Pular para o conteúdo
12 min de leitura
Nesta matéria
  1. Quantos casos de sarampo o Brasil tem em 2026?
  2. Por que o sarampo voltou a preocupar?
  3. Por que o sarampo se espalha tão facilmente?
  4. Quais são os sintomas do sarampo?
  5. Quem precisa tomar vacina contra sarampo?
  6. Não tenho certeza se tomei a vacina. O que fazer?
  7. Bebês menores de 1 ano podem tomar vacina?
  8. Quem não deve tomar a tríplice viral?
  9. Quem está com suspeita de sarampo deve tomar a vacina imediatamente?
  10. O que fazer se aparecerem febre e manchas vermelhas?
  11. Sarampo pode causar complicações graves
  12. Existe tratamento para o sarampo?
  13. As Américas vivem o pior cenário em mais de duas décadas
  14. Brasil já perdeu o certificado de eliminação uma vez
  15. O que fazer agora?
  16. Perguntas frequentes sobre sarampo
  17. Fontes consultadas

SAÚDE

Sarampo volta a preocupar o Brasil: quem precisa se vacinar e quais são os sintomas

Brasil chegou a 29 casos confirmados em 2026, enquanto as Américas enfrentam o maior número de registros em 22 anos; veja o esquema da tríplice viral no SUS e quando procurar atendimento.

O sarampo voltou a exigir atenção no Brasil em 2026: até a semana epidemiológica 35, o Ministério da Saúde havia confirmado 29 casos, sendo 28 em São Paulo e um no Rio de Janeiro. O país continua oficialmente livre da circulação endêmica do vírus, mas o aumento de casos nas Américas e uma cadeia de transmissão identificada em São Paulo levaram as autoridades a reforçar vacinação e vigilância.

Principais informações:
  • Crianças recebem a primeira dose contra o sarampo aos 12 meses e a segunda aos 15 meses; pessoas até 29 anos sem esquema completo precisam de duas doses e, dos 30 aos 59 anos, a rotina prevê uma dose.
  • Febre alta, manchas vermelhas, tosse, coriza, conjuntivite e mal-estar estão entre os principais sinais que justificam procurar um serviço de saúde.
  • O Brasil continua com certificação de eliminação da circulação endêmica, mas registrou casos em 2026 e as Américas atravessam o pior cenário para sarampo em 22 anos.

Por |

Manchas avermelhadas características do sarampo na pele de um paciente
Pele de paciente com manchas causadas pelo sarampo, três dias após o início da erupção cutânea. Foto histórica de 1958: CDC/Dr. Heinz F. Eichenwald, via Wikimedia Commons . Imagem em domínio público por ser obra do governo federal dos Estados Unidos.

Quantos casos de sarampo o Brasil tem em 2026?

O dado mais recente disponível na página epidemiológica do Ministério da Saúde, consultada em 4 de setembro, informa 29 casos confirmados até a semana epidemiológica 35.

São 28 registros no estado de São Paulo, incluindo casos na capital, em São Bernardo do Campo e em Guarulhos, além de um caso no Rio de Janeiro.

Em atualização anterior, publicada em 28 de agosto, o Ministério informava que 24 dos então 27 casos estavam relacionados a uma cadeia de transmissão ativa iniciada em junho no estado de São Paulo. Outros três casos anteriores eram considerados encerrados após 12 semanas sem novas ocorrências associadas.

Como a classificação epidemiológica pode mudar durante a investigação, o número de casos relacionados a uma mesma cadeia pode ser atualizado pelas autoridades.

O crescimento merece atenção, mas é importante evitar uma conclusão errada: o Brasil não perdeu novamente o certificado de eliminação do sarampo.

O país recuperou em novembro de 2024 a certificação da Organização Pan-Americana da Saúde, OPAS, de eliminação da circulação endêmica. Casos importados, isolados ou cadeias interrompidas não significam automaticamente que a transmissão endêmica voltou a se estabelecer.

Por que o sarampo voltou a preocupar?

O problema não está apenas no número brasileiro.

A OPAS informou em agosto que as Américas registram em 2026 o maior número de casos confirmados de sarampo dos últimos 22 anos.

