com R$ 232,9 bilhões em dívidas negativadas.
  • As recuperações judiciais envolveram 2.466 CNPJs em 2025; em agosto de 2026, a Oi tornou-se o exemplo mais conhecido de uma recuperação que terminou em falência.
  • O endividamento alcançou 82% das famílias e a inadimplência atingiu 83,7 milhões de consumidores, reduzindo o dinheiro disponível para compras.

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Placa anuncia um imóvel comercial disponível para aluguel
Placa anuncia um imóvel comercial disponível para locação. A fotografia é ilustrativa e foi produzida nos Estados Unidos. Foto: Chris Hunkeler, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 2.0.

A “loja aluga-se” espalha-se pelos centros comerciais

O aumento de vitrines vazias pode ser observado em cidades de diferentes portes, mas não é possível afirmar, com rigor estatístico, que a vacância esteja crescendo em todas as cidades e estados. O Brasil não possui um levantamento oficial e padronizado que acompanhe todos os imóveis comerciais de rua.

Exemplos do avanço da vacância comercial
Local Indicador Período e observações
Centro de Sorocaba, São Paulo Imóveis comerciais desocupados passaram de 90 para 109, alta de 21,1%. Entre 2023 e maio de 2026, segundo a Associação Comercial de Sorocaba.
Centro Histórico de Porto Alegre Lojas disponíveis para locação passaram de 269 para 342, aumento de 27%. Entre março de 2024 e março de 2026. O período também foi afetado pela enchente de 2024.
Fachadas ativas em São Paulo Vacância de 63% na Avenida Rebouças, 70% na Avenida Ibirapuera e 80% na amostra da Vila Mariana. Pesquisa de 2025 sobre espaços comerciais localizados no térreo de edifícios.

Os números medem regiões e tipos de imóveis diferentes e não podem ser somados para produzir uma taxa nacional. Eles demonstram, contudo, que a paisagem das lojas vazias aparece tanto em centros tradicionais quanto em espaços comerciais construídos recentemente.

Em parte dos casos, a placa de “aluga-se” surge porque a empresa não conseguiu mais pagar aluguel, funcionários, fornecedores, impostos e empréstimos. Em outros, o estabelecimento migrou para um bairro mais barato, transferiu vendas para a internet ou encerrou uma unidade deficitária sem que a empresa inteira tivesse quebrado.

Brasil bate recorde de empresas inadimplentes

O indicador mais amplo da crise financeira empresarial está nos registros de inadimplência. Em junho de 2026, mais de 9,1 milhões de CNPJs possuíam pelo menos uma obrigação vencida formalmente comunicada por um credor à Serasa Experian.

Essas empresas acumulavam R$ 232,9 bilhões em dívidas negativadas. Cada CNPJ inadimplente tinha, em média, 7,3 contas atrasadas e devia aproximadamente R$ 25,5 mil.

As micro e pequenas empresas eram a parte mais vulnerável: aproximadamente 8,6 milhões de CNPJs negativados pertenciam a esse grupo. Serviços representavam 55,7% das empresas inadimplentes, enquanto o comércio respondia por 32,2%.

Inadimplência não significa que todos esses negócios fecharam. Ela mostra, porém, que uma parcela recorde das empresas está atrasando compromissos. Quando o problema se prolonga, o empresário perde acesso ao crédito, reduz estoque, atrasa fornecedores, demite trabalhadores e pode finalmente devolver o imóvel.

Recuperações judiciais também alcançam nível recorde

Segundo a metodologia atualizada da Serasa Experian, o Brasil registrou 977 processos de recuperação judicial em 2025, maior quantidade desde 2016. Esses processos envolveram 2.466 CNPJs, alta de 13% em relação a 2024 e recorde da série.

O Monitor RGF também aponta estoque recorde de companhias em recuperação. Depois de reprocessar sua base em agosto de 2026, a consultoria passou a apresentar dois recortes:

  • 5.535 empresas no recorte principal, que aplica filtros de porte e situação cadastral;
  • 7.980 CNPJs na base ampla, que inclui microempresas e outros negócios marcados como estando em recuperação.

