Mulher morre após intestino ser perfurado durante colonoscopia em hospital municipal de São Paulo
Mariana dos Santos Cândido, de 41 anos, passou por cirurgia de emergência após sofrer uma laceração no cólon sigmoide; Prefeitura abriu sindicância e Polícia Civil investiga a morte.
Uma mulher de 41 anos morreu na quarta-feira, , após sofrer uma perfuração intestinal durante uma colonoscopia realizada no Hospital Municipal Professor Doutor Alípio Corrêa Netto, em Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de São Paulo. A paciente, identificada como Mariana dos Santos Cândido, passou por uma cirurgia de emergência, mas não resistiu.
- Relatório de internação registra uma laceração na parede do cólon sigmoide durante a colonoscopia realizada em 28 de julho.
- A Secretaria Municipal da Saúde abriu sindicância para apurar o atendimento prestado por uma clínica terceirizada.
- O caso foi registrado como morte suspeita no 62º Distrito Policial, que solicitou necropsia e exames periciais.
Nota sobre a imagem: a ilustração explica o procedimento e não representa o exame realizado em Mariana, o hospital ou os profissionais envolvidos no caso.
O que aconteceu durante a colonoscopia?
Mariana realizou sua primeira colonoscopia na terça-feira, . O exame havia sido solicitado como acompanhamento preventivo devido ao histórico de câncer de intestino na família.
Segundo familiares ouvidos pelo UOL e pela Folha de S.Paulo, a mãe de Mariana aguardava o término do procedimento quando percebeu movimentação entre funcionários. Uma enfermeira teria informado que ocorrera uma perfuração intestinal e que a paciente precisaria ser levada imediatamente para uma cirurgia.
O relatório de internação consultado pelo UOL registra uma “laceração na parede da mucosa do cólon sigmoide”. O cólon sigmoide é a parte final do intestino grosso, localizada antes do reto.
A equipe cirúrgica precisou retirar uma parte do intestino. Mariana deixou a operação com uma ileostomia, abertura realizada no abdome para desviar o trânsito intestinal para uma bolsa coletora.
A cirurgia teria durado aproximadamente seis horas. Conforme o relato da família, a paciente saiu do centro cirúrgico intubada, sob ventilação mecânica e em estado grave. A morte foi comunicada no dia seguinte.
Família relata dano extenso no intestino
A tia de Mariana, Mara Pongelupi, afirmou à Folha que uma médica responsável pela cirurgia descreveu o ferimento como mais grave do que uma perfuração isolada. Segundo a familiar, cerca de metade do intestino teria sido danificada.
Essa estimativa de 50% do intestino é um relato atribuído à família. O relatório citado pelo UOL confirma a laceração do cólon sigmoide e a retirada de parte do órgão, mas não apresenta publicamente uma medida equivalente a 50%.
A extensão exata da lesão, o mecanismo que a provocou e sua relação com a morte deverão ser esclarecidos pelos documentos médicos, pela sindicância administrativa e pelos exames periciais.
Mariana não tinha problemas de saúde conhecidos, conforme os familiares. Ela deixou três filhos, de nove, 15 e 20 anos, e havia começado recentemente a trabalhar como agente de apoio escolar.
Hospital abriu sindicância para investigar o caso
A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo informou que abriu uma sindicância para apurar as circunstâncias da morte. A investigação administrativa será conduzida em conjunto com as chefias dos serviços de endoscopia e cirurgia do hospital.
Segundo a pasta, o serviço de endoscopia da unidade é prestado há 25 anos pela Clínica de Endoscopia Salinas Ltda., empresa terceirizada. Até a conclusão desta matéria, não havia sido divulgado um posicionamento detalhado da clínica sobre o procedimento.
A Secretaria lamentou a morte e declarou que a direção do hospital está à disposição dos familiares. A pasta não apresentou publicamente, nas respostas reproduzidas pelas reportagens consultadas, o protocolo utilizado no exame nem a identificação dos profissionais que participaram do procedimento.
O Hospital Municipal Professor Doutor Alípio Corrêa Netto fica na Alameda Rodrigo de Brum, 1.989, em Ermelino Matarazzo, e pertence à rede municipal de saúde de São Paulo.