Até a semana epidemiológica 28, encerrada em 18 de julho, haviam sido registrados 47.459 casos confirmados e 44 mortes na região.

Quando o vírus circula intensamente em outros países, aumenta a possibilidade de uma pessoa infectada viajar e introduzi-lo em um local onde existam grupos sem proteção adequada.

Esse é um dos motivos pelos quais manter a vacinação em dia é importante mesmo quando uma cidade ou estado não registra casos.

Por que o sarampo se espalha tão facilmente?

O sarampo é uma das doenças infecciosas mais contagiosas.

Segundo o Ministério da Saúde, a transmissão ocorre pelo ar quando uma pessoa infectada tosse, espirra, fala ou até respira. Entre pessoas próximas que não possuem imunidade, o vírus pode infectar cerca de 90% dos expostos.

Outro problema é que a transmissão pode começar antes de as manchas vermelhas aparecerem. O Ministério considera possível transmitir o vírus no período que vai de seis dias antes até quatro dias depois do surgimento do exantema.

Isso ajuda a explicar por que apenas identificar e isolar pessoas já cobertas pelas manchas não é suficiente para interromper uma cadeia de transmissão.

Quais são os sintomas do sarampo?

A definição usada pela vigilância considera especialmente a combinação de febre e manchas vermelhas na pele acompanhadas de tosse, coriza ou conjuntivite.

Os sintomas mais importantes são:

  • febre, que pode ser alta;
  • manchas vermelhas no corpo;
  • tosse;
  • coriza;
  • olhos vermelhos ou conjuntivite;
  • mal-estar intenso.

As manchas costumam aparecer inicialmente no rosto e atrás das orelhas e depois se espalham pelo restante do corpo.

O Ministério da Saúde alerta especialmente para a persistência da febre após o aparecimento das manchas, situação que pode indicar maior gravidade, principalmente em crianças menores de 5 anos.

Nem toda febre acompanhada de manchas é sarampo. Dengue, rubéola, reações a medicamentos e outras infecções podem produzir manifestações parecidas. A confirmação deve ser feita pelo serviço de saúde, com avaliação clínica e exames quando indicados.

Quem precisa tomar vacina contra sarampo?

A proteção está disponível gratuitamente no SUS principalmente pela vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Crianças também podem receber a vacina tetraviral, que acrescenta proteção contra varicela.

Esquema de vacinação contra o sarampo no SUS em 2026
Pessoa Recomendação de rotina
Criança com 12 meses Primeira dose da tríplice viral
Criança com 15 meses Segunda dose, conforme o calendário infantil
De 1 a 29 anos com esquema incompleto Completar duas doses; para quem precisa iniciar ou atualizar, o intervalo mínimo indicado é de 30 dias
De 30 a 59 anos sem comprovação de vacinação Uma dose
Trabalhador da saúde Duas doses, independentemente da idade, conforme histórico vacinal
A partir de 60 anos A vacina não faz parte da rotina geral contra sarampo; trabalhadores da saúde têm indicação e outras situações devem ser avaliadas pelo serviço de saúde

Não tenho certeza se tomei a vacina. O que fazer?

O primeiro passo é verificar a caderneta ou o registro disponível no serviço de saúde.

Se a pessoa não consegue comprovar as doses necessárias para sua idade, a UBS pode avaliar o histórico e indicar a atualização do esquema.

A falta da caderneta de vacinação não impede a aplicação de vacinas indicadas. O Ministério da Saúde orienta que, em caso de perda do documento, a pessoa procure a unidade de saúde para verificar os registros disponíveis e solicitar uma nova via quando possível.

Não é necessário tentar reconstruir sozinho todo o histórico. A quantidade de doses depende da idade, da profissão e de situações especiais.

Bebês menores de 1 ano podem tomar vacina?

Normalmente, a primeira dose do calendário é aplicada aos 12 meses. Em locais com circulação do vírus, porém, pode ser adotada a chamada dose zero para crianças entre 6 e 11 meses e 29 dias.

Essa dose é uma estratégia adicional usada diante de maior risco epidemiológico.

A dose zero não substitui as doses de rotina dos 12 e 15 meses. A criança deverá receber novamente as vacinas previstas quando alcançar essas idades.

