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Nesta matéria
  1. O que aconteceu com o Sistema Cantareira?
  2. Por que o Sistema Cantareira voltou a aparecer nas buscas?
  3. Choveu quase o dobro da média de setembro
  4. Se choveu tanto, por que o Cantareira ainda está em alerta?
  5. Cantareira chegou aos piores níveis desde a crise de 2014 e 2015
  6. A chuva forte resolve o problema?
  7. O problema não é apenas quanto chove, mas como chove
  8. Vazão importa tanto quanto o nível da represa
  9. São Paulo vai ter racionamento de água?
  10. A redução de pressão continua mesmo depois das chuvas?
  11. O Cantareira não trabalha sozinho
  12. O Cantareira pode voltar ao volume morto?
  13. Quanto o Cantareira representa para São Paulo?
  14. O que observar nas próximas semanas
  15. Como o nível do Cantareira chegou à situação atual
  16. Perguntas frequentes sobre o Sistema Cantareira
  17. Fontes consultadas

BRASIL

Sistema Cantareira volta a subir com chuvas fortes, mas ainda opera em alerta em São Paulo

Reservatórios receberam quase 10 bilhões de litros em apenas 24 horas e setembro já superou a média histórica de chuva. A recuperação traz alívio, mas ainda não elimina o déficit acumulado nem as medidas para preservar água na Grande São Paulo.

O Sistema Cantareira, principal manancial da Região Metropolitana de São Paulo, voltou a ganhar água depois das fortes chuvas de setembro de 2026. Entre 10 e 11 de setembro, os reservatórios receberam quase 10 bilhões de litros em apenas 24 horas, o maior ganho diário desde março. Mesmo assim, o sistema continua oficialmente na Faixa de Alerta e ainda depende das chuvas dos próximos meses para recompor o volume perdido durante o período de seca.

Principais informações:
  • O Cantareira ganhou quase 10 bilhões de litros entre 10 e 11 de setembro e chegou a 34,8% do volume útil naquela data.
  • Até 11 de setembro, haviam sido registrados 157,1 mm de chuva no sistema, quase o dobro da média histórica de 78,8 mm para todo o mês.
  • Apesar da melhora, ANA e SP Águas mantêm o Cantareira na Faixa de Alerta, e a redução da pressão da água durante a noite continua na Grande São Paulo.

Por

Represa Atibainha, um dos reservatórios que integram o Sistema Cantareira em São Paulo
Represa Atibainha, em Nazaré Paulista, integra o Sistema Cantareira. A fotografia é histórica e não mostra o nível atual do reservatório. Foto: Fabricio Macedo, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.

O que aconteceu com o Sistema Cantareira?

Depois de meses de preocupação com a redução das reservas, setembro começou com uma mudança rápida no comportamento do Cantareira.

Entre quinta-feira, 10 de setembro, e sexta-feira, 11, o sistema ganhou aproximadamente 9,8 bilhões de litros de água. O aumento corresponde a cerca de 1% de toda a capacidade útil considerada no sistema e foi o maior registrado em um único dia desde 13 de março de 2026.

Segundo dados divulgados a partir dos registros da Sabesp, o ganho equivale aproximadamente à quantidade de água captada durante cinco dias para abastecer a Grande São Paulo, sem considerar o reforço recebido pela interligação com o Rio Paraíba do Sul.

O volume útil havia encerrado agosto em 32,99%. Em 11 de setembro, depois da sequência de chuvas, estava em aproximadamente 34,8%.

O movimento chamou atenção justamente porque setembro costuma marcar a parte final da estação seca. Desta vez, uma sequência de frentes frias antecipou volumes de chuva normalmente associados a uma fase mais avançada da temporada chuvosa.

Por que o Sistema Cantareira voltou a aparecer nas buscas?

O aumento do interesse pelo Cantareira coincide com uma sequência de notícias publicadas nos últimos dias.

Primeiro veio o forte aumento no nível provocado pelas chuvas. Depois, em , um levantamento publicado pelo Metrópoles colocou em discussão uma questão mais ampla: o padrão de chuvas e da entrada de água no Cantareira aparentemente mudou nas últimas décadas.

A análise examinou 191 meses de dados desde outubro de 2010 e encontrou chuva abaixo da média histórica em 68% das observações mensais. A vazão natural, que mede a quantidade de água que efetivamente chega ao sistema, ficou abaixo da média em 91% dos meses analisados.

