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8 min de leitura
Nesta matéria
  1. Mais de mil corpos foram realmente encontrados?
  2. Onde o navio japonês foi encontrado?
  3. Como um documento japonês levou aos destroços?
  4. O que aconteceu com o Hōfuku Maru em 1944?
  5. Quem eram os prisioneiros transportados?
  6. Por que eram chamados de “navios do inferno”?
  7. O naufrágio será retirado do fundo do mar?
  8. Linha do tempo do Hōfuku Maru
  9. Perguntas frequentes sobre o navio japonês encontrado
  10. Fontes consultadas

Destroços do Hōfuku Maru, navio japonês no qual 1.047 prisioneiros morreram, são encontrados nas Filipinas

Embarcação usada pelo Japão para transportar prisioneiros de guerra foi afundada por aviões dos Estados Unidos em 1944; localização permaneceu desconhecida por mais de oito décadas.

Os destroços do navio japonês Hōfuku Maru foram identificados a cerca de 50 metros de profundidade, próximos à costa oeste da ilha de Luzon, nas Filipinas. A embarcação afundou em 21 de setembro de 1944 com 1.289 prisioneiros britânicos e holandeses a bordo; registros históricos amplamente utilizados apontam que 1.047 deles morreram.

Principais informações:
  • O Hōfuku Maru foi localizado após uma pesquisa em arquivos japoneses corrigir em aproximadamente 30 milhas náuticas a área onde o navio era procurado.
  • A embarcação transportava 1.289 prisioneiros de guerra quando foi atingida por aviões norte-americanos em 21 de setembro de 1944.
  • Não foram retirados “mais de mil corpos” do mar: os destroços foram identificados como local da morte de aproximadamente 1.047 prisioneiros e serão preservados como sepultura de guerra.

Por — publicado em

Navio japonês Hōfuku Maru entrando no porto de Wilhelmshaven, na Alemanha, em 1920
O Hōfuku Maru em Wilhelmshaven, na Alemanha, em fevereiro de 1920, mais de duas décadas antes do naufrágio. Foto: autor desconhecido/Bundesarchiv, Bild 137-030555, via Wikimedia Commons, sob licença CC BY-SA 3.0 Alemanha.

Nota sobre a imagem: a fotografia histórica mostra o próprio Hōfuku Maru em 1920, mas não registra a descoberta dos destroços nem o naufrágio ocorrido em 1944.

Mais de mil corpos foram realmente encontrados?

Não foram recuperados mais de mil corpos, como sugerem algumas publicações nas redes sociais. O que a equipe encontrou e identificou foi o naufrágio no qual mais de mil prisioneiros morreram durante a Segunda Guerra Mundial.

O pesquisador e apresentador Josh Gates informou à revista Live Science que restos humanos foram reconhecidos no local. Isso não significa que 1.047 corpos tenham sido encontrados intactos, identificados individualmente ou retirados da embarcação.

O fundo do mar onde o navio repousa é considerado uma sepultura marítima de guerra. A Fundação Memorial dos “Hellships” e a Agência de Patrimônio Cultural dos Países Baixos defendem que os destroços permaneçam sem escavação, em respeito aos mortos e às famílias.

O que foi confirmado sobre a descoberta do Hōfuku Maru
Informação Situação
O navio foi localizado? Sim. Sonar, mergulhos, fotografias subaquáticas, dimensões da estrutura e danos compatíveis permitiram identificar os destroços.
Mais de mil corpos foram recuperados? Não. Restos humanos foram observados, mas não houve retirada ou identificação de mais de mil corpos.
Quantos prisioneiros estavam a bordo? O número histórico mais citado é de 1.289 britânicos e holandeses.
Quantos prisioneiros morreram? Registros históricos apontam 1.047 mortos e 242 sobreviventes que conseguiram alcançar a costa.
O local será escavado? A orientação divulgada é preservar a área como sepultura de guerra, sem remover os destroços.

Onde o navio japonês foi encontrado?

