Terremoto de magnitude 7,4 na Colômbia deixa ao menos 111 mortos
Tremor teve epicentro em San José del Palmar, no departamento de Chocó, provocou desabamentos em diferentes cidades e foi seguido por pelo menos 18 réplicas.
Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu o oeste da Colômbia às 7h34 desta segunda-feira, , no horário local. Até o fechamento desta reportagem, havia ao menos 111 mortos, 87 feridos e pessoas presas sob escombros, segundo levantamento da Reuters com autoridades colombianas.
- O epicentro foi localizado em San José del Palmar, no departamento de Chocó, a uma profundidade de 103 quilômetros.
- Edifícios desabaram em diferentes cidades, enquanto seis aeroportos tiveram voos suspensos para inspeções estruturais.
- O Serviço Geológico Colombiano registrou ao menos 18 réplicas e alertou que novos tremores podem ocorrer.
Onde e quando ocorreu o terremoto na Colômbia?
De acordo com o Serviço Geológico Colombiano (SGC), o tremor ocorreu às 7h34 no horário local, equivalente às 9h34 pelo horário de Brasília.
O epicentro foi localizado no município de San José del Palmar, no departamento de Chocó, próximo à costa do Pacífico colombiano. O SGC calculou magnitude 7,4 e profundidade de 103 quilômetros.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) também calculou magnitude 7,4, com profundidade de 107 quilômetros e localização a aproximadamente cinco quilômetros de San José del Palmar. Pequenas diferenças de profundidade e posição são normais porque cada centro utiliza seus próprios dados e métodos de análise.
| Informação | Dado disponível | Fonte |
|---|---|---|
| Magnitude | 7,4 | SGC e USGS |
| Horário | 7h34 na Colômbia e 9h34 em Brasília | SGC |
| Epicentro | San José del Palmar, Chocó | SGC |
| Profundidade | 103 km pelo SGC e 107 km pelo USGS | SGC e USGS |
| Réplicas | Ao menos 18 até o meio-dia local | SGC |
| Mortos | Ao menos 111 | Reuters, com autoridades locais |
| Feridos | Ao menos 87 | Reuters, com autoridades locais |
Os números de vítimas ainda são provisórios. As equipes de emergência continuavam procurando pessoas em construções destruídas, enquanto comunidades mais isoladas de Chocó ainda passavam por avaliação.
Quais cidades foram atingidas?
O terremoto foi sentido em diferentes partes da Colômbia. Mais de 12 mil pessoas, distribuídas por cerca de 900 localidades, enviaram relatos ao formulário “Sismo sentido” do SGC. Também houve relatos de percepção do tremor no Panamá e na Venezuela.
Os maiores danos conhecidos estavam concentrados no oeste colombiano, incluindo áreas de Risaralda, Valle del Cauca, Chocó e Caldas. Houve registros de desabamentos e danos estruturais em cidades como Cali, Pereira, Manizales, Quibdó e Armenia.
Em Cali, moradores e socorristas trabalharam na retirada de escombros de prédios que desabaram. Em Pereira e em outras cidades da região cafeeira, imóveis também foram destruídos ou interditados.
A intensidade máxima informada ao SGC chegou ao nível 7, correspondente a danos severos na escala de intensidade utilizada pelo órgão. Intensidade não é o mesmo que magnitude: a magnitude representa a energia liberada pelo terremoto, enquanto a intensidade descreve como o tremor foi percebido e quais danos causou em cada lugar.
Seis aeroportos tiveram voos suspensos
A autoridade colombiana de aviação civil suspendeu temporariamente as operações nos aeroportos de Pereira, Manizales, Quibdó, Armenia, Cartago e Buenaventura. Engenheiros realizavam inspeções para verificar possíveis danos em pistas, terminais e outras estruturas.
Passageiros com viagens marcadas para essas cidades devem consultar diretamente a companhia aérea e o aeroporto antes de sair de casa. Os horários e cancelamentos podem mudar conforme as inspeções forem concluídas.
Estradas e acessos a comunidades rurais também podem sofrer bloqueios por deslizamentos, queda de objetos ou danos em pontes. O deslocamento sem necessidade para as áreas atingidas pode dificultar a passagem de ambulâncias, bombeiros e equipamentos de resgate.
Por que a magnitude foi divulgada inicialmente como 6,8?