Isso ajuda a explicar por que uma semana muito chuvosa pode coexistir com preocupação de longo prazo. O reservatório recebeu bastante água agora, mas vem de um período prolongado em que a entrada ficou abaixo do padrão esperado.

Choveu quase o dobro da média de setembro

Até 11 de setembro, o Cantareira havia acumulado 157,1 milímetros de chuva. A média histórica para o mês inteiro é de 78,8 mm.

Isso significa que, em apenas 11 dias, o total registrado chegou a praticamente duas vezes o esperado para setembro inteiro.

Situação recente do Sistema Cantareira
Indicador Dado
Volume útil em 31 de agosto 32,99%
Volume útil em 11 de setembro Aproximadamente 34,8%
Ganho entre 10 e 11 de setembro Quase 10 bilhões de litros
Chuva acumulada até 11 de setembro 157,1 mm
Média histórica de setembro 78,8 mm
Faixa operacional em setembro Faixa 3, Alerta
Captação máxima autorizada da Sabesp 27 m³/s

O dado é positivo, mas precisa ser interpretado com cuidado. A chuva não se transforma automaticamente, na mesma proporção, em água armazenada.

Se choveu tanto, por que o Cantareira ainda está em alerta?

Porque o sistema começou setembro com um déficit acumulado.

O Cantareira encerrou agosto com apenas 33% do volume útil. No final de julho eram 36,67%. A queda colocou o sistema novamente dentro da faixa de 30% a 40%, classificada pelas regras da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e da SP Águas como Faixa 3, Alerta.

A classificação é definida com base no volume existente no último dia útil do mês anterior. Por isso, as chuvas que chegaram durante setembro não retiraram automaticamente o sistema dessa condição operacional.

Enquanto permanecer na Faixa de Alerta, a Sabesp pode retirar do Cantareira até 27 metros cúbicos de água por segundo para a Região Metropolitana de São Paulo. Em condições consideradas normais pelas regras de operação, o limite pode chegar a 33 m³/s.

Cantareira chegou aos piores níveis desde a crise de 2014 e 2015

A preocupação atual não começou em setembro.

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, Cemaden, informou que entre outubro de 2025 e janeiro de 2026 o Cantareira atingiu seus menores níveis desde a crise hídrica de 2014 e 2015.

Em janeiro de 2026, o armazenamento chegou a aproximadamente 19% do volume útil. Chuvas mais fortes em fevereiro e março permitiram uma recuperação, e o sistema passou de 40% no início da estação seca.

A melhora não foi suficiente para criar uma reserva confortável para atravessar os meses seguintes. Em julho o nível voltou para 36,67% e terminou agosto abaixo de 33%.

O boletim do Cemaden publicado em 10 de setembro classificou o quadro acumulado como de seca fraca na escala de seis meses e seca moderada quando observado o período de 12 meses.

A chuva forte resolve o problema?

Ainda não.

As chuvas de setembro mudaram o cenário de curto prazo e reduziram a pressão sobre os reservatórios, mas o Cemaden continua afirmando que a recuperação do Cantareira dependerá da próxima estação chuvosa.

O sistema terminou a temporada de chuvas de 2025 e 2026 com armazenamento abaixo do considerado ideal. Por isso, precisa acumular água suficiente entre a primavera e o verão para chegar ao período seco de 2027 em situação mais confortável.

A projeção mais recente do Cemaden, divulgada antes da maior parte das chuvas observadas em setembro, calculava que, em um cenário de precipitação dentro da média histórica, o Cantareira poderia terminar setembro com cerca de 36% do volume útil, ainda dentro da Faixa de Alerta.

O próprio órgão alerta que essas projeções mudam conforme a chuva realmente observada, a quantidade de água retirada e o volume transferido de outros sistemas.

O problema não é apenas quanto chove, mas como chove

A discussão que ganhou força em 14 de setembro vai além do nível atual das represas.

Camila Viana, diretora-presidente da SP Águas, afirmou ao Metrópoles que os modelos do órgão já trabalham com cenários de apenas 60%, 70% ou 80% das antigas médias históricas porque esse comportamento tem aparecido repetidamente nos últimos anos.

