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Nesta matéria
  1. O que a NASA divulgou?
  2. A imagem é uma foto verdadeira da Terra?
  3. O que é um geoide?
  4. Por que o geoide parece tão deformado?
  5. A Terra é uma esfera perfeita?
  6. Por que a gravidade não é igual em todos os lugares?
  7. Como os cientistas produziram o modelo?
  8. As cores mostram onde a gravidade é mais forte?
  9. O que existe na grande área azul ao sul da Índia?
  10. Para que serve conhecer o geoide?
  11. A imagem prova que a Terra não é redonda?
  12. A NASA descobriu agora o verdadeiro formato da Terra?
  13. Como interpretar corretamente a imagem?
  14. Perguntas frequentes
  15. Fontes consultadas

Terra não virou uma “batata”: entenda a imagem do geoide divulgada pela NASA

Visualização publicada pela agência espacial mostra variações do campo gravitacional terrestre ampliadas 10 mil vezes; imagem não é uma fotografia nem representa o formato visível do planeta.

A imagem da Terra em formato irregular divulgada pela NASA em não é uma fotografia do planeta deformado. Trata-se de uma visualização tridimensional do geoide, uma superfície matemática relacionada à gravidade, cujas diferenças foram ampliadas 10 mil vezes para que pudessem ser percebidas.

Principais informações:
  • A Terra continua sendo aproximadamente esférica, com um pequeno achatamento nos polos.
  • Os relevos da imagem mostram diferenças gravitacionais e de altura do geoide, não montanhas ou buracos reais daquela proporção.
  • O modelo foi produzido com mais de 1 bilhão de observações feitas durante 15 anos por 19 satélites.

Por — publicado e atualizado em

Visualização tridimensional do geoide terrestre divulgada pela NASA, com áreas azuis e alaranjadas
Visualização do geoide publicada pelo Estúdio de Visualização Científica da NASA. As deformações foram ampliadas 10 mil vezes. Imagem: Mark SubbaRao/NASA Goddard Space Flight Center.

O que a NASA divulgou?

O Estúdio de Visualização Científica da NASA publicou uma representação em imagem, vídeo e modelo interativo 3D do geoide terrestre. O material utiliza o modelo gravitacional GOCO06s, calculado por um consórcio internacional de instituições científicas.

A visualização mostra a região da Ásia, do Oceano Índico, de parte da África e da Oceania. Áreas em azul representam alturas mais baixas do geoide em relação a um elipsoide de referência, enquanto tons próximos do laranja indicam alturas maiores.

A própria legenda da imagem informa que a escala vertical está exagerada 10 mil vezes. Sem essa ampliação, o planeta pareceria praticamente liso e redondo na escala apresentada.

A imagem é uma foto verdadeira da Terra?

Não. A imagem é verdadeira no sentido de que foi criada com medições científicas reais, mas não é uma fotografia capturada por uma câmera. Ela funciona como um mapa tridimensional de dados.

É semelhante a um mapa meteorológico em que cores representam temperaturas. Ninguém acredita que uma área vermelha esteja literalmente pintada de vermelho. Da mesma forma, os tons e deformações do geoide representam valores calculados, e não a aparência visual da superfície terrestre.

Foto da Terra e visualização do geoide: qual é a diferença?
Característica Fotografia da Terra Imagem do geoide
Origem Luz registrada por uma câmera Dados de gravidade processados por computador
O que mostra Nuvens, oceanos e continentes Altura de uma superfície gravitacional de referência
Cores Próximas do espectro visível ou ajustadas Escala artificial para representar valores
Relevo Superfície observada na escala da foto Diferenças ampliadas 10 mil vezes
Finalidade Registrar a aparência do planeta Estudar gravidade, nível do mar e distribuição de massa

O que é um geoide?

O geoide é uma superfície imaginária em que o potencial da gravidade é igual em todos os pontos. Uma forma simples de entendê-lo é imaginar como ficaria o nível médio dos oceanos se não existissem ventos, correntes e a maior parte das marés, e se essa superfície pudesse continuar por baixo dos continentes.

