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Nesta matéria
  1. Quantos homicídios foram registrados em São Paulo?
  2. O dado representa número ou taxa de homicídios?
  3. Como os homicídios se distribuíram pelo estado?
  4. Roubos atingiram o menor número da série histórica
  5. Furtos também diminuíram no primeiro semestre
  6. Latrocínios também chegaram a patamar histórico
  7. O que o governo atribui à queda dos crimes?
  8. Os números significam que São Paulo está seguro?
  9. Como interpretar corretamente as estatísticas criminais?
  10. Perguntas frequentes
  11. Fontes consultadas

São Paulo registra menor número de homicídios em 25 anos e queda de outros crimes

Estado contabilizou 1.149 homicídios no primeiro semestre de 2026, redução de 7,3%; roubos, furtos de veículos e latrocínios também recuaram em diferentes recortes.

O estado de São Paulo registrou 1.149 homicídios dolosos entre janeiro e junho de 2026, o menor total para um primeiro semestre desde o início da série histórica da Secretaria da Segurança Pública (SSP), em 2001. O número representa queda de 7,3% em comparação com os 1.240 registros do mesmo período de 2025.

Principais informações:
  • São Paulo teve 1.149 homicídios no primeiro semestre de 2026, o menor número para o período em 25 anos.
  • Os roubos caíram 16,4%, enquanto roubos de veículos recuaram 35,1% e roubos de carga diminuíram 32,8%.
  • Os números representam ocorrências registradas; a redução não significa que a violência tenha desaparecido nem que todas as modalidades criminais tenham caído igualmente.

Por

Mapa do estado de São Paulo com a divisão dos municípios
Mapa do estado de São Paulo, território considerado no balanço estadual da criminalidade. Imagem: Raphael Lorenzeto de Abreu, via Wikimedia Commons, disponível sob licença CC BY 2.5.

Nota sobre a imagem: o mapa é meramente ilustrativo e não representa a distribuição territorial dos crimes registrados.

Quantos homicídios foram registrados em São Paulo?

O balanço divulgado pela Secretaria da Segurança Pública aponta 1.149 homicídios dolosos no estado de São Paulo durante os seis primeiros meses de 2026. No mesmo intervalo de 2025, foram contabilizadas 1.240 ocorrências.

A diferença corresponde a 91 registros a menos e a uma redução de 7,3%. Segundo a SSP, esse foi o menor resultado para um primeiro semestre desde 2001, primeiro ano da série histórica utilizada pela pasta.

Homicídios dolosos no estado de São Paulo
Período Ocorrências Comparação
Primeiro semestre de 2025 1.240 Base de comparação
Primeiro semestre de 2026 1.149 Queda de 7,3%
Junho de 2025 212 Base mensal
Junho de 2026 178 Queda de aproximadamente 16%

Somente em junho de 2026, foram registrados 178 homicídios dolosos. No mesmo mês de 2025, ocorreram 212, diferença de 34 casos.

Homicídio doloso é aquele no qual existe intenção de matar ou aceitação do risco de provocar a morte. O indicador não deve ser confundido com todas as mortes violentas intencionais, categoria mais ampla que pode incluir latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais.

O dado representa número ou taxa de homicídios?

O recorde divulgado para o primeiro semestre se refere principalmente ao número absoluto de ocorrências: 1.149 homicídios dolosos. Por isso, a formulação tecnicamente mais precisa é dizer que São Paulo registrou o menor número de homicídios para o período em 25 anos.

Uma taxa de homicídios precisa relacionar o número de mortes à população, normalmente na proporção de casos por 100 mil habitantes. Comparar taxas é especialmente importante quando se analisam estados ou municípios com populações muito diferentes.

O Atlas da Violência 2026, que utiliza dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde e possui metodologia diferente da estatística policial, apontou São Paulo com taxa estimada de 6,6 homicídios por 100 mil habitantes em 2024, a menor entre os estados naquele levantamento.

Os dois dados são relevantes, mas não devem ser tratados como se fossem idênticos. O balanço do primeiro semestre de 2026 vem dos registros policiais da SSP, enquanto o Atlas utiliza registros de saúde consolidados posteriormente.

Como os homicídios se distribuíram pelo estado?

O interior paulista, considerado pela SSP como o conjunto de 606 municípios fora da capital e da Região Metropolitana de São Paulo, contabilizou 728 homicídios dolosos no primeiro semestre de 2026. Foram 729 no mesmo período de 2025, diferença de uma ocorrência.