Um dos problemas é a concentração da chuva. Grandes tempestades podem despejar muita água em poucas horas, mas isso não significa necessariamente maior recuperação dos reservatórios.

Parte da água pode escorrer rapidamente pela superfície em vez de penetrar no solo e alimentar rios e nascentes de forma contínua.

Quando o solo passa muito tempo seco, parte da precipitação também precisa primeiro recuperar sua umidade antes que o fluxo de água para os reservatórios aumente de maneira consistente.

É possível, portanto, registrar chuva acima da média e, ao mesmo tempo, vazões abaixo do esperado.

Vazão importa tanto quanto o nível da represa

O nível do Cantareira costuma receber maior atenção, mas a vazão natural é um dos indicadores mais importantes para entender a situação.

Ela representa a água que chega naturalmente ao conjunto de reservatórios por rios, córregos e áreas de drenagem.

Em agosto, por exemplo, a chuva ficou em aproximadamente 97% da média histórica, mas a vazão afluente alcançou somente 67% do esperado para o período, segundo o Cemaden.

Nos primeiros 11 dias de setembro, o quadro mudou. A vazão média ficou em aproximadamente 38,9 m³/s, acima da média histórica do mês, de cerca de 23,5 m³/s.

No intervalo mais chuvoso entre 10 e 11 de setembro, a entrada chegou temporariamente a níveis muito superiores, provocando o aumento rápido observado no armazenamento.

São Paulo vai ter racionamento de água?

Não existe anúncio oficial de um rodízio geral de água na Grande São Paulo nas fontes consultadas até 14 de setembro. Isso não significa que o abastecimento esteja operando sem nenhuma restrição.

A Sabesp mantém a chamada Gestão de Demanda Noturna, que reduz a pressão da rede durante oito horas por dia na Região Metropolitana de São Paulo.

A medida diminui perdas causadas por vazamentos e reduz a quantidade retirada dos mananciais durante os horários de menor consumo.

Dependendo da localização do imóvel, da altura do terreno e da existência de caixa-d'água adequada, moradores podem perceber queda maior da pressão durante esse período.

A redução de pressão é diferente de um rodízio tradicional, no qual determinadas regiões ficam com o fornecimento programadamente interrompido por períodos definidos.

A redução de pressão continua mesmo depois das chuvas?

Sim. A recuperação registrada em setembro ainda é recente demais para eliminar as medidas preventivas.

A Arsesp manteve a redução noturna por oito horas. Segundo dados divulgados pela agência e pela Sabesp, a medida já poupou aproximadamente 193 bilhões de litros desde sua implantação.

A estratégia é preservar água enquanto os órgãos acompanham a recuperação do conjunto de mananciais que abastece a Região Metropolitana.

O Cantareira não trabalha sozinho

Outra diferença em relação à crise de 2014 está na existência de novas estruturas de segurança hídrica.

Desde 2018, o Cantareira possui uma interligação com o reservatório Jaguari, na bacia do Rio Paraíba do Sul. A estrutura permite transferir água para a represa Atibainha.

Para setembro de 2026, a ANA autorizou a manutenção dessa transferência respeitando uma vazão média diária de até 8,5 m³/s e os demais limites definidos pelas regras operacionais.

Esse reforço não substitui a chuva, mas oferece uma margem adicional para administrar o sistema durante períodos de menor entrada natural.

O Cantareira pode voltar ao volume morto?

Não há indicação, neste momento, de que o sistema esteja prestes a recorrer novamente à reserva técnica conhecida popularmente como volume morto.

O volume morto fica abaixo das estruturas normais de captação e precisa ser bombeado. Ele foi utilizado durante a crise de 2014 e 2015, quando os reservatórios atingiram níveis extremamente baixos.

O Cantareira chegou a aproximadamente 19% em janeiro de 2026, mas recuperou parte do armazenamento nos meses seguintes e permanece acima desse patamar.

Ainda assim, os órgãos de monitoramento mantêm cautela porque uma nova sequência de meses com chuva e vazão abaixo da média poderia voltar a pressionar as reservas.

Quanto o Cantareira representa para São Paulo?

O Sistema Cantareira é o maior produtor de água da Região Metropolitana de São Paulo.

Segundo a ANA, em condições normais ele pode fornecer aproximadamente 33 mil litros por segundo e responde pelo abastecimento de cerca de 46% da população metropolitana.