Polícia Civil investiga a morte
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que o caso foi registrado como morte suspeita, sem indícios de criminalidade, no 62º Distrito Policial.
A Polícia Civil requisitou a remoção do corpo para o Instituto Médico-Legal (IML), a realização de necropsia e outros exames periciais. Os investigadores também deverão reunir prontuários, relatórios médicos e depoimentos para esclarecer a sequência do atendimento.
O registro como morte suspeita não significa que um crime tenha sido comprovado. Trata-se de uma classificação utilizada quando a causa e as circunstâncias do óbito ainda precisam ser esclarecidas.
A família suspeita de erro médico, mas essa hipótese não pode ser apresentada como conclusão antes da análise técnica. Uma complicação conhecida do procedimento não afasta automaticamente uma possível falha, assim como sua ocorrência, isoladamente, também não comprova negligência, imprudência ou imperícia.
| Informação | Situação em 30 de julho de 2026 |
|---|---|
| Mariana realizou uma colonoscopia em 28 de julho | Confirmado |
| Houve laceração no cólon sigmoide | Registrado no relatório de internação citado pelo UOL |
| Foi necessária cirurgia com retirada de parte do intestino | Confirmado pelo relatório e pela família |
| A paciente morreu em 29 de julho | Confirmado pelas autoridades |
| Metade do intestino foi danificada | Relato da família, ainda sem quantificação pericial divulgada |
| Houve erro médico | Suspeita da família; ainda sob investigação |
| Causa médica exata da morte | Depende da necropsia e dos demais exames |
Perfuração intestinal é um risco conhecido da colonoscopia?
Sim, mas é uma complicação incomum. A colonoscopia utiliza um tubo flexível com câmera para examinar o reto e o intestino grosso, além de permitir a coleta de material para biópsia e a retirada de alguns pólipos.
Uma revisão da Sociedade Americana de Endoscopia Gastrointestinal, baseada em mais de 10 milhões de procedimentos, encontrou uma taxa combinada de aproximadamente 5,8 perfurações a cada 10 mil colonoscopias, equivalente a 0,058%.
Um protocolo publicado pela Prefeitura de Piracicaba em 2026 informa que a perfuração ocorre em menos de 0,1% dos exames. A frequência varia conforme o perfil do paciente, as condições do intestino e a realização de intervenções, como retirada de pólipos.
Apesar de rara, a perfuração é potencialmente grave porque permite a passagem do conteúdo intestinal para a cavidade abdominal. Isso pode provocar inflamação, infecção generalizada e necessidade de cirurgia de emergência.
O fato de a perfuração ser um risco conhecido não determina, por si só, se a assistência foi adequada neste caso. A apuração precisa verificar como ocorreu a lesão, sua extensão, a rapidez do diagnóstico, as medidas adotadas e as condições clínicas da paciente.
Quais sintomas podem indicar perfuração após o exame?
Depois de uma colonoscopia, alguma distensão abdominal e eliminação de gases podem ocorrer por causa do ar utilizado durante o procedimento. Entretanto, dor intensa ou crescente, febre e piora do estado geral exigem avaliação médica imediata.
- dor abdominal forte, persistente ou que aumenta com o tempo;
- abdome muito endurecido ou excessivamente inchado;
- febre, calafrios ou fraqueza intensa;
- vômitos persistentes;
- sangramento intestinal em grande quantidade;
- tontura, desmaio, confusão ou dificuldade para respirar;
- batimentos acelerados ou queda de pressão.
Quem apresentar esses sinais após o exame deve procurar um serviço de emergência ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pelo número 192. Esta orientação é geral e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.
O caso significa que a colonoscopia deve ser evitada?
Não. O episódio precisa ser rigorosamente investigado, mas não transforma a colonoscopia em um exame que deva ser abandonado. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) considera o procedimento o método padrão-ouro para confirmar tumores colorretais, obter biópsias, examinar todo o intestino grosso e retirar pólipos.
