Taxa das blusinhas pode voltar em setembro: entenda o que o Congresso vai votar
MP 1.357/2026 mantém zerado o Imposto de Importação federal em compras de até US$ 50 no Remessa Conforme, mas precisa passar pelo Congresso até 8 de setembro; sem aprovação, a cobrança de 20% volta no dia 9.
O Congresso Nacional corre contra o prazo para votar a MP 1.357/2026, que permitiu zerar o Imposto de Importação federal sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas por pessoas físicas em plataformas participantes do Remessa Conforme. A medida precisa ser aprovada até ; segundo o Senado, se ela perder a validade, a cobrança de 20% volta em 9 de setembro, afetando compras internacionais em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress.
- Hoje, compras de até US$ 50 no Remessa Conforme têm alíquota federal de importação de 0%, mas continuam pagando ICMS.
- A MP 1.357/2026 precisa passar pela comissão mista, Câmara e Senado até 8 de setembro; líderes do Congresso prometem votar a matéria na próxima semana.
- Se a MP perder a validade, o Senado informa que o Imposto de Importação de 20% voltará a ser cobrado a partir de 9 de setembro.
A taxa das blusinhas realmente pode voltar em setembro?
Sim. A situação atual depende de uma medida provisória que ainda não foi transformada definitivamente em lei.
A chamada “taxa das blusinhas” é o nome popular dado ao Imposto de Importação federal de 20% que passou a atingir, em 2024, compras internacionais de até US$ 50 realizadas dentro do Programa Remessa Conforme.
Em , o governo publicou a Medida Provisória 1.357/2026. Ela modificou a legislação para permitir ao Ministério da Fazenda reduzir a alíquota nessa faixa até zero.
No mesmo dia, a regulamentação do Ministério da Fazenda efetivamente reduziu a alíquota federal para 0% nas compras de até US$ 50 enquadradas nas regras do Remessa Conforme.
Como toda medida provisória, a MP começou a produzir efeitos imediatamente, mas depende da aprovação do Congresso para continuar valendo de forma permanente.
O calendário oficial do Congresso estabelece 8 de setembro de 2026 como prazo final para deliberação. A Rádio Senado informou que, se isso não ocorrer, o imposto de 20% voltará a ser cobrado no dia seguinte, .
O que exatamente o Congresso vai votar?
Há uma diferença técnica importante. O Congresso não está simplesmente votando uma frase dizendo “compras de até US$ 50 não pagam imposto”.
A MP 1.357/2026 altera o Decreto-Lei 1.804/1980 e dá ao ministro da Fazenda poder para modificar as alíquotas aplicadas às remessas internacionais, inclusive para reduzi-las a zero na faixa de até US$ 50.
A redação permite ainda alterações na tributação das remessas de até US$ 3 mil, conforme as condições estabelecidas pelo governo e a participação das empresas em programas de conformidade da Receita Federal.
Foi com base nessa autorização que a Fazenda estabeleceu a regra atualmente aplicada pela Receita.
| Valor aduaneiro | Imposto de Importação | Regra atual |
|---|---|---|
| Até US$ 50 | 0% | Alíquota federal zerada |
| De US$ 50,01 até US$ 3.000 | 60% | Desconto equivalente a US$ 30 no cálculo do Imposto de Importação |
A Receita Federal informa que essas regras são aplicadas às Declarações de Importação de Remessas registradas desde 12 de maio de 2026.
Então uma compra abaixo de US$ 50 está totalmente sem imposto?
Não. Esse é um dos pontos que mais causam confusão.
A MP zerou a cobrança do Imposto de Importação federal para as operações que atendem aos requisitos. O ICMS estadual continua existindo.
Segundo a Receita Federal, atualmente as encomendas internacionais estão sujeitas a uma alíquota de ICMS entre 17% e 20%, dependendo do estado.
| Tributo | Situação atual |
|---|---|
| Imposto de Importação federal | 0% |
| ICMS estadual | 17% a 20%, conforme o estado |
Portanto, dizer que as compras de até US$ 50 ficaram simplesmente “isentas de impostos” não é correto. O que está zerado é especificamente o Imposto de Importação federal.
Quanto pode mudar se a taxa voltar?
Se a MP não for aprovada dentro do prazo, a informação divulgada oficialmente pelo Senado é que a cobrança federal de 20% sobre as compras de até US$ 50 retorna em 9 de setembro.
| Situação | Imposto de Importação federal | ICMS |
|---|---|---|
| Regra atual | 0% | Continua sendo cobrado |
| Se a MP perder a validade | 20%, segundo o Senado | Continua sendo cobrado |
Na prática, isso faria o custo final das pequenas compras internacionais subir novamente, porque o consumidor voltaria a ter o Imposto de Importação federal somado à tributação estadual.