A gravidade atua perpendicularmente ao geoide. Por isso, ele serve como referência física para definir o que é “para cima”, “para baixo” e altitude em relação ao nível do mar.

O geoide não deve ser confundido com a topografia. O Himalaia, o fundo do oceano e os edifícios não aparecem como seu relevo normal. O modelo representa como a distribuição desigual de massa dentro e sobre a Terra modifica o campo gravitacional.

Por que o geoide parece tão deformado?

A maior altura mostrada no modelo é de aproximadamente 85 metros na região da Islândia, enquanto a menor chega a cerca de 106 metros abaixo da referência, ao sul da Índia. A diferença total é de aproximadamente 191 metros.

Esse valor parece grande para uma pessoa, mas é mínimo diante do raio médio terrestre, próximo de 6.371 quilômetros. Para tornar as variações visíveis em uma esfera exibida na tela, a NASA multiplicou a deformação por 10 mil.

Se uma diferença real de 100 metros for representada com essa ampliação, ela aparece no modelo como se fosse de 1.000 quilômetros. É por isso que a Terra ganha a aparência de uma batata amassada.

A Terra é uma esfera perfeita?

Também não. O formato físico aproximado do planeta é chamado de esferoide oblato: a rotação produz uma pequena saliência na região do equador e um achatamento nos polos.

Segundo dados da NASA, o raio equatorial é de aproximadamente 6.378 quilômetros, enquanto o raio polar é de cerca de 6.357 quilômetros. A diferença é de aproximadamente 21 quilômetros no raio, ou 42 quilômetros no diâmetro.

Mesmo essa diferença é pequena em comparação com o tamanho total do planeta. Em fotografias feitas do espaço, a Terra parece redonda porque o achatamento e as irregularidades são discretos nessa escala.

Por que a gravidade não é igual em todos os lugares?

A força sentida em cada região depende da distância até o centro da Terra, da rotação do planeta e da quantidade e densidade de massa próxima. Montanhas, fossas oceânicas, rochas mais densas, grandes estruturas no interior terrestre, gelo e água alteram levemente o campo gravitacional.

A gravidade também muda com o tempo. O deslocamento de água entre oceanos, continentes, aquíferos, geleiras e atmosfera modifica a distribuição de massa. As diferenças são pequenas, mas instrumentos espaciais conseguem medi-las.

Como os cientistas produziram o modelo?

O GOCO06s foi criado a partir de mais de 1 bilhão de observações reunidas ao longo de 15 anos. O cálculo combinou dados de 19 satélites que utilizam diferentes técnicas para detectar alterações no campo gravitacional.

Entre as missões utilizadas estão o GRACE, da NASA em cooperação com instituições alemãs, e o GOCE, da Agência Espacial Europeia. O modelo científico foi publicado em 2021, mas recebeu uma nova visualização da NASA em julho de 2026.

Os satélites do GRACE trabalhavam em dupla, seguindo um atrás do outro. Ao passar por uma região com maior concentração de massa, o primeiro satélite sofria uma atração um pouco diferente, alterando minimamente a distância entre os dois. Instrumentos extremamente precisos registravam essa variação.

As cores mostram onde a gravidade é mais forte?

Na imagem de 2026, a escala principal mostra a altura do geoide em relação ao elipsoide de referência. Azul indica valores mais baixos e laranja representa valores mais altos.

Altura do geoide e intensidade local da gravidade estão relacionadas ao campo gravitacional, mas não são exatamente a mesma medida. Por isso, não é correto interpretar cada área azul apenas como “gravidade fraca” e cada área laranja como “gravidade forte” sem considerar o modelo utilizado.

O que existe na grande área azul ao sul da Índia?

A área é conhecida como a baixa do geoide do Oceano Índico. Ela indica que a superfície gravitacional de referência está mais baixa naquela região do que no elipsoide matemático adotado.

Não existe um buraco visível no oceano, uma depressão com centenas de quilômetros de profundidade nem um local onde navios “descem” abruptamente. A água acompanha gradualmente o campo gravitacional, e a deformação mostrada na imagem foi ampliada artificialmente.

Para que serve conhecer o geoide?

