Operação Commodity mira rede que exportou 6,5 toneladas de cocaína e tinha vínculos com PCC e CV
A Polícia Federal deflagrou em 23 de julho de 2026 a Operação Commodity, contra uma organização suspeita de enviar cerca de 6,5 toneladas de cocaína à Europa desde 2021 e de manter vínculos operacionais com o PCC e o Comando Vermelho. Nove pessoas foram presas e a Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 1 bilhão.
- Foram expedidos 13 mandados de prisão e 44 de busca em quatro estados.
- A cocaína era escondida em cargas de café, cimento e argamassa ou dissolvida em líquidos, segundo a PF.
- Empresas de fachada, cripto-doleiros, imóveis e bens de luxo teriam sido usados para lavar dinheiro.
O que foi a Operação Commodity?
A operação foi coordenada pela Polícia Federal no Rio de Janeiro e teve apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em São Paulo e Minas Gerais. Foram cumpridos 13 mandados de prisão preventiva e 44 de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Espírito Santo. A PF informou que nove pessoas haviam sido presas na atualização divulgada no mesmo dia.
A droga ia para a Europa, não “para o PCC e o CV”
Algumas manchetes resumiram o caso dizendo que a quadrilha “exportava drogas para PCC e CV”. A formulação pode causar confusão. Segundo a investigação, a cocaína era enviada por navios a diferentes países europeus, enquanto PCC e Comando Vermelho aparecem como organizações que mantinham vínculos operacionais com a rede investigada. A natureza e a extensão dessas relações ainda deverão ser demonstradas no inquérito e no processo judicial.
| Medida ou dado | Balanço divulgado |
|---|---|
| Cocaína atribuída à organização desde 2021 | Cerca de 6,5 toneladas |
| Mandados de prisão preventiva | 13 |
| Mandados de busca e apreensão | 44 |
| Pessoas presas | 9 |
| Estados com diligências | São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Espírito Santo |
| Bloqueio e sequestro de ativos | Até R$ 1 bilhão |
Como a cocaína era escondida?
A Polícia Federal afirma que o grupo utilizava cargas comerciais para disfarçar a droga em contêineres marítimos. Sacos de café, cimento e argamassa apareciam entre as formas de camuflagem. Outra técnica investigada era a adulteração química da cocaína, permitindo transportar a substância diluída em líquidos e embalagens aparentemente comuns, como garrafas de bebidas.
Uma apreensão de 500 quilos de cocaína no Porto do Rio de Janeiro, em setembro de 2025, ocorreu em uma carga de sacas de café destinada à exportação e foi relacionada pela imprensa à investigação que resultou na Operação Commodity. A apuração busca reconstruir cada remessa e identificar fornecedores, operadores logísticos, financiadores e destinatários.
Rede tinha ramificações em três continentes
Segundo a PF, a organização mantinha uma estrutura logística com conexões na América do Sul, Europa e Ásia. O foco principal era o envio marítimo de cocaína à Europa, aproveitando cargas legais e o transporte por contêineres. A investigação não divulgou uma lista completa de portos, empresas e países envolvidos, para preservar diligências ainda em andamento.
Como funcionaria a lavagem bilionária?
A investigação identificou diferentes mecanismos de ocultação patrimonial. Entre eles estavam empresas de fachada ou sem atividade econômica compatível, operadores de câmbio por criptoativos, holdings, imóveis de alto padrão e bens de luxo. O objetivo seria separar o dinheiro de sua origem no tráfico e reinseri-lo na economia com aparência legal.
| Área | Método atribuído ao grupo |
|---|---|
| Transporte | Contêineres marítimos e cargas de exportação |
| Camuflagem | Sacos de café, cimento e argamassa |
| Transformação da droga | Alteração química e dissolução em líquidos |
| Lavagem financeira | Empresas de fachada, holdings e negócios usados para emitir documentos |
| Movimentação de valores | Cripto-doleiros e diferentes instrumentos patrimoniais |
| Ocultação de patrimônio | Imóveis, veículos e bens de luxo |
Investigado morreu após reagir à prisão
Durante o cumprimento de um mandado em Igaratá, no interior de São Paulo, um investigado teria disparado contra policiais, segundo a versão oficial. Ele foi atingido na troca de tiros, recebeu primeiros socorros e morreu. Nenhum agente ficou ferido. A ocorrência deverá ser submetida aos procedimentos de apuração próprios de mortes decorrentes de intervenção policial.
