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Nesta matéria
  1. Quantas pessoas estão desaparecidas no Nepal e no Tibete?
  2. Quem são os peregrinos desaparecidos?
  3. O que provocou a avalanche e a enchente?
  4. Qual é a diferença entre avalanche, deslizamento e enchente repentina?
  5. Quais áreas foram atingidas?
  6. Como estão as buscas por sobreviventes?
  7. Ainda existe risco de outra enchente?
  8. O desastre tem relação com as mudanças climáticas?
  9. Cronologia do desastre
  10. Há brasileiros entre as vítimas?
  11. O que fazer ao procurar uma pessoa desaparecida no Nepal?
  12. Perguntas frequentes
  13. Fontes consultadas

Avalanche no Nepal e no Tibete deixa peregrinos desaparecidos e mais de 270 mortos

Colapso de gelo, lama e rochas provocou uma enchente repentina na fronteira entre o Nepal e o Tibete; mais de mil pessoas continuam desaparecidas, incluindo centenas de estrangeiros que viajavam para o Monte Kailash.

Uma avalanche de gelo e rochas provocou enchentes repentinas e deslizamentos na fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, em 26 de agosto de 2026. Até esta quinta-feira, 27 de agosto, mais de 270 mortes haviam sido registradas e mais de mil pessoas continuavam desaparecidas, incluindo peregrinos estrangeiros que viajavam para o Monte Kailash.

Principais informações:
  • O desastre começou com o colapso de uma massa de gelo, lama e rochas que atingiu um rio e formou uma enchente repentina.
  • Mais de mil pessoas estão desaparecidas no Nepal e no Tibete; centenas são estrangeiros, muitos em peregrinação ao Monte Kailash.
  • O Itamaraty informou que, até 27 de agosto, não havia registro de brasileiros entre as vítimas.

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Fronteira entre o distrito de Rasuwa, no Nepal, e o porto de Gyirong, no Tibete
Fronteira entre o distrito nepalês de Rasuwa e o porto de Gyirong, no Tibete, fotografada em 2013. A região foi uma das mais atingidas pelo desastre de agosto de 2026. Foto: Krish Dulal, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 3.0.

Nota sobre a imagem: a fotografia mostra a área fronteiriça antes da tragédia e tem finalidade geográfica e ilustrativa. Ela não registra a avalanche nem as operações de resgate de 2026.

Quantas pessoas estão desaparecidas no Nepal e no Tibete?

Os balanços ainda são provisórios e apresentam diferenças porque as equipes continuam procurando vítimas, identificando corpos e restabelecendo contato com grupos de turistas. Além disso, algumas pessoas inicialmente consideradas desaparecidas podem estar apenas incomunicáveis devido à destruição de estradas, antenas e redes elétricas.

Um levantamento divulgado pela Associated Press apontava pelo menos 273 mortos e mais de 1.300 desaparecidos nos dois lados da fronteira. A Reuters informou que mais de mil pessoas continuavam desaparecidas e que as autoridades nepalesas esperavam um aumento no número de mortes.

Balanço provisório do desastre no Nepal e no Tibete em 27 de agosto de 2026
Região Situação informada Observação
Nepal Centenas de mortos e desaparecidos O total de moradores locais ainda estava sendo determinado pelas autoridades.
Tibete, na China 558 desaparecidos O balanço divulgado pela televisão estatal chinesa incluía 260 estrangeiros.
Estrangeiros Mais de 650 sem localização confirmada Os viajantes pertencem a mais de 20 países e muitos participavam de peregrinações.
Total dos dois lados Mais de mil desaparecidos Algumas fontes apontavam mais de 1.300 pessoas não localizadas.

Os números não devem ser somados indiscriminadamente, pois os balanços foram divulgados em horários diferentes e podem incluir pessoas posteriormente encontradas. O termo “desaparecido” também não significa necessariamente morte confirmada.

Quem são os peregrinos desaparecidos?

Grande parte dos estrangeiros viajava pela estrada que liga Katmandu, capital do Nepal, a Lhasa, no Tibete. O trajeto é usado por grupos que seguem para o Monte Kailash e o lago Manasarovar, considerados locais sagrados por diferentes tradições religiosas asiáticas.

O Monte Kailash possui significado especial para hindus, budistas, jainistas e seguidores da religião Bön. Em vez de escalar a montanha, peregrinos normalmente realizam uma caminhada ritual ao redor dela.

Entre os estrangeiros desaparecidos estavam viajantes da Índia, Estados Unidos, Malásia, Austrália, Reino Unido, Canadá e outros países. A Reuters informou que mais de 280 indianos ainda não haviam sido localizados nos dois lados da fronteira. Muitos deles eram peregrinos.

Autoridades australianas também procuravam 34 cidadãos. Quinze integravam um grupo religioso formado por australianos de origem indiana, entre eles uma criança de 11 anos.