Shein, Shopee e AliExpress entram nessa regra?
Sim, nas compras internacionais enquadradas no Programa Remessa Conforme. A lista oficial mantida pela Receita Federal inclui atualmente AliExpress, Shein e Shopee entre as empresas certificadas.
Isso não significa que qualquer produto comprado nesses aplicativos seja necessariamente uma importação. Plataformas de marketplace também oferecem mercadorias localizadas no Brasil e vendidas por empresas brasileiras.
O consumidor deve verificar no momento da compra se o produto é proveniente do exterior.
Nas compras participantes do Remessa Conforme, as plataformas são obrigadas a apresentar informações sobre os valores cobrados, incluindo produto, frete internacional quando houver, Imposto de Importação e ICMS.
O limite de US$ 50 considera apenas o preço do produto?
Não necessariamente. A Receita utiliza o chamado valor aduaneiro.
Para verificar a faixa de tributação, são considerados:
- valor dos bens;
- frete internacional;
- seguro, quando houver.
Assim, um produto anunciado abaixo de US$ 50 pode ultrapassar o limite da primeira faixa se os demais valores que compõem o valor aduaneiro elevarem a operação acima de US$ 50.
E se a loja não participar do Remessa Conforme?
A situação muda bastante. A alíquota zero de até US$ 50 é uma regra específica para compras realizadas por pessoa física em empresas certificadas no Programa Remessa Conforme.
Segundo a Receita Federal, a regra geral do Regime de Tributação Simplificada para uma encomenda que não esteja enquadrada nas condições especiais é de 60% de Imposto de Importação.
Por isso, antes de concluir uma compra em uma plataforma estrangeira menos conhecida, é importante verificar se ela aparece na relação de empresas certificadas pela Receita.
Qual é a situação da MP da taxa das blusinhas hoje?
Em , a página oficial de tramitação do Congresso registra a comissão mista como instalada.
A comissão havia marcado uma nova reunião para 1º de setembro, mas o próprio sistema do Congresso registrou nesta quinta-feira que a 2ª reunião foi antecipada para 28 de agosto.
Depois da comissão, a MP precisa seguir para votação no plenário da Câmara dos Deputados e depois para o Senado Federal.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou em 26 de agosto que a matéria será deliberada durante o período de esforço concentrado do Congresso previsto entre 31 de agosto e 4 de setembro.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, também afirmou depois de reunião com Alcolumbre e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o Congresso pretende votar a medida na próxima semana.
Qual será o caminho da votação?
- Comissão mista: deputados e senadores analisam a MP e produzem um parecer.
- Câmara dos Deputados: o texto aprovado pela comissão segue para votação dos deputados.
- Senado Federal: se aprovado na Câmara, vai para votação dos senadores.
- Conclusão: se for aprovado sem alteração de mérito, o texto pode ser promulgado como lei pelo presidente da Mesa do Congresso. Se houver um projeto de lei de conversão com mudanças, o texto segue para sanção presidencial.
Uma rejeição em qualquer uma das Casas encerra a tramitação da medida provisória.
Congresso pode mudar o texto antes de aprovar?
Sim. Esse é outro ponto importante para quem acompanha apenas a discussão sobre “acabar ou não com a taxa”.
O Congresso registra 112 emendas apresentadas à MP 1.357/2026. Elas incluem propostas relacionadas às alíquotas, categorias de produtos, indústria nacional e outras condições do regime de importação.
A existência dessas emendas não significa que todas serão aprovadas. O parecer da comissão poderá rejeitar a maior parte delas, aceitar algumas ou propor um texto diferente.
Portanto, até a conclusão das votações, existem basicamente três grandes possibilidades:
- aprovação da regra atual;
- aprovação com alterações feitas pelo Congresso;
- rejeição ou perda de validade da MP.
O que acontece se a Câmara aprovar, mas o Senado não votar até 8 de setembro?
A medida precisa completar sua tramitação dentro do prazo constitucional. Apenas uma votação da Câmara não é suficiente para transformar a MP definitivamente em lei.
Segundo o calendário oficial do Congresso Nacional, o prazo de deliberação termina em 8 de setembro de 2026.
Por isso, os presidentes das duas Casas indicaram que pretendem concentrar a análise da matéria antes dessa data.
Alcolumbre afirmou que o texto passará pela comissão, pelo plenário da Câmara e pelo plenário do Senado, e disse que a MP não deverá caducar.
A declaração indica intenção política de votar o texto, mas não equivale à aprovação. Deputados e senadores ainda precisam votar a proposta.
