Pular para o conteúdo
11 min de leitura
Nesta matéria
  1. São Paulo está enfrentando um surto de sarampo?
  2. Como funciona a campanha contra o sarampo na capital?
  3. Datas importantes da vacinação em São Paulo
  4. Quem deve tomar a vacina contra o sarampo?
  5. Quem já tomou a vacina precisa de revacinação?
  6. A dose zero dos bebês precisa ser repetida?
  7. Quem não deve tomar a tríplice viral?
  8. Quais são os sintomas do sarampo?
  9. O que fazer em caso de suspeita?
  10. Por que o sarampo voltou a aparecer?
  11. Perguntas frequentes sobre sarampo e revacinação em São Paulo
  12. Fontes consultadas

Sarampo em São Paulo: capital confirma 13 casos e amplia vacinação até setembro

Campanha permite nova dose para pessoas de 6 meses a 59 anos, mesmo com vacinação anterior; entenda quem pode se revacinar, quando a dose zero precisa ser repetida e quais são as contraindicações.

A cidade de São Paulo confirmou 13 casos de sarampo em 2026 e mantinha outros 114 casos sob investigação em 4 de agosto. Diante do avanço das notificações, a Prefeitura iniciou uma campanha de vacinação indiscriminada para pessoas de 6 meses a 59 anos, realizada de 3 de agosto a 1º de setembro em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da capital.

Principais informações:
  • A capital paulista registrava 13 casos confirmados, 114 em investigação e 181 descartados até 4 de agosto de 2026.
  • Durante a campanha, pessoas de 6 meses a 59 anos podem receber uma dose mesmo que já tenham sido vacinadas anteriormente.
  • A dose aplicada em bebês de 6 a 11 meses é chamada de “dose zero” e não substitui as vacinas previstas aos 12 e 15 meses.

Por

Criança com manchas avermelhadas provocadas pelo sarampo durante atendimento de saúde
Criança com sarampo fotografada em 2014 durante uma resposta sanitária nas Filipinas. A imagem é utilizada para ilustrar um dos sinais possíveis da doença. Foto: Jim Goodson/CDC Global, via Wikimedia Commons, obra do governo federal dos Estados Unidos disponibilizada em domínio público.

Nota sobre a imagem: a fotografia é ilustrativa, não foi registrada em São Paulo e não mostra nenhum dos casos confirmados em 2026. Manchas na pele podem ter diversas causas e não permitem diagnosticar sarampo sem avaliação médica e investigação laboratorial.

São Paulo está enfrentando um surto de sarampo?

Os 13 casos confirmados e o crescimento das notificações levaram a Prefeitura a intensificar a vacinação, a busca ativa de pessoas não imunizadas e a investigação epidemiológica. No entanto, os comunicados municipais consultados até 6 de agosto utilizavam expressões como “identificação de casos”, “atual cenário epidemiológico” e “intensificação contra o sarampo”, sem apresentar uma declaração formal de surto generalizado em toda a cidade.

Por isso, é mais preciso afirmar que a capital enfrenta um alerta epidemiológico com aumento de casos. O uso popular da palavra “surto” não significa que todos os bairros estejam registrando transmissão ou que os 114 casos em investigação serão confirmados.

Até 4 de agosto, a situação divulgada pela Secretaria Municipal da Saúde era a seguinte:

Situação dos casos de sarampo na cidade de São Paulo em 2026
Classificação Quantidade O que significa
Confirmados 13 Casos que atenderam aos critérios de confirmação adotados pela vigilância epidemiológica.
Em investigação 114 Notificações ainda submetidas à análise clínica, laboratorial e epidemiológica.
Descartados 181 Casos suspeitos nos quais a investigação não confirmou sarampo.
Mortes 0 Não havia óbito por sarampo confirmado na capital em 2026 até a data do balanço.

Os primeiros casos divulgados em junho eram considerados possivelmente relacionados à importação do vírus, mas as origens e eventuais ligações entre as ocorrências permaneciam sob investigação. A classificação pode mudar com os resultados dos exames e o rastreamento de contatos.

Como funciona a campanha contra o sarampo na capital?

A campanha começou em e está prevista para terminar em . Durante esse período, a vacinação contra o sarampo é oferecida de forma indiscriminada para pessoas de 6 meses a 59 anos.

“Vacinação indiscriminada” significa que a dose pode ser administrada independentemente da situação vacinal encontrada. Portanto, quem está na faixa etária da campanha pode receber uma nova dose mesmo que apresente registro de vacinação anterior, desde que não possua contraindicação identificada pela equipe de saúde.

Essa estratégia temporária é diferente da vacinação de rotina. Na rotina, o profissional verifica a caderneta e aplica somente as doses necessárias para completar o esquema correspondente à idade.

A vacina está disponível nas UBSs da capital, normalmente de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h. As unidades AMA/UBS Integradas também atendem aos sábados e feriados, mas é prudente consultar o funcionamento do endereço escolhido antes de sair de casa.