Outros grupos podem estar isolados em áreas onde a comunicação foi interrompida. Por esse motivo, governos e operadoras de turismo trabalham para comparar listas de passageiros, registros de imigração, reservas de hotéis e informações de familiares.

O que provocou a avalanche e a enchente?

As informações técnicas disponíveis apontam que uma enorme massa de gelo, lama e rochas se desprendeu de uma região glacial do Himalaia e caiu em direção a um rio. O impacto deslocou água e detritos, produzindo uma enchente repentina que avançou pelos vales.

A corrente destrutiva carregava lama, pedras, gelo e partes de construções. Ela atingiu comunidades, postos de fronteira, estradas, pontes, usinas e veículos no distrito de Rasuwa, no Nepal, e no condado de Gyirong, no Tibete.

Nas primeiras horas, chegou-se a suspeitar de um terremoto. O Serviço Geológico dos Estados Unidos, conhecido pela sigla USGS, havia detectado ondas sísmicas e divulgado inicialmente um tremor de magnitude 4,4.

Depois da análise dos sinais, o USGS corrigiu a informação: a energia detectada havia sido produzida pelo colapso de gelo e rochas e pelo deslocamento dos detritos, e não por um terremoto tectônico.

Qual é a diferença entre avalanche, deslizamento e enchente repentina?

Os três termos aparecem nas notícias porque descrevem etapas diferentes do mesmo desastre:

  • Avalanche de gelo e rochas: grande quantidade de material glacial e rochoso se desprende de uma encosta e desce rapidamente.
  • Deslizamento ou fluxo de detritos: lama, pedras, terra e outros materiais avançam pelo terreno, arrastando estruturas.
  • Enchente repentina: o nível e a velocidade da água aumentam em poucos minutos, deixando pouco tempo para a retirada da população.

Portanto, não se tratou apenas de uma avalanche de neve. A tragédia envolveu uma sequência de fenômenos que transformou o material desprendido em uma corrente de água, lama, gelo e rochas.

Quais áreas foram atingidas?

Uma das regiões mais afetadas fica nas proximidades de Rasuwa e Trishuli, no Nepal. A corrente seguiu pelo sistema de rios e transportou corpos e destroços para áreas distantes do ponto inicial.

No distrito de Chitwan, localizado aproximadamente 100 quilômetros ao sul da área mais atingida, autoridades informaram a recuperação de mais de 100 corpos no sistema fluvial. Alguns precisariam passar por exames de DNA porque não poderiam ser identificados visualmente.

No lado chinês, vídeos verificados mostraram água e detritos atingindo o porto de Gyirong, importante passagem terrestre entre Nepal e Tibete. Casas, instalações públicas, rodovias e projetos de energia sofreram danos.

A estrada entre Katmandu e Lhasa também foi atingida. O caminho costuma receber turistas, comerciantes, trabalhadores e peregrinos, o que ajuda a explicar o número elevado de estrangeiros desaparecidos.

Como estão as buscas por sobreviventes?

Mais de 5 mil integrantes do Exército, da polícia e de equipes de emergência participavam das operações no Nepal. Helicópteros estavam sendo empregados para procurar sobreviventes, retirar feridos e levar barracas, alimentos, água e medicamentos às localidades isoladas.

As equipes resgataram mais de 100 pessoas durante as primeiras operações de quinta-feira. Entre elas estavam estrangeiros e moradores encontrados em áreas cercadas por lama e destroços.

As buscas enfrentam dificuldades causadas por:

  • estradas e pontes destruídas;
  • grande quantidade de lama e pedras;
  • interrupção da energia e das comunicações;
  • chuvas que podem provocar novos deslizamentos;
  • comunidades localizadas em vales remotos;
  • risco de rompimento de bloqueios formados por detritos nos rios.

Nepal e China afirmaram que mantêm comunicação para coordenar as buscas nos dois lados da fronteira. Índia, Nações Unidas, Organização Mundial da Saúde, Cruz Vermelha e diferentes governos também ofereceram ajuda.

Ainda existe risco de outra enchente?

Sim. Autoridades chinesas identificaram um lago temporário formado por um bloqueio de lama, pedras e gelo em Gyirong. Quando um deslizamento interrompe o curso de um rio, a água pode se acumular atrás da barreira natural.

O reservatório improvisado já estava transbordando e tinha volume estimado em aproximadamente 2 milhões de metros cúbicos na manhã de 27 de agosto. A previsão de novas chuvas aumentava a possibilidade de rompimento.

Se a barreira ceder rapidamente, outra onda de água e detritos poderá descer pelo vale. Por isso, equipes monitoram o nível da água e mantêm alertas para comunidades situadas rio abaixo.

O desastre tem relação com as mudanças climáticas?