Antes do reprocessamento, reportagens haviam divulgado 6.341 empresas em recuperação judicial no final de junho. A diferença decorre da revisão da base da Receita Federal e dos filtros utilizados, e não da saída repentina de centenas de empresas dos processos.

No recorte atualizado do segundo trimestre, 419 empresas entraram em recuperação, enquanto apenas 164 foram classificadas como recuperadas. A diferença ajuda a explicar a manutenção do estoque em nível recorde.

Recuperação extrajudicial quase dobrou em dois anos

A recuperação extrajudicial também ganhou espaço, principalmente entre companhias grandes que conseguem negociar previamente com determinados grupos de credores.

Casos catalogados pelo Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial
Ano Casos
2021 17
2022 20
2023 43
2024 66
2025 82
2026 44 até 25 de agosto

Entre 2023 e 2025, o número passou de 43 para 82, crescimento de 90,7%. Os casos registrados desde 2023 correspondiam a 71% de todas as recuperações extrajudiciais identificadas pelo observatório desde 2005.

A base é dinâmica e pode incluir processos meses depois de sua distribuição. Serasa Experian e Observatório também utilizam metodologias diferentes; por isso, seus totais não representam exatamente o mesmo universo.

Oi, Habib’s, Marabraz, Braskem e Casas Bahia mostram diferentes faces da crise

Os casos recentes atingem alimentação, móveis, eletrodomésticos, indústria petroquímica e energia. As situações jurídicas, porém, são diferentes: algumas empresas apenas protocolaram pedidos, outras tiveram a recuperação aceita e há companhias negociando somente dívidas financeiras pela via extrajudicial.

Grandes empresas em reestruturação financeira em 2025 e 2026
Empresa ou grupo Situação verificada Valor e principais problemas
Grupo Casas Bahia Protocolou pedido de recuperação judicial em 16 de agosto de 2026. O pedido ainda aguardava decisão judicial na última atualização consultada. Informou aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas. A reestruturação incluiu o fechamento de 298 lojas, após prejuízos, aumento das despesas financeiras, crédito restrito e redução da capacidade de consumo.
Marabraz Cinco empresas ligadas à operação protocolaram pedido de recuperação judicial em 15 de agosto de 2026. A solicitação ainda aguardava análise na última atualização consultada. Passivo aproximado de R$ 140,2 milhões. A rede citou juros, retração do consumo, digitalização do varejo e perda de garantias bancárias depois de uma disputa societária e familiar.
Grupo Gennius, dono de Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill Teve o processamento da recuperação judicial aceito pela Justiça de São Paulo em agosto de 2026, depois de tentar negociar com credores por meio de mediação pré-processual. O pedido informou dívida de aproximadamente R$ 265,2 milhões. O grupo atribuiu a crise aos efeitos da pandemia, às mudanças provocadas pelo delivery e aos juros elevados. As operações continuaram funcionando.
Braskem Protocolou pedido de recuperação extrajudicial em 24 de agosto de 2026. Busca reorganizar cerca de US$ 10,9 bilhões em obrigações financeiras. A companhia enfrenta dívida elevada, baixa do ciclo petroquímico, concorrência externa e obrigações ligadas ao desastre ambiental de Maceió.
Raízen Recorreu à recuperação extrajudicial em 2026. A negociação inicial abrangia aproximadamente R$ 65,1 bilhões em obrigações financeiras, depois de prejuízos, aumento do endividamento e necessidade de venda de ativos.
Oi Teve a falência restabelecida pela 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em 25 de agosto de 2026, encerrando sua segunda recuperação judicial. A segunda recuperação havia começado em 2023 com aproximadamente R$ 44 bilhões em dívidas. A quebra foi decretada inicialmente em novembro de 2025, mas ficou suspensa enquanto recursos de bancos credores eram analisados. Serviços essenciais devem continuar durante a transição supervisionada pela Justiça e pela Anatel.
Bombril Teve a recuperação judicial aceita em fevereiro de 2025. Informou passivos de aproximadamente R$ 2,3 bilhões, com forte peso de contingências tributárias e disputas antigas com o Fisco.