Datas importantes da vacinação em São Paulo

  • 3 de agosto: início da campanha de multivacinação e da intensificação indiscriminada contra o sarampo.
  • 4 de agosto: primeiro balanço informou aplicação de aproximadamente 26,8 mil doses contra o sarampo no dia inicial da campanha.
  • 22 de agosto: Dia D, com todas as 483 UBSs da capital programadas para abrir das 8h às 17h.
  • 1º de setembro: data prevista para encerramento da estratégia municipal de intensificação.

Quem deve tomar a vacina contra o sarampo?

Fora de uma campanha indiscriminada, o Calendário Nacional de Vacinação considera a idade e as doses comprovadas na caderneta. Na cidade de São Paulo, a orientação divulgada em agosto de 2026 é:

Esquema de rotina considerado pela Secretaria Municipal da Saúde
Faixa etária ou grupo Esquema considerado adequado
Bebês de 6 a 11 meses durante a estratégia especial Uma dose zero, que não substitui as doses de rotina.
Crianças aos 12 meses Primeira dose da tríplice viral, contra sarampo, caxumba e rubéola.
Crianças aos 15 meses Segunda dose, normalmente com a tetraviral, que também protege contra varicela.
Pessoas de 12 meses a 29 anos Duas doses comprovadas.
Pessoas de 30 a 59 anos Pelo menos uma dose comprovada.
Trabalhadores da saúde Duas doses comprovadas, independentemente da idade.

Durante a campanha paulistana de agosto, essas pessoas podem receber uma dose adicional mesmo que já tenham completado o esquema. Essa é uma medida epidemiológica temporária da capital e não significa que a população precise repetir a vacina todos os anos.

Quem já tomou a vacina precisa de revacinação?

Na rotina, não existe reforço anual contra o sarampo para quem comprova o esquema completo. Uma pessoa de 12 a 29 anos com duas doses documentadas, por exemplo, já é considerada vacinada pelo calendário. Dos 30 aos 59 anos, uma dose comprovada é considerada suficiente, exceto para trabalhadores da saúde, que precisam de duas.

A situação atual da cidade de São Paulo é uma exceção operacional: entre 3 de agosto e 1º de setembro, a Prefeitura orientou a aplicação indiscriminada de uma dose em pessoas de 6 meses a 59 anos, inclusive nas anteriormente vacinadas.

Na prática, há três situações diferentes:

  • Esquema incompleto: a pessoa deve receber as doses que faltam de acordo com a idade e a orientação da UBS.
  • Sem caderneta ou sem comprovante: o profissional poderá indicar vacinação; não é necessário fazer exame de anticorpos de rotina para tentar reconstruir o histórico.
  • Esquema completo e comprovado: não precisa de reforço periódico, mas pode receber a dose adicional durante a atual campanha indiscriminada da capital.

Quem mora em outro município paulista deve confirmar a estratégia adotada pela secretaria de saúde local. A campanha indiscriminada de 6 meses a 59 anos descrita nesta matéria foi anunciada especificamente pelo município de São Paulo.

A dose zero dos bebês precisa ser repetida?

Sim. A vacina administrada dos 6 aos 11 meses e 29 dias é chamada de dose zero porque oferece proteção antecipada em uma situação de maior risco, mas não é contabilizada como a primeira dose do calendário infantil.

A criança que receber a dose zero ainda deverá tomar:

  1. a primeira dose de rotina aos 12 meses;
  2. a segunda dose aos 15 meses.

Isso ocorre porque anticorpos maternos ainda presentes no organismo do bebê podem interferir na resposta à vacina aplicada antes de 1 ano. A dose antecipada não deve ser usada como motivo para abandonar as aplicações posteriores.

Quem não deve tomar a tríplice viral?

A tríplice viral utiliza vírus vivos atenuados e possui contraindicações que precisam ser verificadas antes da aplicação. Entre as contraindicações gerais estão:

  • bebês com menos de 6 meses;
  • gestantes;
  • pessoas com imunodeficiência grave ou submetidas a determinados tratamentos imunossupressores;
  • pessoas que apresentaram reação alérgica grave a uma dose anterior ou a componente da vacina;
  • pessoas com sintomas compatíveis com sarampo, que precisam de avaliação e orientação da vigilância em saúde.

Nem toda doença crônica, alergia comum ou uso de medicamento impede a vacinação. Pessoas transplantadas, em tratamento contra câncer, vivendo com HIV, usando corticoides em doses elevadas ou outros imunossupressores não devem decidir sozinhas: a indicação depende da condição clínica e deve ser avaliada por profissional de saúde.

A vacinação inadvertida de uma gestante não é indicação automática de interrupção da gravidez, mas a ocorrência deve ser comunicada ao pré-natal para acompanhamento adequado.

Quais são os sintomas do sarampo?

O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa. A transmissão ocorre pelo ar e por secreções respiratórias eliminadas quando uma pessoa infectada tosse, espirra, fala ou respira.