A indicação depende da idade, dos sintomas e do histórico pessoal e familiar. Pessoas com parentes que tiveram câncer colorretal podem precisar começar a investigação mais cedo ou repetir os exames em intervalos diferentes daqueles aplicados à população de risco médio.
O intervalo mencionado pela família de Mariana estava relacionado ao histórico familiar específico. Isso não significa que todas as pessoas com mais de 40 anos devam fazer colonoscopia a cada dois anos.
O paciente deve discutir com o médico por que o exame foi indicado, quais alternativas existem, como será o preparo, quem realizará o procedimento e quais sinais de alerta exigem retorno imediato ao hospital.
Cronologia do caso
- 28 de julho de 2026: Mariana chega ao hospital para realizar sua primeira colonoscopia.
- Durante o exame: ocorre uma laceração no cólon sigmoide, segundo o relatório de internação.
- Atendimento emergencial: a paciente é encaminhada diretamente para uma cirurgia que dura cerca de seis horas.
- Após a cirurgia: Mariana permanece intubada, sob ventilação mecânica e em estado grave.
- 29 de julho: a morte é confirmada no hospital.
- 30 de julho: o caso é divulgado; Prefeitura confirma sindicância e Polícia Civil aguarda os exames periciais.
- 31 de julho: o velório estava previsto para as 8h, no Cemitério da Vila Formosa.
Perguntas frequentes
Quem era a paciente?
A paciente era Mariana dos Santos Cândido, de 41 anos. Ela tinha três filhos e havia começado recentemente a trabalhar como agente de apoio escolar.
Onde aconteceu o caso?
No Hospital Municipal Professor Doutor Alípio Corrêa Netto, conhecido como Hospital de Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de São Paulo.
Qual parte do intestino foi lesionada?
O relatório de internação citado pelo UOL registra uma laceração na parede do cólon sigmoide, parte final do intestino grosso localizada antes do reto.
Está confirmado que houve erro médico?
Não. A família suspeita de erro, mas a Prefeitura abriu uma sindicância e a Polícia Civil solicitou exames periciais. A responsabilidade dependerá dos resultados dessas apurações.
Quem realizou a colonoscopia?
A Secretaria Municipal da Saúde informou que o serviço de endoscopia é prestado pela Clínica de Endoscopia Salinas Ltda., empresa terceirizada que atua na unidade há 25 anos. O nome do profissional responsável não havia sido divulgado.
Perfuração intestinal pode acontecer em uma colonoscopia?
Sim, mas é uma complicação rara. Uma revisão internacional encontrou aproximadamente 5,8 perfurações para cada 10 mil procedimentos analisados.
A morte já tem uma causa pericial definida?
Não. O corpo foi encaminhado ao IML e a Polícia Civil aguarda a necropsia e os demais exames para estabelecer a causa médica do óbito.
A colonoscopia continua sendo recomendada?
Sim, quando existe indicação médica. O exame é importante para diagnosticar doenças e identificar ou remover lesões que podem evoluir para câncer, embora seus benefícios e riscos devam ser avaliados individualmente.
Fontes consultadas
- UOL — relatório de internação, relato da família e identificação da empresa terceirizada
- Folha de S.Paulo — sindicância, investigação policial e informações dos familiares
- CNN Brasil — posicionamentos das secretarias municipais e estaduais
- Prefeitura de São Paulo — página oficial do Hospital Municipal Professor Doutor Alípio Corrêa Netto
- Instituto Nacional de Câncer — papel da colonoscopia no diagnóstico do câncer de intestino
- Sociedade Americana de Endoscopia Gastrointestinal — revisão sobre eventos adversos da colonoscopia
- Wikimedia Commons — autoria, origem e licença da ilustração da colonoscopia
Esta matéria foi apurada em 30 de julho de 2026 com base em manifestações atribuídas à Secretaria Municipal da Saúde, à Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, em informações do relatório de internação reproduzidas pelo UOL e nos relatos dos familiares. A causa pericial da morte, a extensão definitiva da lesão e a eventual responsabilidade dos profissionais, da empresa ou do hospital ainda dependem das investigações. Dados médicos apresentados têm finalidade informativa e não substituem orientação profissional.