Em 2026, o Ministério da Saúde adotou essa estratégia em áreas de São Paulo após a identificação de casos. Como recomendações extras podem mudar de acordo com a circulação local, pais e responsáveis devem confirmar a orientação vigente na UBS do município.

Quem não deve tomar a tríplice viral?

A tríplice viral utiliza vírus vivos atenuados e possui contraindicações específicas.

Segundo o Ministério da Saúde, ela é contraindicada para:

  • gestantes;
  • crianças menores de 6 meses;
  • pessoas com imunossupressão grave;
  • pessoas que tiveram reação alérgica grave a componentes da vacina.

Pessoas imunossuprimidas ou com condições clínicas específicas devem receber avaliação do serviço de saúde antes da vacinação.

Mulheres em idade fértil são orientadas a evitar gravidez por pelo menos um mês depois de receber a vacina. A gestante com esquema incompleto deve ser vacinada após o parto, conforme orientação profissional.

Se uma mulher recebeu a vacina sem saber que estava grávida, o Ministério esclarece que a vacinação inadvertida não é indicação para interromper a gestação. O acompanhamento deve continuar normalmente no pré-natal.

Quem está com suspeita de sarampo deve tomar a vacina imediatamente?

Não. A situação é diferente de uma pessoa saudável que apenas descobriu estar com o calendário atrasado.

Se já existem sinais compatíveis com sarampo, o Ministério orienta aguardar a investigação, as coletas necessárias e o desaparecimento dos sintomas antes de realizar a vacinação, caso ela continue indicada.

Isso ocorre, entre outros motivos, porque aplicar a vacina durante a investigação pode interferir na interpretação dos exames.

O que fazer se aparecerem febre e manchas vermelhas?

A orientação do Ministério da Saúde é procurar um serviço de saúde.

É importante informar sintomas como febre, manchas, tosse, coriza e conjuntivite e mencionar viagens recentes ou contato com alguém que esteve em região com circulação do vírus.

Como o sarampo se espalha com facilidade, pessoas com suspeita ou diagnóstico devem evitar trabalho e escola durante o período indicado pela equipe de saúde. A orientação oficial prevê isolamento por pelo menos quatro dias a partir do aparecimento do exantema.

Também é importante evitar contato com pessoas mais vulneráveis, especialmente crianças pequenas, gestantes e pessoas com imunidade comprometida.

Sarampo pode causar complicações graves

Embora algumas pessoas se recuperem sem complicações, o sarampo não deve ser tratado como uma simples doença de infância.

Entre as complicações descritas pelo Ministério da Saúde estão:

  • pneumonia: pode atingir aproximadamente uma em cada 20 crianças com sarampo;
  • otite: ocorre em cerca de uma em cada dez crianças e pode provocar perda auditiva;
  • encefalite: inflamação cerebral que pode provocar sequelas graves;
  • morte: pode ocorrer em decorrência das complicações da infecção.

Crianças pequenas e pessoas em condições de maior vulnerabilidade clínica exigem atenção especial.

Existe tratamento para o sarampo?

Não existe um medicamento específico capaz de eliminar o vírus do sarampo.

O tratamento é direcionado aos sintomas e às possíveis complicações. O Ministério da Saúde recomenda hidratação, suporte nutricional e controle da febre conforme avaliação profissional.

Antibióticos não tratam o vírus e só devem ser utilizados quando houver indicação médica para uma infecção bacteriana secundária.

O Ministério também prevê o uso de vitamina A em crianças com suspeita da doença, mas a dose é definida pelo profissional de saúde de acordo com a idade. Isso não deve ser feito por conta própria.

As Américas vivem o pior cenário em mais de duas décadas

O alerta da OPAS ajuda a explicar por que as autoridades brasileiras estão tratando algumas dezenas de casos com atenção.

Até 18 de julho de 2026, a região havia confirmado 47.459 casos de sarampo em 16 países e um território, além de 44 mortes.

A organização classificou o risco para a saúde pública nas Américas como muito alto, citando surtos ativos, falhas de imunização e intensa movimentação de pessoas entre países.