O Hōfuku Maru foi encontrado a poucos quilômetros da costa de Luzon, nas proximidades de San Narciso, na província filipina de Zambales. Os destroços estão a aproximadamente 50 metros de profundidade e divididos em diferentes seções.

A localização fica cerca de 30 milhas náuticas — aproximadamente 56 quilômetros — ao sul da área indicada em parte dos antigos registros aliados. A informação imprecisa fez com que buscas anteriores fossem concentradas no lugar errado.

A identificação reuniu dados de sonar de varredura lateral, fotografias feitas por mergulhadores, mapeamento com veículo subaquático, fotogrametria, medidas do casco, plantas do navio e comparação dos danos com relatos do ataque.

Como um documento japonês levou aos destroços?

O avanço ocorreu quando John Duresky, pesquisador da Hellships Memorial Foundation, examinou um relatório japonês digitalizado sobre o comboio MATA-27. O documento apresentava a formação das embarcações, a sequência do ataque e um desenho indicando a posição ocupada pelo Hōfuku Maru.

Segundo os responsáveis pela pesquisa, o relatório mostrou que o navio afundara muito mais ao sul do que indicavam documentos norte-americanos produzidos durante a guerra.

A equipe então localizou uma estrutura cujas dimensões correspondiam ao cargueiro. A disposição dos destroços também era compatível com os relatos de que a embarcação havia se partido durante o ataque.

A descoberta foi realizada em parceria com a Hellships Memorial Foundation e documentada para o programa Expedition Unknown, apresentado por Josh Gates. Foram realizados diversos mergulhos para confirmar a identidade do navio.

O que aconteceu com o Hōfuku Maru em 1944?

Em 20 de setembro de 1944, o Hōfuku Maru deixou Manila integrado ao comboio japonês MATA-27, que seguia em direção ao Japão. Nos porões estavam prisioneiros britânicos e holandeses capturados pelas forças japonesas.

Na manhã de 21 de setembro, mais de cem aviões baseados em porta-aviões dos Estados Unidos atacaram o comboio. O Hōfuku Maru foi atingido por bombas e um torpedo, partiu-se e afundou em poucos minutos.

Os pilotos aliados não sabiam que o cargueiro transportava prisioneiros. A embarcação não possuía identificação externa que informasse sua utilização como navio-prisão e navegava dentro de um comboio militar, o que fez com que fosse tratada como alvo inimigo.

O levantamento histórico mais citado registra 1.289 prisioneiros a bordo e 1.047 mortes. Cerca de 242 homens teriam conseguido nadar até a costa, onde foram novamente capturados pelas forças japonesas. Algumas fontes apresentam totais diferentes, reflexo de registros de guerra incompletos, listas divergentes e mudanças na forma de contabilizar passageiros, sobreviventes e mortos.

Quem eram os prisioneiros transportados?

Os passageiros mantidos nos porões eram principalmente militares britânicos e holandeses capturados no Sudeste Asiático. Muitos já estavam debilitados por fome, doenças, maus-tratos e trabalhos forçados.

Parte deles havia trabalhado na construção da Ferrovia da Birmânia, também conhecida como Ferrovia da Morte, criada durante a ocupação japonesa para ligar regiões das atuais Tailândia e Mianmar.

Os sobreviventes dos navios-prisão descreveram porões superlotados, quase sem ventilação, iluminação, água potável ou instalações sanitárias. Doenças como disenteria se espalhavam rapidamente, enquanto os prisioneiros permaneciam confinados durante viagens que podiam durar semanas.

Por que eram chamados de “navios do inferno”?

“Hellships”, expressão que pode ser traduzida como “navios do inferno”, foi o nome dado pelos próprios prisioneiros às embarcações utilizadas pelo Japão para transferi-los entre campos, portos, minas, fábricas e áreas de trabalho forçado.

O Arquivo Nacional dos Estados Unidos registra que mais de 126 mil prisioneiros aliados foram transportados em 156 viagens realizadas por 134 navios mercantes japoneses. Mais de 21 mil teriam morrido ou sido feridos em ataques aliados contra embarcações cujas cargas humanas eram desconhecidas.