Por que o prazo é 8 de setembro?
A MP foi publicada em 12 de maio e teve sua vigência prorrogada. O Congresso registra atualmente como o prazo final para sua deliberação.
O calendário passou por ajustes durante a tramitação, inclusive devido às regras constitucionais sobre a contagem dos prazos das medidas provisórias e o funcionamento da sessão legislativa.
Independentemente desses cálculos anteriores, o que importa para o consumidor neste momento é que 8 de setembro é a data final registrada oficialmente pelo Congresso.
Linha do tempo da taxa das blusinhas em 2026
- Até 11 de maio: compras de até US$ 50 no Remessa Conforme pagavam 20% de Imposto de Importação federal.
- 12 de maio: publicação da MP 1.357/2026 e início da nova regra que permitiu zerar a alíquota federal.
- Desde 12 de maio: Receita aplica alíquota de 0% para compras de até US$ 50 no Remessa Conforme.
- 3 de julho: vigência da MP é formalmente prorrogada.
- 12 de agosto: comissão mista da MP é instalada.
- 27 de agosto: Congresso registra antecipação da segunda reunião da comissão para 28 de agosto.
- 31 de agosto a 4 de setembro: período de esforço concentrado em que líderes prometem votar a matéria.
- 8 de setembro: prazo final atualmente registrado para aprovação da MP.
- 9 de setembro: segundo o Senado, cobrança federal de 20% volta caso a medida perca a validade.
Por que o governo decidiu zerar a taxa?
Na exposição de motivos da MP, o governo afirma que a flexibilização das alíquotas busca melhorar a conformidade tributária e aduaneira, aumentar a formalização das operações e dar maior capacidade de adaptação ao crescimento do comércio eletrônico internacional.
O Executivo também apresentou a redução de impostos sobre produtos de consumo popular como uma forma de beneficiar especialmente consumidores de menor renda.
Davi Alcolumbre utilizou argumento semelhante ao defender a aprovação da MP. Segundo o presidente do Senado, a medida beneficia milhões de brasileiros que utilizam compras internacionais para adquirir produtos de baixo valor.
Por que parte da indústria quer a volta da taxa?
O outro lado da discussão é representado principalmente por empresas e entidades da indústria nacional, que afirmam que a tributação menor dos produtos importados cria uma diferença de custos em relação às mercadorias fabricadas e vendidas no Brasil.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou em 26 de agosto uma nota técnica defendendo a manutenção do imposto de importação.
Segundo estimativa produzida pela própria entidade, a retirada da cobrança poderia colocar em risco 109 mil empregos e cerca de R$ 21,8 bilhões em produção doméstica em 2026.
Esses números representam uma estimativa da CNI, entidade que participa do debate em defesa da indústria brasileira, e não uma projeção oficial da Receita Federal ou um resultado já observado.
A discussão no Congresso coloca, portanto, dois interesses econômicos diretamente em disputa: de um lado, consumidores que conseguem comprar mercadorias estrangeiras por um preço menor; de outro, fabricantes e varejistas nacionais que argumentam enfrentar concorrência tributária desigual.
O imposto foi criado pela Shein, Shopee ou AliExpress?
Não. Tributos não são criados pelas plataformas comerciais.
A cobrança é definida pela legislação brasileira e administrada pelos órgãos tributários. As empresas participantes do Remessa Conforme atuam principalmente no recolhimento antecipado dos valores devidos e no envio das informações da encomenda para a Receita.
Nas plataformas certificadas, o consumidor normalmente vê os impostos calculados antes de finalizar o pagamento.
O que o consumidor deve observar antes de comprar?
Enquanto o Congresso não concluir a votação, a regra atual continua valendo. Para evitar surpresas, o comprador pode conferir alguns pontos antes de pagar:
- se a mercadoria será enviada do Brasil ou do exterior;
- se a plataforma participa do Remessa Conforme;
- o valor do produto;
- o valor do frete internacional;
- o valor do Imposto de Importação indicado na tela;
- o ICMS informado;
- o valor final da operação antes de confirmar o pagamento.
Para compras feitas em plataformas certificadas, a Receita determina que os valores da operação e dos tributos sejam apresentados ao comprador.
Também é importante evitar supostas cobranças posteriores enviadas por links desconhecidos. A Receita Federal alerta que não envia boletos, não telefona e não envia e-mails cobrando esses impostos.
Preciso correr para comprar antes de setembro?
Não há razão para tratar a volta da taxa como fato consumado antes da votação. Os presidentes da Câmara e do Senado declararam que pretendem analisar a MP antes do vencimento.