Os primeiros boletins automáticos podem apresentar cálculos diferentes enquanto as redes sismológicas ainda recebem e processam dados. Uma informação preliminar do Centro Sismológico Europeu-Mediterrânico mencionou magnitude 6,8, enquanto sistemas de alerta de tsunami chegaram a trabalhar inicialmente com magnitude 7,1.
Após a revisão, o Serviço Geológico Colombiano e o USGS informaram magnitude 7,4. Esse é o valor que deve ser usado como referência, por resultar de análises posteriores com maior quantidade de registros.
A divergência inicial não indica necessariamente erro ou tentativa de ocultar informações. Magnitude, profundidade e localização costumam ser revisadas nas primeiras horas depois de um terremoto de grande porte.
Há risco de tsunami?
Não foi emitido alerta de tsunami para este evento. O Sistema de Alerta de Tsunami dos Estados Unidos informou que não havia aviso, observação ou ameaça em vigor e que a profundidade do terremoto reduzia a possibilidade de geração de ondas destrutivas.
O tremor ocorreu em terra e em grande profundidade. Tsunamis mais perigosos normalmente estão relacionados a deslocamentos verticais do fundo do mar provocados por terremotos submarinos rasos.
A ausência de alerta de tsunami não elimina os riscos em terra. Réplicas, estruturas instáveis, vazamentos de gás, incêndios, deslizamentos e interrupções de serviços continuam sendo ameaças importantes para as populações atingidas.
Por que a Colômbia tem tantos terremotos?
A Colômbia está em uma região onde interagem as placas tectônicas de Nazca, Sul-Americana e do Caribe. No oeste do país, a placa de Nazca mergulha sob a placa Sul-Americana em um processo chamado subducção.
O movimento acumula tensão nas rochas. Quando essa energia é liberada de forma repentina, ocorre um terremoto. Segundo o SGC, aproximadamente 2.500 eventos sísmicos são detectados por mês na Colômbia, embora a maioria seja pequena demais para ser percebida pela população.
O terremoto desta segunda-feira foi classificado pelo órgão colombiano como o evento de maior magnitude registrado no país durante o século XXI. O último grande desastre sísmico na região cafeeira ocorreu em 25 de janeiro de 1999, quando um terremoto de magnitude 6,2 matou mais de mil pessoas.
Por que um terremoto profundo causou tantos danos?
Em geral, terremotos muito profundos tendem a provocar menos destruição localizada do que eventos rasos de magnitude semelhante. Neste caso, porém, a grande quantidade de energia liberada fez o tremor alcançar uma área extensa.
O SGC explicou que, apesar da profundidade superior a 100 quilômetros, a magnitude elevada impediu que toda a energia se dissipasse antes de chegar à superfície. Condições do solo, qualidade das construções, distância do epicentro e formato das bacias também influenciam o nível de dano.
Regiões formadas por sedimentos mais moles podem amplificar as ondas sísmicas. Edificações antigas, construídas sem critérios adequados de resistência, também são mais vulneráveis a desabamentos.
Réplicas podem continuar por dias ou meses
Até o meio-dia desta segunda-feira, o SGC havia registrado 18 réplicas em San José del Palmar e Sipí, ambas no departamento de Chocó. Elas apresentaram magnitudes entre 1,4 e 4,8.
Réplicas são tremores menores que acontecem depois do evento principal, enquanto a região onde ocorreu a ruptura se ajusta. Elas podem continuar durante dias, semanas ou até meses.
Uma réplica não precisa ter a mesma magnitude do primeiro terremoto para derrubar uma estrutura já danificada. Por isso, moradores não devem retornar a imóveis com rachaduras importantes, inclinação, queda de partes da fachada ou cheiro de gás antes de uma avaliação técnica.
O que fazer durante e depois de um terremoto?
Durante o tremor
- Abaixe-se, proteja a cabeça e permaneça sob uma mesa resistente, se houver uma disponível.
- Afaste-se de janelas, espelhos, estantes, armários e objetos que possam cair.
- Não corra para escadas ou elevadores enquanto o prédio estiver balançando.
- Se estiver na rua, mantenha distância de fachadas, postes, árvores, pontes e cabos elétricos.
- Se estiver dirigindo, pare em local seguro, sem bloquear a passagem de veículos de emergência.
Depois do tremor
- Saia com cuidado se houver dano visível, risco de incêndio ou orientação das autoridades.