Os sintomas mais frequentes incluem:

  • febre alta;
  • tosse;
  • coriza;
  • olhos vermelhos ou conjuntivite;
  • mal-estar intenso;
  • manchas vermelhas que geralmente começam no rosto e atrás das orelhas e avançam pelo corpo.

A pessoa pode transmitir o vírus antes mesmo do aparecimento das manchas. O sarampo também pode provocar complicações como pneumonia, infecção de ouvido, diarreia, encefalite e, em casos graves, morte. Crianças pequenas, gestantes, adultos desnutridos e pessoas com imunidade comprometida apresentam maior risco de complicações.

O que fazer em caso de suspeita?

Quem apresentar febre, manchas avermelhadas, tosse, coriza ou olhos vermelhos deve evitar circular em transporte público, escolas, locais de trabalho, farmácias e salas de espera sem orientação prévia.

  1. Entre em contato com uma UBS ou serviço de saúde e informe os sintomas antes de comparecer.
  2. Use máscara se precisar sair para atendimento e evite contato com bebês, gestantes e pessoas imunodeprimidas.
  3. Não vá diretamente a um posto apenas para se vacinar se já estiver com sintomas suspeitos.
  4. Informe viagens recentes, contato com pessoa doente e locais frequentados.
  5. Não tome antibióticos por conta própria; eles não tratam o vírus do sarampo.

O aviso prévio permite que o serviço organize o atendimento de maneira separada e reduza a exposição de outras pessoas. Casos suspeitos são de notificação compulsória e precisam ser investigados pela vigilância epidemiológica.

Por que o sarampo voltou a aparecer?

O Brasil recebeu novamente, em novembro de 2024, a certificação de país livre da circulação endêmica do vírus do sarampo. Isso não significa que casos importados tenham deixado de ocorrer.

Uma pessoa infectada em outro país pode chegar ao Brasil durante o período de transmissão. Se encontrar grupos com vacinação incompleta, o vírus consegue formar cadeias locais de contágio.

A circulação registrada em diferentes países das Américas e de outras regiões aumenta o risco de importação. Por esse motivo, viajantes devem verificar a vacinação com antecedência, preferencialmente pelo menos 15 dias antes da viagem.

A melhor barreira contra novas cadeias de transmissão é manter cobertura elevada e homogênea. Uma média municipal alta pode esconder bairros, escolas ou grupos com muitas pessoas suscetíveis.

Perguntas frequentes sobre sarampo e revacinação em São Paulo

Quantos casos de sarampo foram confirmados na capital em 2026?

A Prefeitura informou 13 casos confirmados até 4 de agosto. Outros 114 estavam em investigação e 181 haviam sido descartados. Esses números podem mudar após a conclusão dos exames.

Quem já tomou duas doses pode tomar novamente?

Sim. Durante a campanha indiscriminada da cidade de São Paulo, de 3 de agosto a 1º de setembro, pessoas de 6 meses a 59 anos podem receber uma dose independentemente do histórico vacinal, desde que não tenham contraindicação.

A revacinação é obrigatória?

Não foi anunciada obrigatoriedade geral. Trata-se de uma estratégia gratuita de intensificação. Fora da campanha, quem comprova o esquema completo não precisa de reforço periódico.

Perdi minha carteira de vacinação. O que devo fazer?

Procure uma UBS com documento de identificação e, se possível, o Cartão Nacional de Saúde. A equipe poderá consultar registros disponíveis e orientar a aplicação quando não houver comprovação suficiente.

A dose zero vale como a vacina de 12 meses?

Não. Bebês vacinados entre 6 e 11 meses devem receber novamente a vacina aos 12 meses e completar o esquema aos 15 meses.

Pessoas com mais de 59 anos devem se revacinar?

Elas não estão incluídas na campanha indiscriminada anunciada para a capital. A necessidade de vacinação pode ser avaliada individualmente pela UBS, especialmente em situação de exposição ou ausência de histórico confiável.

Gestante pode tomar a vacina contra o sarampo?

Não. A tríplice viral é contraindicada durante a gestação porque contém vírus vivos atenuados. A vacinação deve ser planejada para outro momento com orientação do serviço de saúde.

Onde encontrar uma UBS em São Paulo?

A unidade mais próxima pode ser localizada pela plataforma oficial Busca Saúde da Prefeitura de São Paulo.

Fontes consultadas

Nota editorial: matéria apurada e verificada em 6 de agosto de 2026 com informações da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, do Centro de Vigilância Epidemiológica estadual, do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde. Os números de casos podem mudar após resultados laboratoriais e investigações epidemiológicas. Até a verificação, os comunicados municipais consultados não apresentavam declaração formal de surto generalizado em toda a capital; por isso, o texto diferencia o aumento confirmado de casos de uma eventual classificação epidemiológica oficial. As orientações de vacinação indiscriminada citadas referem-se especificamente à cidade de São Paulo e não substituem a avaliação individual realizada na UBS.

Continue informado

Leia também