Em agosto, o Ministério da Saúde reforçou que o crescimento regional aumenta o risco de casos importados chegarem ao Brasil.

Brasil já perdeu o certificado de eliminação uma vez

O histórico recente explica a preocupação em impedir que pequenas cadeias de transmissão cresçam.

O Brasil havia recebido em 2016 a certificação de eliminação do sarampo. A circulação voltou a crescer a partir de 2018 e, depois de transmissão sustentada por mais de 12 meses, o país perdeu o certificado em 2019.

Entre 2018 e 2022, foram registrados 39.816 casos no território nacional. Só em 2019 foram 21.741.

Depois da interrupção da transmissão endêmica, o Brasil recuperou a certificação em novembro de 2024.

Manter altas coberturas vacinais é justamente o mecanismo usado para evitar que casos importados encontrem um grande número de pessoas suscetíveis e iniciem novamente uma transmissão prolongada.

O que fazer agora?

  • Confira se as doses da tríplice viral estão completas para sua idade.
  • Se perdeu a caderneta ou não sabe quantas doses tomou, procure uma UBS para verificar o histórico.
  • Não espere surgir um caso no seu bairro para atualizar vacinas atrasadas.
  • Se houver febre com manchas vermelhas, principalmente junto de tosse, coriza ou conjuntivite, procure atendimento.
  • Não se automedique nem tome vitamina A por conta própria para tratar uma suspeita de sarampo.
  • Quem estiver com suspeita deve reduzir contatos e seguir as orientações de isolamento do serviço de saúde.

Perguntas frequentes sobre sarampo

Adulto precisa tomar vacina contra sarampo?

Sim, dependendo da idade e do histórico. Pessoas até 29 anos devem ter duas doses. Dos 30 aos 59 anos, quem não possui comprovação prévia deve ter uma dose. Trabalhadores da saúde precisam de duas doses independentemente da idade.

Quem tem mais de 60 anos precisa tomar a vacina?

A tríplice viral não integra a rotina geral para pessoas a partir de 60 anos. Trabalhadores da saúde têm indicação específica, e outras situações devem ser avaliadas individualmente pelo serviço de saúde.

Quais são os primeiros sintomas do sarampo?

Febre, tosse, coriza, conjuntivite e mal-estar podem surgir antes ou junto das manchas. O exantema costuma começar no rosto e atrás das orelhas e depois se espalhar pelo corpo.

É possível pegar sarampo mesmo vacinado?

Nenhuma vacina oferece proteção absoluta, mas a vacinação reduz fortemente o risco. A ocorrência de casos em pessoas vacinadas não significa que a vacina não funcione.

Gestante pode tomar tríplice viral?

Não. A vacina é contraindicada durante a gestação. Quem estiver com esquema incompleto deve procurar orientação para atualizar a vacinação no puerpério.

Perdi minha carteira de vacinação. Posso me vacinar?

Sim. A ausência da caderneta não impede a vacinação. A UBS pode verificar registros disponíveis e avaliar quais doses são necessárias.

O Brasil está vivendo uma epidemia de sarampo?

Até 4 de setembro de 2026, o Brasil mantém a certificação de eliminação da circulação endêmica. Há casos confirmados e houve identificação de cadeia de transmissão em São Paulo, o que exige resposta rápida, mas isso não equivale automaticamente ao retorno da transmissão endêmica nacional.

Fontes consultadas

Nota editorial: informações verificadas em 4 de setembro de 2026 com base no Ministério da Saúde e na Organização Pan-Americana da Saúde. O total brasileiro de 29 casos corresponde à atualização disponível até a semana epidemiológica 35 e pode mudar com novas confirmações, descartes e reclassificações. Recomendações extraordinárias de vacinação, como a dose zero, dependem da situação epidemiológica de cada localidade. Esta matéria tem caráter informativo e não substitui avaliação médica ou orientação individual de vacinação.

Nota sobre a imagem: a fotografia é um registro clínico histórico feito em 1958 e mostra a pele de um paciente com sarampo. Não retrata nenhum dos casos brasileiros registrados em 2026. A imagem é atribuída ao CDC/Dr. Heinz F. Eichenwald e está em domínio público nos Estados Unidos.

Continue informado

Leia também