Especialistas do Himalaia apontam que o aumento das temperaturas contribui para o derretimento e a instabilidade de geleiras. O aquecimento pode abrir fissuras, aumentar a quantidade de água dentro do gelo e enfraquecer partes das encostas.

Isso não significa que uma única causa climática já tenha sido determinada para o episódio de 26 de agosto. Ainda serão necessários estudos de campo, imagens de satélite e análises geológicas para reconstruir exatamente como o colapso começou.

O Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas, o ICIMOD, já havia alertado que geleiras enfraquecidas podem provocar avalanches de gelo, transbordamentos de lagos glaciais e enchentes repentinas no Himalaia.

As chuvas de monção, comuns entre junho e setembro, também elevam o risco de deslizamentos ao deixar o solo e as encostas mais saturados.

Cronologia do desastre

  • 26 de agosto de 2026: uma massa de gelo, lama e rochas desaba na região do Himalaia e atinge um rio próximo à fronteira.
  • 26 de agosto: a enchente repentina avança por vales do Nepal e do Tibete, destruindo construções, estradas e pontes.
  • 26 de agosto: autoridades começam a receber listas de turistas e peregrinos que perderam contato com familiares e operadoras.
  • 27 de agosto: helicópteros ampliam as buscas e transportam suprimentos para localidades isoladas.
  • 27 de agosto: os balanços passam a indicar mais de 270 mortos e mais de mil desaparecidos nos dois lados da fronteira.
  • 27 de agosto: autoridades alertam para o risco representado por um lago temporário formado pelo bloqueio de um rio.

Há brasileiros entre as vítimas?

O Ministério das Relações Exteriores informou que, até 27 de agosto de 2026, não havia registro de brasileiros entre mortos ou desaparecidos. As embaixadas brasileiras em Katmandu e Pequim continuavam acompanhando a situação.

Esse balanço poderá mudar caso apareçam novas informações. Brasileiros que estejam na região ou que não consigam localizar familiares devem procurar os canais oficiais de assistência consular do Itamaraty e das embaixadas, evitando divulgar documentos pessoais em páginas não verificadas.

O que fazer ao procurar uma pessoa desaparecida no Nepal?

  1. Reúna nome completo, número do passaporte, nacionalidade e fotografia recente.
  2. Anote o último local e horário em que houve contato com a pessoa.
  3. Identifique a agência de turismo, operadora, hotel ou grupo religioso responsável pela viagem.
  4. Verifique se o viajante havia cruzado a fronteira entre o Nepal e o Tibete.
  5. Comunique o desaparecimento à embaixada do país de nacionalidade da pessoa.
  6. Envie os dados somente para autoridades e organizações oficialmente identificadas.

A falta de comunicação não confirma que a pessoa foi atingida. Telefones podem estar descarregados, redes podem ter sido destruídas e grupos inteiros podem permanecer isolados até a chegada das equipes de resgate.

Perguntas frequentes

Quantos peregrinos estão desaparecidos no Nepal?

Não existe uma contagem separada e definitiva apenas de peregrinos. Centenas de estrangeiros estão desaparecidos no Nepal e no Tibete, e muitos viajavam em grupos religiosos para o Monte Kailash e o lago Manasarovar.

A avalanche aconteceu somente no Nepal?

Não. O desastre atingiu a região fronteiriça entre o Nepal e o Tibete, na China. Os rios e vales conectados transportaram água, lama e destroços pelos dois territórios.

Foi um terremoto que provocou a tragédia?

As primeiras informações mencionaram um possível terremoto, mas o USGS corrigiu o registro. As ondas sísmicas foram produzidas pelo colapso de gelo e rochas, e não por um tremor tectônico.

Todos os desaparecidos são considerados mortos?

Não. Desaparecido significa que a localização ainda não foi confirmada. Algumas pessoas podem estar isoladas ou sem comunicação, embora a dimensão da destruição mantenha elevada a preocupação das autoridades.

Por que havia tantos estrangeiros na região?

A estrada atingida liga Katmandu ao Tibete e é utilizada por turistas e peregrinos que viajam para o Monte Kailash, um local sagrado para diferentes religiões.

Há brasileiros desaparecidos?

Segundo o Itamaraty, até 27 de agosto de 2026 não havia registro de brasileiros entre as vítimas. A informação permanece sujeita a atualização.

Ainda pode ocorrer outro deslizamento?

Sim. Chuvas, encostas instáveis e um lago formado pelo bloqueio de um rio mantêm o risco de novas enchentes e deslizamentos na região.

Fontes consultadas

Esta reportagem foi produzida com informações verificadas em 27 de agosto de 2026. Os números de mortos, desaparecidos e resgatados são provisórios e variam entre os balanços porque as buscas continuam, comunidades permanecem isoladas e algumas fontes contabilizam Nepal e Tibete separadamente. A matéria deverá ser atualizada quando houver uma consolidação oficial.

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