Quais crimes são investigados?
As pessoas e empresas citadas poderão responder, conforme a responsabilidade individual, por organização criminosa transnacional, tráfico internacional de drogas e lavagem de capitais. Outros crimes poderão ser incluídos caso novas provas sejam encontradas. Mandados, prisões cautelares e bloqueios não equivalem a condenação definitiva.
O que é a Missão Redentor II?
A Operação Commodity foi desenvolvida dentro da Missão Redentor II, frente de investigação voltada às estruturas financeiras, logísticas e institucionais associadas a facções criminosas e milícias. A iniciativa busca atingir não apenas vendedores de drogas, mas também empresas, operadores de dinheiro e patrimônios usados para sustentar as organizações.
Por que o nome “Commodity”?
O nome faz referência ao uso de mercadorias comerciais, como café, cimento e argamassa, para esconder cocaína em cargas de exportação. “Commodity” é o termo empregado para produtos padronizados negociados em grande escala nos mercados nacionais e internacionais.
O que ainda precisa ser esclarecido?
- quem ocupava cada função na organização investigada;
- quais remessas compõem o total estimado de 6,5 toneladas;
- quais empresas tinham atividade legítima e quais seriam apenas fachadas;
- como funcionavam as relações com PCC e Comando Vermelho;
- quais países receberam os carregamentos;
- quanto do patrimônio bloqueado será efetivamente localizado;
- se outras pessoas ou agentes públicos participaram do esquema.
Perguntas frequentes
O que foi a Operação Commodity?
Foi uma ação da Polícia Federal contra uma organização suspeita de tráfico internacional de cocaína e lavagem de dinheiro em escala bilionária.
Quantas pessoas foram presas?
A PF informou nove prisões durante a operação.
Quantos mandados foram expedidos?
Foram 13 mandados de prisão preventiva e 44 de busca e apreensão.
Quanta cocaína teria sido exportada?
A investigação estima cerca de 6,5 toneladas enviadas a países europeus desde 2021.
Qual era a ligação com PCC e CV?
As facções teriam mantido vínculos operacionais com a rede. A extensão dessa relação ainda está em apuração.
Como a cocaína era escondida?
Em sacos de café, cimento e argamassa e, em alguns casos, por alteração química e dissolução em líquidos.
Quanto foi bloqueado?
A Justiça autorizou bloqueios e sequestro de ativos até o limite de R$ 1 bilhão.
Houve morte?
Sim. Um investigado morreu após reagir com tiros à abordagem em Igaratá, segundo a Polícia Federal.
Os investigados já foram condenados?
Não. A responsabilidade individual ainda deverá ser analisada pela Justiça.
Fontes consultadas
- Polícia Federal — Balanço oficial da Operação Commodity
- CNN Brasil — Ligações atribuídas a PCC e Comando Vermelho e atualização das prisões
- Veja — Métodos de ocultação, estados e contexto da Missão Redentor II
- Folha de S.Paulo — Exportação em café, cimento e argamassa
- Polícia Federal — Apreensão de 500 kg em carga de café no Porto do Rio
Fonte original: Polícia Federal.
Nota editorial: esta matéria foi atualizada em 24 de julho de 2026. As acusações são baseadas em investigação policial. Presos, pessoas físicas, empresas e demais alvos devem ser considerados inocentes até decisão judicial definitiva.
Correção de sentido: a investigação afirma que a cocaína era exportada para países europeus e que a organização mantinha vínculos com PCC e Comando Vermelho. As facções não foram apresentadas como o destino internacional da droga.
Nota sobre as imagens: as fotografias foram divulgadas pela Polícia Federal no contexto da Operação Commodity e são utilizadas sem alteração, com atribuição à fonte.