Os casos não significam que todas as unidades dessas marcas serão fechadas. Habib’s e Marabraz, por exemplo, informaram que as operações permaneceriam funcionando. Na recuperação extrajudicial da Braskem, o foco inicial está nas dívidas financeiras e não nos pagamentos correntes a empregados e fornecedores.

A Oi é a exceção mais grave da lista: a empresa efetivamente teve a falência confirmada em 25 de agosto de 2026. A companhia já havia passado por uma primeira recuperação judicial entre 2016 e 2022 e entrou novamente em recuperação em 2023. A Justiça entendeu que as novas tentativas de reorganização não foram suficientes e converteu o processo em falência.

Isso não significa que todos os serviços da Oi foram desligados no mesmo dia. A Anatel informou que a decisão preserva os serviços essenciais durante uma fase de transição e que acompanhará o processo ao lado do administrador judicial. A falência muda o objetivo jurídico: em vez de tentar recuperar a empresa, o processo passa a organizar ativos, operações e pagamentos aos credores.

A ligação da Oi com a expansão da “loja aluga-se” é mais histórica e indireta do que nos casos de Casas Bahia e Marabraz. A operadora já havia vendido a telefonia móvel, transferido ativos e reduzido sua presença no varejo antes da decisão de 2026. O caso mostra, porém, o que pode acontecer quando anos de venda de patrimônio e renegociação de dívidas não devolvem viabilidade ao negócio.

A Casas Bahia apresenta a ligação mais visível com a expansão da “loja aluga-se”: o fechamento de 298 unidades devolve centenas de imóveis ao mercado e pode pressionar aluguéis e vacância nos corredores onde essas lojas estavam instaladas.

Marabraz e Casas Bahia são particularmente sensíveis ao endividamento das famílias. Móveis e eletrodomésticos possuem valores elevados e são frequentemente comprados por crediário, cartão ou financiamento. Quando o consumidor perde acesso ao crédito ou compromete grande parte da renda com parcelas antigas, essas compras são adiadas.

O caso Habib’s mostra que o problema não está limitado ao varejo de bens duráveis. Redes de alimentação também enfrentam aluguéis, custos de insumos, mão de obra, taxas cobradas por aplicativos e dívidas contraídas em um ambiente de juros anteriormente mais baixos.

Já Braskem e Raízen demonstram que a crise alcança grandes grupos industriais. Nessas companhias, pesam dívida em larga escala, custos internacionais, variação cambial, preços de commodities e necessidade permanente de investimento.

Qual é a diferença entre recuperação, falência e fechamento?

Situações que costumam ser confundidas
Situação O que significa
Loja fechada Uma unidade encerrou as atividades. A empresa pode continuar funcionando em outros endereços ou pela internet.
Empresa inadimplente Possui ao menos uma obrigação vencida e registrada pelo credor. Isso não significa automaticamente falência.
Recuperação extrajudicial A empresa negocia com grupos selecionados de credores e pede à Justiça a homologação do acordo.
Recuperação judicial A renegociação ocorre sob supervisão judicial, com apresentação e votação de um plano pelos credores abrangidos.
Falência A Justiça determina a liquidação organizada dos bens diante da inviabilidade da empresa ou do fracasso da recuperação.

A recuperação não é sinônimo de falência. O mecanismo existe justamente para tentar preservar uma atividade viável, manter empregos e evitar o encerramento desordenado.

Endividamento e inadimplência dos CPFs diminuem o consumo

Em julho de 2026, 82% das famílias brasileiras possuíam dívidas a vencer, maior percentual da série da Confederação Nacional do Comércio.

Estar endividado não significa necessariamente estar sem dinheiro ou inadimplente. Uma família pode parcelar porque não possui recursos para pagar à vista, mas também pode usar o parcelamento como estratégia para adquirir um bem no momento necessário, preservar dinheiro para emergências ou aproveitar uma condição sem juros.

O sinal de risco aparece quando as parcelas consomem uma parcela excessiva da renda. Em julho, 19% das famílias tinham mais da metade dos rendimentos comprometida com dívidas. Entre as famílias endividadas, o comprometimento médio chegou a 29,5% da renda.