A redução mais expressiva ocorreu na Região Metropolitana de São Paulo, excluída a capital. Os registros passaram de 263 para 194, recuo de 26,2%.

Na cidade de São Paulo, foram contabilizados 227 homicídios dolosos entre janeiro e junho de 2026. No primeiro semestre de 2025, haviam sido 248, o que representa queda de 8,4%.

Homicídios por região no primeiro semestre
Região 2025 2026 Variação
Capital paulista 248 227 -8,4%
Região Metropolitana, sem a capital 263 194 -26,2%
Interior 729 728 -0,1%
Total estadual 1.240 1.149 -7,3%

A tabela mostra que a queda estadual não ocorreu com a mesma intensidade em todas as áreas. Enquanto a Região Metropolitana apresentou recuo expressivo, o resultado do interior permaneceu praticamente estável na comparação anual.

Roubos atingiram o menor número da série histórica

Os roubos também diminuíram no estado. Entre janeiro e junho de 2026, foram registradas 71.448 ocorrências, diante de 85.530 nos primeiros seis meses de 2025.

A redução foi de 16,4%, e o total representa o menor número de roubos para um primeiro semestre desde 2001. Em junho, foram registrados 11.074 casos, 14,1% abaixo do resultado do mesmo mês de 2025.

O roubo envolve a retirada de um bem mediante violência ou grave ameaça. Ele se diferencia do furto, no qual não existe violência direta ou ameaça contra a vítima.

Roubos de veículos caíram 35,1%

Os roubos de veículos passaram de 13.190 ocorrências no primeiro semestre de 2025 para 8.558 em 2026. Isso representa redução de 35,1%.

Em junho, a queda foi de 37,1%, com o número de casos diminuindo de 1.985 para 1.248. Tanto o resultado semestral quanto o mensal foram os menores da série histórica apresentada pela SSP.

Roubos de carga recuaram 32,8%

O estado contabilizou 1.247 roubos de carga entre janeiro e junho de 2026, redução de 32,8% em relação ao mesmo período de 2025.

No mês de junho, foram 187 casos, recuo de 23% na comparação anual. Esse tipo de crime costuma envolver quadrilhas especializadas, receptadores e redes de revenda dos produtos subtraídos.

Furtos também diminuíram no primeiro semestre

Os furtos em geral caíram 5%. O número de ocorrências passou de 277.063 no primeiro semestre de 2025 para 263.002 no mesmo período de 2026.

Os furtos de veículos apresentaram redução de 10,6%, passando de 44.165 para 39.470 registros.

Principais indicadores patrimoniais no primeiro semestre de 2026
Modalidade 2025 2026 Variação
Roubos em geral 85.530 71.448 -16,4%
Roubos de veículos 13.190 8.558 -35,1%
Furtos em geral 277.063 263.002 -5%
Furtos de veículos 44.165 39.470 -10,6%

Latrocínios também chegaram a patamar histórico

Os latrocínios — roubos que resultam em morte — também recuaram em São Paulo. Dados divulgados sobre o primeiro semestre indicam que o estado registrou 43 mortes decorrentes desse tipo de crime em 2026.

No interior, foram 22 ocorrências, ante 27 no primeiro semestre de 2025. Segundo a SSP, foi o menor número para o período desde o início da série histórica.

É necessário ter cuidado ao comparar levantamentos de latrocínio. Uma ocorrência pode ter mais de uma vítima, e diferentes painéis podem apresentar número de casos ou número de mortes. Essa diferença metodológica explica por que totais publicados por sistemas distintos nem sempre coincidem.

O que o governo atribui à queda dos crimes?

A Secretaria da Segurança Pública relaciona os resultados a uma combinação de policiamento preventivo, investigação de homicídios e quadrilhas especializadas, combate à receptação, captura de foragidos e uso de tecnologia.

Entre as ferramentas mencionadas está o Muralha Paulista, sistema que integra câmeras, leitores automáticos de placas e bases de dados. A plataforma emite alertas sobre veículos roubados ou furtados e pode auxiliar na localização de suspeitos.

A SSP também utiliza o programa SP Vida para reunir informações sobre homicídios, incluindo localização, circunstâncias, possíveis motivações, perfil das vítimas e dinâmica das ocorrências.