  • Medir o nível do mar: permite separar variações gravitacionais de alterações reais dos oceanos;
  • Estudar correntes oceânicas: ajuda a entender como a água se desloca pelo planeta;
  • Acompanhar geleiras: mudanças de massa alteram o campo gravitacional;
  • Monitorar aquíferos: satélites conseguem detectar perda ou recuperação de água subterrânea;
  • Melhorar altitudes: medições de GPS podem ser convertidas para alturas relacionadas ao nível do mar;
  • Apoiar engenharia: estradas, canais, barragens e levantamentos topográficos dependem de referências verticais precisas;
  • Pesquisar o interior da Terra: anomalias podem indicar diferenças de densidade abaixo da superfície.

A imagem prova que a Terra não é redonda?

Não. A visualização confirma justamente que os cientistas medem a forma e a gravidade do planeta com elevada precisão. “Redonda” é uma descrição cotidiana; “esferoide oblato” é uma aproximação geométrica; “geoide” é uma referência física baseada no campo gravitacional.

Essas descrições não se anulam. Elas respondem a perguntas diferentes. Uma bola de futebol também pode parecer redonda de longe, embora sua superfície tenha costuras e pequenas irregularidades.

A NASA descobriu agora o verdadeiro formato da Terra?

Não. Geoides são estudados há décadas, e imagens semelhantes circulam desde missões anteriores. Em 2014, a própria NASA publicou uma visualização apelidada de “batata gravitacional de Potsdam”.

A novidade de julho de 2026 é a apresentação produzida pelo Estúdio de Visualização Científica com o modelo GOCO06s, incluindo imagem em alta resolução, vídeo e arquivo interativo 3D. O modelo de dados já havia sido descrito cientificamente em 2021.

Como interpretar corretamente a imagem?

  1. Observe a legenda e verifique qual grandeza está sendo representada;
  2. Confira se a escala foi ampliada ou reduzida;
  3. Diferencie fotografia, ilustração e visualização de dados;
  4. Leia os créditos para conhecer o modelo e as missões utilizadas;
  5. Evite compartilhar a imagem com frases como “NASA revela o verdadeiro formato da Terra”;
  6. Consulte a página original antes de tirar conclusões sobre as cores e deformações.

Perguntas frequentes

A imagem do geoide é uma fotografia?

Não. É uma visualização tridimensional criada com dados de satélites e cálculos sobre o campo gravitacional terrestre.

A Terra possui realmente aquele formato irregular?

Não naquela proporção. As diferenças do geoide foram ampliadas 10 mil vezes para ficarem visíveis.

Qual é o formato real da Terra?

A aproximação geométrica mais usada é um esferoide oblato, ligeiramente mais largo no equador e achatado nos polos.

O que significa a cor azul?

Na visualização de 2026, azul representa regiões em que a altura do geoide é menor em relação ao elipsoide de referência.

O que significa a cor laranja?

Representa áreas em que a altura do geoide é maior em relação à referência matemática.

Qual é a maior variação real do modelo?

O geoide varia de aproximadamente 85 metros acima da referência, na Islândia, a 106 metros abaixo, ao sul da Índia.

Por que a NASA exagerou o formato?

Porque diferenças de dezenas de metros seriam invisíveis em uma imagem de um planeta com mais de 12 mil quilômetros de diâmetro.

Para que serve o geoide?

Ele é usado em estudos do nível do mar, oceanos, gelo, água subterrânea, altitudes, cartografia, engenharia e estrutura interna da Terra.

A imagem prova que a Terra é plana?

Não. O modelo é tridimensional, global e produzido com dados orbitais que dependem da forma aproximadamente esférica do planeta.

Fontes consultadas

Fonte original: NASA Scientific Visualization Studio — “The Geoid”.

Nota editorial: a expressão “foto do geoide” é usada nas buscas, mas o material publicado pela NASA é uma visualização científica, não uma fotografia. As deformações foram ampliadas 10 mil vezes e não devem ser interpretadas como a aparência real da superfície terrestre.

Nota sobre a imagem: a visualização é creditada a Mark SubbaRao, do NASA Goddard Space Flight Center, e deve ser reutilizada de acordo com as diretrizes de mídia da NASA, sem sugerir endosso da agência.

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