A inadimplência é diferente: significa que o pagamento já está atrasado. Pela pesquisa da CNC, 29,8% das famílias tinham contas vencidas em julho.

Já o Mapa da Inadimplência da Serasa registrou em junho o recorde de 83,7 milhões de consumidores negativados, equivalentes a 50,9% da população adulta. Eram 345,5 milhões de dívidas em aberto, somando mais de R$ 579,5 bilhões.

Quando uma parcela tão grande dos consumidores está endividada ou negativada, sobra menos dinheiro para roupas, móveis, eletrodomésticos, restaurantes e outros produtos não essenciais. O comércio vende menos e enfrenta maior risco de não receber pelas vendas realizadas a prazo.

Por que tantas empresas chegaram ao limite?

Juros altos e dificuldade para renovar dívidas

A Selic foi reduzida para 14% ao ano em agosto de 2026, mas permanece elevada. Em junho, a taxa média das novas operações de crédito livre para empresas estava em aproximadamente 24,4% ao ano.

O impacto é especialmente forte sobre companhias que cresceram ou refinanciaram suas operações quando a Selic estava em 2% ao ano. Quando esses empréstimos vencem, precisam ser substituídos por dívidas muito mais caras.

Consumidor com renda comprometida

O endividamento das famílias, os juros do cartão e a inadimplência reduzem o movimento das lojas. Móveis, eletrodomésticos e outras compras adiáveis estão entre os primeiros produtos atingidos.

Comércio eletrônico e delivery

Marketplaces diminuíram a vantagem competitiva de algumas lojas físicas, enquanto aplicativos transformaram o funcionamento dos restaurantes. As empresas passaram a disputar consumidores em plataformas que cobram taxas e permitem comparação imediata de preços.

Aluguéis e despesas fixas

A empresa continua pagando aluguel, condomínio, energia, segurança, salários e tributos mesmo quando a receita diminui. Se o valor do imóvel não acompanha a queda do movimento, a devolução do ponto pode ser a única forma de reduzir despesas rapidamente.

Problemas societários e de gestão

A Marabraz mostra como uma disputa familiar pode afetar o financiamento de uma operação. A rede afirmou que perdeu o acesso a imóveis usados como garantia, levando bancos a reduzir limites, elevar custos e interromper a renovação de linhas de capital de giro.

Expansões financiadas por dívida, estoques mal dimensionados, aquisições malsucedidas e demora para fechar unidades deficitárias também contribuem para transformar uma dificuldade temporária em crise prolongada.

Qual é a responsabilidade do governo atual?

Há indicadores que sustentam críticas à política fiscal e tributária adotada durante o governo atual. Isso não significa, porém, que cada loja tenha fechado diretamente por uma decisão de Brasília.

A carga tributária bruta do governo geral chegou a 32,40% do PIB em 2025, alta de 0,18 ponto percentual em relação a 2024. A parcela do governo central cresceu 0,26 ponto, enquanto a carga municipal avançou 0,03 ponto e a estadual recuou 0,10 ponto.

Para empresas de setores anteriormente beneficiados pela desoneração da folha, 2026 marcou outra etapa da reoneração gradual. A legislação passou a combinar 60% da contribuição sobre a receita bruta com 50% da contribuição patronal sobre a folha, elevando custos para determinados empregadores intensivos em mão de obra.

No campo dos gastos, a Instituição Fiscal Independente informou que, nos primeiros sete meses de 2026, a receita líquida federal cresceu 6% acima da inflação, mas as despesas avançaram 6,3%. As despesas discricionárias tiveram aumento real de 44,5%, influenciado, entre outros fatores, pela antecipação de emendas parlamentares.

A IFI estimou que o déficit estrutural do governo central dobrou de 0,7% para 1,4% do PIB entre os períodos de 12 meses encerrados em junho de 2025 e junho de 2026.

Uma trajetória fiscal considerada arriscada pode aumentar os juros cobrados pelo mercado, pressionar o câmbio e dificultar a redução da Selic. O efeito chega às empresas por meio do custo do capital de giro e da rolagem das dívidas.