O conjunto principal é formado pelos reservatórios Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, conectados por canais e túneis.

A capacidade útil é de aproximadamente 981,56 bilhões de litros.

O que observar nas próximas semanas

O dado mais importante agora não será apenas saber se voltou a chover, mas verificar se a recuperação continua.

Se o volume subir de forma consistente durante setembro e a entrada de água permanecer elevada em outubro e novembro, o sistema poderá começar a próxima estação seca em uma posição mais segura.

Se as chuvas voltarem a ficar concentradas em poucos eventos e a vazão natural cair novamente, o ganho registrado nesta primeira metade de setembro poderá representar apenas um alívio temporário.

A classificação operacional de outubro será definida a partir do volume observado no último dia útil de setembro. Esse dado indicará se o Cantareira conseguirá sair da atual Faixa de Alerta ou se continuará com limite reduzido de captação.

Como o nível do Cantareira chegou à situação atual

  • Outubro de 2025 a janeiro de 2026: o sistema registra seus menores níveis desde a crise hídrica de 2014 e 2015.
  • 14 de janeiro de 2026: armazenamento chega a aproximadamente 19% do volume útil.
  • Fevereiro e março: chuvas ajudam o sistema a recuperar parte das reservas.
  • 30 de junho: Cantareira termina o mês perto de 40%.
  • 31 de julho: volume cai para 36,67% e o sistema permanece na Faixa de Alerta.
  • 31 de agosto: volume recua para 32,99%, mantendo a classificação de Alerta em setembro.
  • 10 de setembro: chuva acumulada já supera a média histórica esperada para todo o mês.
  • 10 a 11 de setembro: quase 10 bilhões de litros entram no sistema em 24 horas.
  • 11 de setembro: volume útil chega a aproximadamente 34,8%.
  • 14 de setembro: novo levantamento sobre 15 anos de chuva e vazão volta a colocar o comportamento do Cantareira em discussão.

Perguntas frequentes sobre o Sistema Cantareira

O nível do Cantareira está subindo?

Sim. As chuvas fortes do início de setembro interromperam a sequência recente de queda. Entre 1º e 11 de setembro, o volume passou de cerca de 33,1% para 34,8%.

Por que o Cantareira continua em alerta?

Porque o sistema terminou agosto com 32,99% do volume útil. Pelas regras da ANA e da SP Águas, volumes entre 30% e 40% colocam o Cantareira na Faixa 3, chamada de Alerta.

São Paulo corre risco de ficar sem água?

O quadro exige acompanhamento, mas não há anúncio de um rodízio geral. A Grande São Paulo continua com medidas de preservação, como redução da pressão da rede durante oito horas por dia.

As chuvas de setembro resolveram a crise?

Não. Elas melhoraram o cenário de curto prazo, mas o sistema ainda carrega déficit acumulado e depende da próxima temporada de chuvas para uma recuperação mais consistente.

Quanto choveu no Cantareira em setembro?

Até 11 de setembro haviam sido registrados 157,1 mm, contra uma média histórica de 78,8 mm para todo o mês.

O Cantareira pode sair da Faixa de Alerta?

Sim, caso o armazenamento continue aumentando. A classificação seguinte dependerá do volume observado no fechamento de setembro e das regras de operação vigentes.

O que é o volume morto?

É a água armazenada abaixo da cota normal de captação dos reservatórios. Para utilizá-la é necessário bombeamento. Essa reserva foi usada durante a crise hídrica de 2014 e 2015.

Fontes consultadas

Nota editorial: matéria verificada em 14 de setembro de 2026. Os percentuais de armazenamento variam diariamente conforme chuva, vazões, captação e transferências entre sistemas. O valor de aproximadamente 34,8% citado no texto corresponde aos dados disponíveis para 11 de setembro. Projeções do Cemaden são cenários hidrológicos e não garantem o nível que será efetivamente registrado no fim do mês. A situação deve ser acompanhada pelos boletins atualizados da ANA, SP Águas, Cemaden e Sabesp.

Nota sobre a imagem: a fotografia da Represa Atibainha foi produzida em 2015 e é usada apenas para identificar um dos reservatórios do Sistema Cantareira. Ela não representa o nível observado em setembro de 2026. O arquivo está disponível no Wikimedia Commons sob licença CC BY-SA 4.0.

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