Os navios não eram necessariamente construídos como prisões. Em geral, cargueiros e transatlânticos eram requisitados e adaptados de maneira improvisada. Como viajavam sem marcação especial e junto de comboios militares, tornavam-se alvos de submarinos e aviões aliados.

O naufrágio será retirado do fundo do mar?

A tendência é que o Hōfuku Maru permaneça onde foi encontrado. A Agência de Patrimônio Cultural dos Países Baixos declarou que o local deve ser tratado como sepultura de guerra e que sua integridade precisa ser respeitada.

O estado dos destroços preocupa os pesquisadores. A estrutura está coberta por sedimentos, corais e vida marinha, além de apresentar sinais de danos posteriores ao naufrágio. A equipe também relatou indícios de pesca com explosivos na região.

Há ainda a hipótese de que parte superior da embarcação tenha sido removida ou nivelada depois da guerra para não interferir na navegação. Os pesquisadores ressaltaram, porém, que ainda não encontraram documentação primária que confirme essa intervenção.

A fundação pretende trabalhar na localização de descendentes dos mortos e na criação de uma forma adequada de homenagem. O objetivo é preservar o lugar, registrar os nomes das vítimas e impedir saques ou novas destruições.

Linha do tempo do Hōfuku Maru

  • 1918: o cargueiro é construído pelo estaleiro Kawasaki, em Kobe, no Japão.
  • 1920: participa da repatriação de prisioneiros alemães mantidos no Japão desde a Primeira Guerra Mundial.
  • Década de 1930: continua operando como navio mercante em rotas internacionais.
  • 1942: passa a ser utilizado no transporte de prisioneiros aliados.
  • 20 de setembro de 1944: deixa Manila no comboio MATA-27, com 1.289 prisioneiros britânicos e holandeses.
  • 21 de setembro de 1944: é atacado por aviões norte-americanos, parte-se e afunda próximo a Luzon.
  • 2025: pesquisadores encontram em arquivos japoneses um relatório com dados mais precisos sobre a posição do navio.
  • 2026: a identificação dos destroços é divulgada após levantamentos com sonar, mergulhos e mapeamento subaquático.

Perguntas frequentes sobre o navio japonês encontrado

Qual é o nome do navio encontrado?

O navio é o Hōfuku Maru, também registrado em parte da documentação histórica como Hohuku Maru e Toyofuku Maru.

O Hōfuku Maru foi encontrado no Oceano Pacífico?

Sim. Os destroços ficam no Mar do Sul da China, que integra o sistema de mares marginais do Oceano Pacífico, próximos à costa oeste da ilha filipina de Luzon.

Foram encontrados mais de mil corpos dentro do navio?

Não. Foram identificados os destroços onde aproximadamente 1.047 prisioneiros morreram. Pesquisadores relataram a presença de restos humanos, mas não a recuperação de mais de mil corpos.

Quem afundou o Hōfuku Maru?

A embarcação foi afundada por aviões da Marinha dos Estados Unidos em 21 de setembro de 1944. Os pilotos não sabiam que o cargueiro transportava prisioneiros aliados.

Por que os prisioneiros não foram identificados no navio?

O Hōfuku Maru navegava sem sinalização visível de navio-prisão e integrava um comboio militar japonês. Para os aviadores norte-americanos, a embarcação aparentava ser um transporte militar inimigo.

Os restos mortais serão retirados?

Não há plano anunciado para uma retirada ampla. O local é tratado como sepultura marítima de guerra e deverá permanecer preservado.

Fontes consultadas

Nota editorial: matéria apurada e verificada em 3 de agosto de 2026. A manchete popular segundo a qual um navio “com mais de mil corpos” teria sido encontrado é imprecisa: o achado corresponde aos destroços de uma embarcação na qual aproximadamente 1.047 prisioneiros morreram. Restos humanos foram relatados no local, mas não houve anúncio de recuperação ou identificação de mais de mil corpos. Os totais históricos podem variar entre fontes devido à incompletude dos registros da Segunda Guerra Mundial.

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