Seria incorreto, entretanto, atribuir todo o recorde de inadimplência aos gastos públicos ou aos impostos. Dívidas privadas, expansão mal planejada, disputas societárias, comércio eletrônico, aluguéis, clima e transformações no comportamento do consumidor também são causas importantes.

A crise empresarial não significa recessão uniforme

Os recordes de dívidas e recuperações mostram uma crise financeira empresarial grave, mas não significam que todos os indicadores nacionais estejam em queda.

O mercado formal criou 921,6 mil empregos no primeiro semestre de 2026. Serviços, construção, indústria e agropecuária tiveram saldo positivo, enquanto o comércio foi o único grande setor a eliminar vagas no acumulado, com redução líquida de 3.514 postos.

Também existem empresas abrindo, bairros recebendo novos estabelecimentos e centros comerciais que continuam ocupados. A expressão “crise geral” descreve a pressão sentida por muitos empresários e consumidores, mas não corresponde tecnicamente a uma recessão uniforme em todas as atividades e regiões.

Como a crise termina em uma placa de “aluga-se”?

  1. O consumidor reduz ou adia compras.
  2. A receita da loja diminui, mas aluguel, salários e impostos continuam vencendo.
  3. A empresa recorre a capital de giro, cartão, antecipação de recebíveis ou novos empréstimos.
  4. Os juros aumentam e o negócio começa a atrasar fornecedores, bancos e tributos.
  5. Sem crédito novo, a empresa reduz estoque, demite ou fecha unidades.
  6. Quando a negociação direta não resolve, pode procurar recuperação extrajudicial ou judicial.
  7. O imóvel é devolvido e recebe a placa de “aluga-se”.

Perguntas frequentes

Habib’s vai fechar todas as lojas?

Não há anúncio de fechamento de toda a rede. O Grupo Gennius informou que as operações continuariam funcionando durante a recuperação judicial.

A Marabraz fechou?

Não. A empresa protocolou pedido de recuperação judicial e informou que as lojas permaneceriam abertas enquanto tenta reorganizar aproximadamente R$ 140,2 milhões em dívidas.

Braskem está em recuperação judicial?

Não. A companhia protocolou uma recuperação extrajudicial voltada principalmente à reorganização de dívidas financeiras.

Quantas lojas as Casas Bahia fecharam?

A rede fechou 298 unidades durante sua reestruturação operacional.

A Oi faliu?

Sim. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro restabeleceu a falência do Grupo Oi em 25 de agosto de 2026 e encerrou a segunda recuperação judicial. A decretação não provoca o desligamento imediato de todos os serviços: a Anatel acompanha uma transição para preservar as atividades essenciais.

Mais de 9 milhões de empresas fecharam?

Não. Mais de 9,1 milhões de CNPJs estavam inadimplentes em junho de 2026. Parte continua funcionando e pode regularizar as pendências.

Ter compras parceladas significa estar inadimplente?

Não. O parcelamento pode refletir falta de dinheiro para pagar à vista ou uma decisão de preservar caixa. A inadimplência começa quando a obrigação deixa de ser paga no prazo.

Recuperação judicial significa falência?

Não. A recuperação tenta evitar a falência por meio da reorganização das dívidas de uma empresa potencialmente viável.

Fontes consultadas

Esta reportagem foi verificada em 27 de agosto de 2026. A falência da Oi foi restabelecida pelo TJ-RJ em 25 de agosto, mas os serviços essenciais continuam durante a transição acompanhada pela Anatel. Habib’s é uma marca do Grupo Gennius, entidade que teve o processamento da recuperação judicial aceito. Os pedidos de Casas Bahia e Marabraz ainda aguardavam decisão na atualização consultada. Processos, valores, lojas em operação e decisões judiciais podem mudar.

Nota sobre a imagem: a fotografia principal é ilustrativa, foi registrada na Califórnia, nos Estados Unidos, e não mostra uma loja fechada no Brasil. O arquivo é licenciado sob CC BY-SA 2.0.

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