Ao mesmo tempo, a aprovação ainda depende das votações previstas no Congresso. Quem estiver planejando uma compra deve considerar o valor final exibido pela plataforma no momento do pagamento, e não apenas a expectativa de que a regra atual ou uma eventual cobrança futura será mantida.
Também é importante lembrar que uma encomenda comprada em determinado dia pode ter sua Declaração de Importação de Remessa registrada posteriormente. A aplicação operacional das regras é feita de acordo com os critérios estabelecidos pela Receita Federal, portanto mudanças próximas da data-limite merecem acompanhamento.
Perguntas frequentes sobre a taxa das blusinhas
A taxa das blusinhas acabou?
O Imposto de Importação federal de 20% está atualmente zerado para compras de até US$ 50 feitas por pessoa física em empresas participantes do Remessa Conforme. A medida ainda depende de aprovação definitiva do Congresso.
Quando a taxa das blusinhas pode voltar?
Segundo o Senado, se a MP 1.357/2026 não for aprovada até 8 de setembro, a cobrança federal de 20% volta em 9 de setembro de 2026.
Quem compra na Shein ainda paga imposto?
Em compras internacionais de até US$ 50 enquadradas no Remessa Conforme, o Imposto de Importação federal está zerado, mas o ICMS continua sendo cobrado.
Shopee participa do Remessa Conforme?
Sim. A Shopee aparece na lista oficial de empresas certificadas mantida pela Receita Federal.
AliExpress participa do Remessa Conforme?
Sim. O AliExpress também consta na relação oficial de empresas certificadas.
Shein participa do Remessa Conforme?
Sim. A Shein consta na lista oficial da Receita Federal.
Compras de até US$ 50 estão totalmente livres de impostos?
Não. A alíquota federal de importação é de 0% dentro das condições do programa, mas continua existindo ICMS estadual, atualmente entre 17% e 20%, conforme o estado.
O que acontece com compras acima de US$ 50?
Atualmente, compras entre US$ 50,01 e US$ 3.000 dentro das condições do Remessa Conforme têm Imposto de Importação de 60%, com desconto equivalente a US$ 30 sobre o imposto calculado.
Qual é o número da MP da taxa das blusinhas?
É a Medida Provisória 1.357, de 12 de maio de 2026.
O Congresso já aprovou o fim definitivo da taxa?
Não até a verificação desta matéria, em 27 de agosto de 2026. A comissão mista está instalada e a matéria ainda precisa completar as votações no Congresso.
Quando o Congresso pretende votar?
Davi Alcolumbre e Hugo Motta anunciaram a intenção de concluir a análise durante o próximo esforço concentrado. O período indicado vai de 31 de agosto a 4 de setembro, antes do prazo final de 8 de setembro.
Fontes consultadas
- Senado Federal — Alcolumbre anuncia votação da MP da taxa das blusinhas
- Congresso Nacional — Tramitação oficial da MPV 1.357/2026
- Câmara dos Deputados — Texto integral da Medida Provisória 1.357/2026
- Câmara dos Deputados — Hugo Motta anuncia intenção de votar a medida
- Receita Federal — Regras atuais de tributação das encomendas internacionais
- Receita Federal — Tabela do Imposto de Importação em vigor desde 12 de maio de 2026
- Receita Federal — Como funciona o Programa Remessa Conforme
- Receita Federal — Lista de empresas certificadas no Remessa Conforme
- Confederação Nacional da Indústria — Estudo sobre os efeitos econômicos do fim da cobrança
- Senado Federal — Regras de tramitação e conclusão de medidas provisórias
- Wikimedia Commons — Fotografia ilustrativa de fiscalização aduaneira, CC BY-SA 4.0
Nota editorial: a tramitação e as regras tributárias foram verificadas em 27 de agosto de 2026 em páginas oficiais do Congresso Nacional, Senado Federal, Câmara dos Deputados e Receita Federal. A votação ainda não foi concluída. O Congresso registra 8 de setembro como prazo final da MP, e o Senado informa que a cobrança federal de 20% sobre remessas de até US$ 50 retorna em 9 de setembro se a medida perder a validade. O texto poderá ser alterado durante sua tramitação, por isso esta matéria deve ser atualizada na mesma URL após as votações da comissão, Câmara e Senado.
Nota sobre a imagem: a fotografia utilizada é ilustrativa e mostra fiscalização aduaneira no Aeroporto de Schiphol, nos Países Baixos. Não representa uma operação relacionada à Receita Federal, à Shein, à Shopee ou ao AliExpress. O arquivo foi publicado por Amin sob licença Creative Commons CC BY-SA 4.0.