Segundo o secretário estadual da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, cada homicídio é analisado individualmente e os dados são cruzados para orientar investigações e policiamento nas regiões mais sensíveis.

A atribuição de toda a queda a uma única política, porém, exigiria estudos específicos. Alterações nos indicadores criminais podem envolver diversos fatores, como mudanças demográficas, atuação policial, encarceramento, dinâmica do crime organizado, políticas municipais, condições econômicas, prevenção social e modificações no registro das ocorrências.

Os números significam que São Paulo está seguro?

Não de forma absoluta. A queda é estatisticamente relevante, mas 1.149 homicídios em seis meses continuam representando milhares de pessoas diretamente afetadas, entre vítimas, familiares e comunidades.

Também existem diferenças importantes entre bairros, municípios e regiões. Um indicador estadual pode cair enquanto determinadas localidades apresentam estabilidade ou crescimento.

Além disso, homicídios são crimes com menor tendência à subnotificação, pois geralmente produzem registro oficial e investigação. Furtos, roubos, violência doméstica e crimes sexuais podem ser mais afetados pela decisão da vítima de procurar ou não a polícia.

A redução dos homicídios e roubos deve ser reconhecida, mas não permite concluir automaticamente que todos os crimes caíram, que todas as áreas ficaram igualmente seguras ou que a percepção cotidiana da população melhorou na mesma proporção.

Como interpretar corretamente as estatísticas criminais?

  • Compare períodos equivalentes: primeiro semestre deve ser confrontado com primeiro semestre, evitando comparar seis meses com um ano completo.
  • Diferencie ocorrências e vítimas: uma ocorrência pode envolver mais de uma pessoa.
  • Observe números e taxas: o total absoluto mostra a quantidade registrada; a taxa considera o tamanho da população.
  • Verifique o recorte territorial: estado, capital, Região Metropolitana e interior podem apresentar tendências diferentes.
  • Consulte várias modalidades: queda de homicídios não implica necessariamente redução de estelionatos, violência doméstica ou crimes digitais.
  • Considere revisões: estatísticas recentes podem ser atualizadas após investigação, correção ou reclassificação dos boletins.

Perguntas frequentes

São Paulo registrou a menor taxa de homicídios em 25 anos?

O balanço do primeiro semestre de 2026 confirma o menor número absoluto de homicídios dolosos para o período desde 2001. Foram 1.149 ocorrências. Chamar o resultado de “menor taxa” exige um cálculo por população, que não é o mesmo indicador.

Quantos homicídios ocorreram em São Paulo no primeiro semestre de 2026?

Foram registrados 1.149 homicídios dolosos em todo o estado, queda de 7,3% em comparação com os 1.240 casos do primeiro semestre de 2025.

A capital paulista também registrou queda?

Sim. A cidade de São Paulo passou de 248 para 227 homicídios dolosos, redução de 8,4%. Ainda assim, o resultado foi o segundo menor da série histórica para o período; o recorde da capital permanece com 2021, quando foram registrados 221 casos.

Qual região apresentou a maior redução?

A Região Metropolitana de São Paulo, excluída a capital, teve queda de 26,2%, passando de 263 para 194 homicídios.

Os roubos também diminuíram?

Sim. Os roubos em geral caíram 16,4%, de 85.530 para 71.448 ocorrências. Os roubos de veículos diminuíram 35,1%, e os roubos de carga recuaram 32,8%.

Homicídio e latrocínio são a mesma coisa?

Não. O homicídio doloso é um crime contra a vida. O latrocínio é classificado como crime contra o patrimônio e ocorre quando um roubo resulta em morte.

Por que os dados podem mudar posteriormente?

Boletins podem ser corrigidos ou reclassificados conforme a investigação avança. Por isso, números mensais e semestrais recentes podem sofrer pequenas revisões.

Fontes consultadas

Esta matéria foi apurada em 30 de julho de 2026 com base no balanço da Secretaria da Segurança Pública, na série estatística estadual e em levantamentos complementares. Foi corrigida uma imprecisão presente em algumas publicações: o recorde semestral corresponde a 1.149 homicídios em 2026, ante 1.240 em 2025, e não a 1.029 ante 1.110. O dado divulgado representa o menor número absoluto para um primeiro semestre desde 2001; “taxa de homicídios” é outro indicador e depende do cálculo por população. Estatísticas recentes podem passar por revisão ou reclassificação.

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