- Não acenda fósforos nem opere interruptores quando houver cheiro de gás.
- Use mensagens de texto em vez de chamadas longas para não sobrecarregar as redes.
- Prepare-se para réplicas e mantenha calçados, documentos, água e medicamentos essenciais próximos.
- Não compartilhe previsões, pedidos de doação ou números de vítimas sem verificar a origem.
- Siga as orientações do SGC, da Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres e das autoridades locais.
Existem brasileiros entre as vítimas?
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que, até a divulgação de sua nota, não havia brasileiros identificados entre as vítimas.
O Itamaraty afirmou que o plantão consular permanecia disponível para atender cidadãos brasileiros em situação de emergência. Como as buscas e a identificação das vítimas ainda estavam em andamento, essa informação também pode ser atualizada.
Brasileiros na Colômbia devem avisar familiares sobre sua situação, acompanhar as autoridades locais e evitar deslocamentos para as regiões afetadas. Em uma emergência, a orientação é procurar os canais oficiais da Embaixada do Brasil em Bogotá ou dos consulados brasileiros.
É possível prever um terremoto ou uma réplica?
Não existe método científico capaz de prever a data, o horário, a localização e a magnitude exata de um terremoto. O SGC reforçou que também não é possível indicar com precisão quando ocorrerá uma réplica.
Redes de monitoramento conseguem detectar rapidamente os tremores, revisar sua magnitude e calcular possíveis impactos. Sistemas de alerta antecipado podem, em algumas regiões, avisar com poucos segundos de antecedência depois que a ruptura já começou, mas isso não representa uma previsão.
Mensagens que prometem antecipar um novo grande terremoto em determinado dia devem ser tratadas como desinformação, mesmo quando utilizam termos científicos ou atribuem a previsão a um suposto especialista.
Perguntas frequentes
Qual foi a magnitude do terremoto na Colômbia?
O Serviço Geológico Colombiano e o USGS calcularam magnitude 7,4. Valores menores circularam durante as primeiras avaliações, antes da revisão dos dados.
Onde foi o epicentro?
O epicentro foi localizado em San José del Palmar, no departamento de Chocó, no oeste da Colômbia.
Quantas pessoas morreram?
Até o fechamento desta matéria, havia ao menos 111 mortes e 87 feridos, segundo levantamento da Reuters com autoridades colombianas. O número ainda pode aumentar ou ser revisado.
O terremoto foi sentido em Bogotá?
Sim. O tremor foi sentido na capital e em diferentes regiões do país, além de haver relatos no Panamá e na Venezuela.
Existe risco de tsunami?
Não havia alerta de tsunami em vigor. A grande profundidade do terremoto reduziu a possibilidade de geração de ondas destrutivas.
O terremoto pode atingir o Brasil?
As ondas sísmicas do evento já se propagaram pela região. Não existe indicação de que esse terremoto possa provocar destruição no Brasil. Réplicas permanecem concentradas na área próxima ao evento principal.
Podem ocorrer novos tremores?
Sim. Réplicas são esperadas depois de um terremoto dessa magnitude e podem continuar por dias, semanas ou meses. Não é possível prever exatamente quando ocorrerão.
Fontes consultadas
- Serviço Geológico Colombiano — Atualização sobre o terremoto em San José del Palmar
- USGS — Registro técnico do terremoto de magnitude 7,4 na Colômbia
- Reuters — Mortes, feridos, desabamentos e operações de emergência
- Associated Press — Balanço de vítimas e situação nas áreas afetadas
- Sistema de Alerta de Tsunami dos Estados Unidos — Situação do evento
- Ministério das Relações Exteriores — Situação dos brasileiros na Colômbia
- Wikimedia Commons — Mapa tectônico da Colômbia em domínio público
Esta reportagem foi verificada em 10 de agosto de 2026 com dados do Serviço Geológico Colombiano, USGS, sistema oficial de alerta de tsunami dos Estados Unidos, Itamaraty e levantamentos da Reuters e da Associated Press. A ocorrência continua em desenvolvimento; número de vítimas, danos, réplicas, bloqueios e situação dos aeroportos podem mudar com a chegada de novos balanços oficiais.
Nota sobre a imagem: o mapa mostra o contexto tectônico da Colômbia e foi utilizado de forma ilustrativa. Ele não representa a localização exata do epicentro nem registra os danos provocados pelo terremoto de 10 de agosto de 2026.